domingo, 4 de dezembro de 2016

Traduzir-se, Ferreira Gullar

Uma parte de mim
é todo mundo:
outra parte é ninguém:
fundo sem fundo.
Uma parte de mim
é multidão:
outra parte estranheza
e solidão.
Uma parte de mim
pesa, pondera:
outra parte
delira.
Uma parte de mim
almoça e janta:
outra parte
se espanta.
Uma parte de mim
é permanente:
outra parte
se sabe de repente.
Uma parte de mim
é só vertigem:
outra parte,
linguagem.
Traduzir uma parte
na outra parte
— que é uma questão
de vida ou morte —
será arte?

terça-feira, 22 de novembro de 2016

De que falamos quando falamos de acessibilidades?

Ao ler um texto sobre o tema na área cultural, não pude deixar de reflectir sobre o mesmo e sobre a realidade que me rodeia. Ao falar-se de acessibilidade, fala-se também dos diversos tipos de acessibilidade: física, social e intelectual. E, é claro, a influencia desta na criação e/ou tipificação de públicos. Mas será que os nossos responsáveis estão cientes e/ou sensibilizados para esta questão e a sua real e eficaz inclusão na gestão dos espaços e equipamentos.

Em termos de acesso físico, a minha questão começa logo pela localização. Quando se seleciona um espaço para um serviço ou um equipamento, este nem sempre é o desejado ou o ideal, mas sim o que está, de momento, disponível. Consequentemente, esses espaços podem ter logo condicionantes genéricas de acesso à zona no que diz respeito a, entre outros: proximidade de transportes públicos, estacionamento, sentimento de (in)segurança. Depois, há a questão do edifício. Está preparado para possibilitar o acesso a pessoa com mobilidade reduzida. Ou seja, tem rampas, elevadores, áreas de circulação para cadeiras de rodas ou muletas, ou tem qualquer outro tipo de barreiras físicas? E quando falamos de acesso, porque não falamos também de evacuação em caso de emergência? Sim, porque embora todos desejemos que nunca seja necessário, temos de estar preparados para essa situação. E, infelizmente, tenho-me deparado com situações de portas, que se querem de emergência, encerradas pelo exterior ou zona de fuga para varandas ou outras áreas fechadas.

Quanto à inclusão social, há todo um mundo a reflectir. E digo um mundo porque cada vez mais o nosso país acolhe diversas e tão dispersas nacionalidades que todos sentimos dificuldade em acompanhar na necessidade mais básica: a linguística. Sim, todos nós falamos um mínimo de inglês, quase nada de francês, arranhamos um portunhol. Mas para além disto? Conseguimos realmente comunicar com quem nos procura? Estamos preparados para atender devidamente invisuais? E falantes de língua gestual? E situações do foro mental? Não, não estamos e incluo-me nesse rol.

E por último, mas não menos importante, há a vertente intelectual. Cada utilizador de um espaço cultural tem apetências e necessidades específicas e, sendo impossível satisfazer todas, podemos ser o mais abrangente possível nas ofertas que disponibilizamos. Para tal não podemos esquecer que há um caminho a fazer e que este se faz a partir do diálogo entre os técnicos no terrenos e o(s) próprio(s) público(s). Para tal é necessário ter numa equipa elementos com formação adequada e transversal e confiar na capacidade dessa equipa para fazer o trabalho. Por vezes, começa-se por uma pequena actividade e dessa ou dos contributos (in)formais gerados parte-se para outra., quiçá de maior dimensão, até se chegar àquela dimensão que todos os responsáveis gostam e que lhes dá a maior visibilidade possível. Além disso, e porque os nossos públicos evoluem e são também cada vez mais exigentes e sedentos de uma oferta variada é necessário fazer uma aposta continua na formação profissional e em momentos de partilha interna e externa. Se o fizermos, tudo o resto acontecerá e ganhamos todos: o(s) público(s) por conseguir suprir as suas necessidades, os técnicos porque sentem a validade do seu contributo e os responsáveis porque consegue visibilidade.

