terça-feira, 7 de julho de 2015

De Nome, Esperança, Margarida Fonseca Santos

Conheço o trabalho de MFS sobretudo na área da escrita criativa, com quem fiz uma formação nesta área, e da escrita para jovens. No entanto, só agora fiz uma incursão no seu universo adulto.
Nesta obra, a autora aborda a temática da doença mental através de uma personagem que não parece fazer jus ao nome. Esperança é uma jovem mulher desajustada do conceito de normalidade. É uma pessoa funcional, mas as suas preocupações, ambições e modo de relacionamento não é compreensível para os demais. Isso leva-a ao internamento num sanatório no Lorvão, onde Carlos, um enfermeiro estagiário se esforça para resgata-la para a convivência em sociedade. Nesse âmbito, enceta uma viagem pelo passado de Esperança, procurando perceber a origem do seu desfasamento com o modo como o mundo se organiza e o que faz despoletar os seus ataques de incompatibilidade.
Esperança é nos apresentada através dos diversos pontos de vista das pessoas que a conheceram, mas também através de excertos da sua escrita, pois era este o modo como se organizava mentalmente e conseguia estabelecer uma relação com o que a rodeava: “Escrevo a vida dos outros, ou é através dos outros que escrevo a minha?” (P. 49)
É um livro interessante que nos faz reflectir sobre o que é a suposta “normalidade” e a usual inaptidão da sociedade, como um todo, para incluir no seu seio o doente mental.

Editora: Oficina do Livro| Edição: 1ª | Local: Alfragide | Impressão: Eigal | Ano: 2011, Janeiro | Págs.: 170 | Capa: Margarida Rolo| ISBN: 978-989-555-563-5 | DL: 319643/10 | Localização: 82P-31/SAN BLX PF (80290396)

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