Postais | #3 | Da visibilidade e da responsabilidade


Há uma frase cunhada através de tantas versões e gerações que continua tão válida hoje quanto na sua primeira elaboração: um grande poder comporta uma grande responsabilidade. Seja ele económico, numérico, hierárquico, institucional, físico ou outros. Este comporta responsabilidade. Serão mais conhecidas as vezes em que quem o detêm o esquece e usa (e abusa) em seu próprio proveito.

As últimas décadas, com as suas várias plataformas de comunicação, trouxe-nos outra forma de poder, superficial, mas com grande impacto devido à sua potencial abrangência: a visibilidade. Esta permite influenciar. No bem, no mal. Na ignorância, própria e alheia.
Na teoria, seria semelhante influenciar 10, 100 ou 10 mil. Na prática, a proporção é a diferença entre um agitar de águas e um maremoto. Ou seja, quanto maior a visibilidade, maior deveria ser a responsabilidade. Mas é também maior a sua neglicência, seja intencional, seja inconsciente.
É essencial sermos cientes das nossas palavras, atos e omissões no uso das nossas plataformas. Há quem seja meramente inconsciente e inconsequente. Há quem seja mestre, independentemente do valor ético das suas intenções: em prol de um bem maior ou apenas próprio. O mais triste é quando se julgam inimputáveis devido à sua plataforma ou desvalorizam a capacidade do seu público. Mais triste ainda é quem recebe acriticamente. Enfim, há de tudo, basta olhar com atenção.
Também eu tenho esta responsabilidade. Seja nesta plataforma, seja num contexto profissional. Sou tão consciente dela, que – não raras as vezes – me sinto inibida em palavras, atos e omissões. Tal como também sinto a premência de me firmar. Tento reger-me por alguns princípios (não infalíveis):
- acrescento algo? Provavelmente não, mas um desabafo pode ter a virtude de reconhecer que não estamos sós nas nossas dúvidas, angústias e ansiedades.
- sei sobre o que falo? Nem sempre, mas faço sempre questão de contextualizar o meu lugar de fala.
- procuro celeuma? Não. Procuro reflexão e, sobretudo, a consciência de que andamos todos a fazer o nosso melhor, o que não nos dá o direito ao desrespeito e à violência sobre o outro.
Afinal, todos merecemos respeito e este começa em nós.

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