E se tudo isto para simples e óbvio, infelizmente, só o é para alguns. Tentemos nós fazer a nossa parte. 
@ João Menéres

domingo, 20 de novembro de 2016

Que obras selecionar para uma comunidade de leitores?

(Comunidade de Leitores da biblioteca da Penha de França)

Há cerca de ano e meio, tive a oportunidade de integrar a Comunidade de Leitores da Biblioteca da Penha de França. Além do prazer pessoal, tem sido a oportunidade de colocar em prática muito do que tenho observado e aprendido, no que diz respeito à dinamização de comunidades de leitores. Uma dessas aprendizagens tem a ver com a adequação das propostas de leituras ao espaço, que, neste caso, é uma biblioteca pública, com uma missão e objectivos definidos.

Sendo uma biblioteca pública, o que é que faz (ou não) sentido promover em termos de leituras?


+ Explorar o acervo da biblioteca. As bibliotecas disponibilizam milhares de títulos aos seus leitores e utilizadores, e é ai que devemos buscar as nossas sugestões de leitura. Isto implica uma pesquisa e uma opção por títulos com o nº de exemplares suficientes para o nº de participantes na comunidade. Isto é uma lógica de economia, não faz sentido termos livros disponíveis, nem apresentar-nos como uma opção gratuita de acesso à informação, e pedirmos aos leitores que adquiram outros. Deixemos isso para outros espaços.


É claro que também coloca alguns impedimentos:


- A dificuldade em promover novidades literárias ou modas muito recentes ou, uma vez que não existem exemplares em número suficiente para todos. Por exemplo, neste momento não é possível seleccionar os livros de Elena Ferrante, uma vez que os poucos exemplares disponíveis da rede municipal de bibliotecas de Lisboa possuem uma lista de espera de cerca de 30 leitores. Existem, no entanto, livros que foram populares num dado momento do tempo e que fazem todo o sentido conhecer, mesmo que acabemos por entrar na onda do “clássico”.


Então em que podemos apostar?


+ Autores nacionais. Se somos uma biblioteca pública nacional, devemos, senão fazer bandeira, pelo menos, promover o maior número possível de autores nacionais, que nem sempre são do conhecimento do leitor. O que é nosso é bom e devemos defende-lo. Além de que possibilita apostar noutro tipo de actividade paralela ou subsequente: o encontro com o escritor. E, numa era de igualdade de oportunidades entre género, porque não tentar encontrar um equilíbrio entre autores do sexo masculino e feminino?


+ Autores internacionais. Uma das possibilidades que a literatura nos oferece é a de ver e conhecer o mundo pelos olhos do outro, neste caso, que melhor olhar do que o estrangeiro? Mas, sendo esta possibilidade tão abrangente, optou-se pela divulgação de premiados com o Nobel da literatura. Poderia haver outro(s) critério(s)? Poderia. Contudo, foi um ponto de partida consensual para todos os participantes e que nos levou à leitura, em 2016, de Orhan Pamuk, Ernest Hemingway e Nadine Gordimer.


+ Sugestões dos participantes. Aqui entra, não só a sensibilidade, mas a capacidade de análise do dinamizador de: perceber, durante as sessões, que autores não foram lidos pela maioria e avançar com essas mesmas propostas; registar as sugestões informais dos participantes; e incitá-los a sugerir, porque as comunidades são feita para os leitores e estes sentem-se mais identificados quando as suas sugestões são consideradas.


Outras comunidades terão outras opções e orientações de leituras. Estas, que não são estanques e imutáveis, apenas são uma continuidade do entendimento que, enquanto técnicos, fazemos do papel da biblioteca enquanto agente de promoção da leitura, com um acervo a potenciar e a divulgar, sem descurar a curiosidade dos seus leitores.



 

quarta-feira, 26 de outubro de 2016

Como preparar a dinamização de uma sessão de uma Comunidade de Leitores (o meu processo)

Cada dinamizador de comunidades de leitores poderá ter o seu processo, para o qual conta muito, entre outras: o conhecimento do seu público, a sua capacidade de falar em público sem um guião pré-definido e estanque, a sua bagagens de leituras e a sua capacidade de associar temas e ideias.
Mas cada sessão, como o(s) seu(s)  livro(s)  de destaque, é diferente e nunca é demais fazer uma preparação prévia (passe o eventual pleonasmo). Este é o meu plano de preparação:
- Ler o livro. Dá imenso jeito, acreditem! E, de preferência, (re)lê-lo próximo da data de sessão, pois, no meio dos afazeres quotidianos, outras responsabilidades e outras leituras é muito fácil esquecer diversos (muitos) pormenores sobre as obras. De há alguns anos para cá, como nunca sei se me vou deparar novamente com um livro, e para poupar algum tempo de (re)leitura, passei a fazer pequenas fichas de leitura, nas quais consigo recuperar alguma informação sobre o que me chamou a atenção na obra. Tem sido útil.
- Pesquisar alguns dados biográficos sobre o autor. Não é imperativo saber toda a vida do autor. Idealmente, a leitura da obra deve bastar-se. No entanto, como dinamizadores, não podemos negligenciar o impacto e influência das (des)venturas pessoais dos autores na génese e desenvolvimento do seu trabalho. Regra geral, há sempre algum episódio interessante para reflectir ou, no mínimo, perceber qual a postura pública do autor sobre a sua própria obra.
- Pesquisar algumas opiniões sobre o autor e/ou a obra em questão. Por muito ampla que seja a nossa bagagem de leituras, ficamos muito facilmente presos na nossa visão (e preconceitos) sobre o autor e a obra. Assim, ao perceber outras opiniões podemos também prever algumas das participações e antecipar algumas situações e temas.
- Curiosidades. Sempre que possível, gosto de partilhar pequenas curiosidades com que me deparo ao realizar as pesquisas anteriores. Como, por exemplo, partilhar outras sugestões de leituras, que a presente me trouxe à memória. Ou então sugestões de leitura dos próprios autores. A verdade é que estas curiosidades variam muito. Já cheguei a partilhar pequenas impressões de quadros mencionados nas obras.

De um modo simples, este é o meu processo de preparação de uma sessão de uma Comunidade de Leitores. Não é, com certeza, infalível e deixa espaço para muito mais. Mas também não tenho como  objectivo esmiuçar a obra e o autor de modo a dizer tudo o que há dizer sobre o mesmo. O meu objectivo é contribuir para uma reflexão e dar “o pontapé de partida” para uma partilha de opiniões. E este meu plano é um contributo decisivo nesse sentido. 

Preparação da sessão sobre O Sol nasce sempre (Fiesta), de Ernest Hemingway.

quarta-feira, 19 de outubro de 2016

#104.16 @ 103/1003


Um dos meus objectivos de leitura é o de ler três vencedores com o Prémio Nobel por ano. Em 2016, a escolha recaiu, por vezes aleatoriamente, em:
- Orhan Pamuk, com O Romancista Ingénuo e Sentimental e de quem já conhecia A Cidadela Branca;
- J.M. Coetzee, com Elizabeth Costello, e que foi uma estreia na obra deste autor;
- Ernest Hemingway, com O Sol NAsce Sempre (Fiesta), de quem, finalmente, acabei uma leitura.
E, em prinicpio, até ao final do ano, ainda me dedicarei à leitura de A História de Meu Filho, de Nadine Gordimer, que será, igualmente, uma estreia na obra.

terça-feira, 18 de outubro de 2016

O sol nasce sempre (fiesta), Ernest Hemingway

Já manifestei anteriormente o meu preconceito sobre a obra de Hemingway, que me levou sempre a passar-lhe ao lado. Este preconceito assenta sobre alguns dos seus temas (tourada, corridas de touros, caça e pesca, boxe, guerra) e o seu universo, aparentemente, única e exclusivamente masculino. No entanto, sempre me intrigou o interesse suscitado pela sua obra e o facto de a sua escrita ser uma sugestão incontornável a quem se quer, exactamente, dedicar à escrita. Foi neste estado de espírito que me dediquei à leitura deste seu primeiro romance.
Em termos de estrutura, a obra está dividida em três livros, a que chamei: Paris, Pamplona e Regresso. Quanto ao enredo... bem, tenho dificuldade em dizer que o mesmo tem um enredo, quando a sua acção parece resumir-se à descrição do quotidiano de um grupo de amigos durante determinado período de tempo, que antecede a ida para as festas da cidade espanhola, as peripécias da chegada, a estada e, depois, o consecutivo desmembrar do grupo.
E quem é este grupo? Jacob/Jake Barnes, jornalista e narrador, veterano da primeira grande guerra e ferido em combate; Lady Brett Ashley, actualmente noiva de Mike campbell em processo de divórcio de Lord Ashley, que nunca surge na trama, cujo casamento parece ter sido traumático, pautado por violência doméstica; Mike Campbell, em ressaca de um processo de falência, procura aproveitar a vida o melhor possível, sem nunca esconder a sua condição económica, vivendo de pequenos expedientes e da bondade de amigos e conhecidos; Robert Cohn, escritor a debater-se com a falta de progresso do seu segundo livro; e Bill, também escritor. Quem liga estas personagens é exatamente Brett, que, estando noiva de Mike, tem um caso esporádico com Cohn, e uma amizade com Jake, que nunca passa a um plano físico devido a um ferimento do mesmo na guerra que o terá tornado impotente. Em Espanha, envolver-se-á com um toureiro, o que desestabilizará o equilibro precário deste pequeno grupo, que se separa, restando apenas a amizade entre Brett e Jake.
O que gostei, o que não gostei e o que consegui perceber sobre o fascínio que Hemingway provoca:
+) a não crítica do comportamento sexual livre e aberto de Brett. Este é do conhecimento de todos e ninguém a renega por isso. Só Cohn, que não respeita essa liberdade, e a quer só para si, é que, com os seus ciúmes, consegue provocar o desequilíbrio;
-) a descrição da denominada “geração perdida”, expressão cunhada por Gertrud Stein que assim descrevia a geração de artistas que entre a primeira guerra e a depressão pululavam na Europa, sobretudo em Paris;
+) creio que compreendo o fascínio pela sua escrita límpida, em que as acções procuram ser mais fortes pelas palavras e em que o exotismo de certas situações seriem autênticos deleites para as gerações da época.
Finda a sua leitura, que não me cativou (estava constantemente a lembrar-me de O Fio da Navalha e do quão uma época pode ser descrita de modos tão diferentes) mas que, no entanto, me deu esbateu o preconceito sobre os níveis de testosterona da sua escrita e me deixou curiosa para uma incursão futura, ainda por definir.
Título Original: The sun Also Rises | Tradução: Jorge de Sena (+ Prefácio) | Editora: Livros do Brasil | Local: Carnaxide | Colecção: Clássicos da Literatua | Edição/Ano: 2007, setembro | Págs.: 264 | Capa: Daniel Barradas | ISBN: 978-972-2851-1 | DL: 261647/07 | Localização: BLX

terça-feira, 11 de outubro de 2016

A necessitar de uma nova banda sonora

Há momentos da minha vida que têm uma banda sonora especifica: a canção de uma novela ou de uma série televisiva, um álbum ouvido vezes sem conta ou até à exaustão, a batida e os versos de uma noite de dança… mas essas músicas, e esses momentos, ainda que meus, parecem também pertencer a uma outra vida… a um passado distante, ao qual devemos o nosso presente, mas no qual não o revemos. O presente necessita de uma outra canção, que se coadune com a melodia que meu coração entoa…

Há muito que não uma nova música na minha vida. Não por falta de motivos, talvez apenas o meu coração, embora o anseie, ainda tema em entregar-se a um novo tom. 


quinta-feira, 6 de outubro de 2016

Nunca, nada, sempre, tudo
Palavras impossíveis
A mudança revolve
Transforma
O fóssil é perene

Na perspectiva além do homem


sábado, 1 de outubro de 2016

Curvas ou intersecções (no caminho)

A propósito da leitura de A Curva da Estrada, de Ferreira de Castro, Cristina C., uma profunda conhecedora da sua obra, observou que para este autor a metáfora de acontecimentos que alteram o nosso percurso previsto é sempre uma curva e não um cruzamento ou uma intersecção.
Esta observação levou-me a reflectir. Quando perante obstáculos, alteramos realmente o nosso caminho, seguindo outra direcção, ou ultrapassamos, ou contornamos, o que se coloca à nossa frente?

Quantos de nós muda realmente de direcção? Deveríamos sequer? Sim, há sempre sins. Mas, deste modo, não estamos a afastar-nos daquilo que primordialmente definimos para as nossas vidas? Ou será esse afastamento uma outra forma de chegarmos aos nossos objectivos? Por vezes, uma estrada pejada de curvas e contracurvas abruptas obriga-nos a abrandar, a redobrar a nossa capacidade de observar o que nos rodeia, a ter atenção ao que nos rodeia. O nosso crescimento e maturidade advém não dos acontecimentos per si, mas de como lidamos com eles, do que aprendemos com eles. Para isso é necessário muitas das vezes abrandar, observar e avançar com cuidado. São as curvas que nos impedem de cair no precipício e nos fazem apreciar a estabilidade do caminho a posteriori. Sem elas, seriamos capazes de apreciar qualquer beleza na velocidade de um caminho a direito?

sexta-feira, 30 de setembro de 2016

Pessoas espelho

Convivemos diariamente com pessoas nas quais revemos inconscientemente aquilo que nos desagrada. Seja porque invejamos determinada característica, seja porque espelham aquelas que aspiramos a não ter.
Estou a aprender a não me revoltar com essas pessoas, porque há quem tenha boa índole e aja inconsciente de algumas características próprias. Embora, também, já tenha convivido com pessoas cuja índole deixa um pouco a desejar.

Cada vez mais, quando alguém me incomoda, tento afastar-me um pouco e perceber o que é que na pessoa, ou até na situação, em concreto me incomoda. E, infelizmente, na maioria das vez, o incómodo está em mim. Porque ou invejo ou tento negar alguma das minhas características. 
Não é um processo fácil, o de tomarmos consciência do que consideramos defeitos ou imprecisões. Mas é um processo necessário, se, em último caso, desejarmos melhorar, seja por nós, sobretudo por nós, seja por quem nos rodeia. Porque todos merecemos ser a nossa melhor versão possível.  

quinta-feira, 22 de setembro de 2016

Pequenas vitórias

Sou da opinião de que definimos a nossa vida, não nas grandes decisões, mas nas nas pequenas opções do quotidiano. Como, quando escolhemos beber antes de conduzir, quando passamos ao lado de eventuais abusos, quando não defendemos os nossos interesses porque julgamos que nada vai acontecer, quando esquecemos que somos o exemplo, quando não damos o primeiro passo porque achamos que não vale a pena. Depois, como poderemos esperar grandes vitórias ou aspirar a grandes actos?

Só dando o primeiro passo podemos chegar ao topo ou ao fim da grande viagem. Por vezes, dou por mim assoberbada e até arrepiada quando atinjo alguma das pequenas vitórias a que me proponho. Sinto um frio na barriga e até o receio de continuar a cumpri-las, porque atrás delas virão as grandes, que estão, quiçá, a menos passos do que julgamos.