sexta-feira, 16 de fevereiro de 2018

Comunidade de Leitores da Biblioteca de Penha de França


Em Junho, fará três que integrei a equipa da Rede de Bibliotecas de Lisboa, mais precisamente na Biblioteca da Penha de França. A partir de Outubro desse ano, em colaboração com a minha colega que criou a Comunidade, comecei a compartilhar sua a organização e a dinamização. Gradualmente, assumi todas as tarefas e responsabilidades inerentes à mesma, sem nunca deixar de contar com o apoio para quaisquer dúvidas ou sugestões.
Actualmente, temos um grupo muito (passe o pleonasmo) muito participativo de participantes. O seu interesse e diversidade de contributos são sempre uma motivação e um desafio, perante os quais só posso responder com enorme respeito e crescimento, quer pessoal, quer profissional.
Hoje, ao fazer algumas pesquisas para começar a elaborar propostas para o ciclo de leituras de 2018/2019, deu-me para fazer um pequeno balanço das leituras realizadas deste Outubro de 2015 até às previstas até Junho próximo. de um total de 29 leituras, constato que 16 correspondem a autores portugueses, 5 a autores lusófonos e 8 a estrangeiros em geral. É com enorme prazer que a escolha dos participantes recai sobre os nossos autores. Se por um lado isso revela algum desconhecimento, por outro há também a curiosidade. E como já tenho frisado em reflexões anteriores, nada melhor do que uma Comunidade de Leitores para, num ambiente seguro e informal, conhecermos autores, perante os quais ainda há algum preconceito. Quer em termos de qualidade, que é muita, mas que, infelizmente, dada a dimensão do nosso mercado e o desconhecimento geral, parece não transparecer para o público em geral. Façamos então o que está ao nosso alcance para inverter este pensamento.

Para facilitar a minha pesquisa, e o eventual interesse do público, decidi criar um separador, no início da página, relativo apenas a esta Comunidade de Leitores. Nele constarão, não só o histórico de leituras, como a ligação a algumas reflexões especificas e outras informações especificas sobre a mesma. Espero que o mesmo vos seja útil. A mim será certamente. 

domingo, 11 de fevereiro de 2018

Comunidades de leitores: à descoberta dos autores portugueses

Já há várias semanas que não deixo aqui um apontamento sobre comunidades de Leitores (CL), em jeito de reflexão. como é hábito, vou deambulando pelas sugestões de leitura de diversas comunidades na área de Lisboa, em particular na cidade, devido à logística de deslocação. e uma alegre constatação é que cada fez os autores nacionais são uma presença constante das mesmas.
No caso das livrarias, acrescenta-se muito frequentemente a possibilidade de presença do autor. Será o caso este mês da Tigre de Papel, que no dia 27 contará com a presença de Dulce Maria Cardoso para falar sobre O Retorno. Já a Leituria debruçar-se-á sobre Os Loucos da Rua Mazur.
Já o Clube de Leitura do Lumiar inclui, até ao final do ano, nas suas leituras: Miguel Torga, Miguel Sousa Tavares, valter hugo mãe, José Saramago e Agustina. Na biblioteca da Penha de França, andaremos à volta, até junho, de David Mourão-Ferreira; Teolinda Gersão, Hélia Correia, Possidónio Cachapa e Gonçalo M. Tavares.
Porquê esta sede por autores nacionais? Exactamente porque há um grande desconhecimento sobre o seu trabalho. a maioria dos leitores terminou a sua relação com a literatura nacional após as leituras escolares obrigatórias. A obrigação, a falta de identificação com determinados estilos de escrita, o excesso de análise académica afastam(ram) a maioria do que se escreve em Portugal. e se aliarmos a este facto certo resticio de pensamento de que o que é português não tem a mesma qualidade do que vem de fora, faz com que o panorama da leitura de autores nacionais fique extremamente aquém da sua real qualidade.

E é aqui que as CL têm desempenhado um enorme – e nem sempre visível ou óbvio – trabalho de divulgação da literatura nacional, seja recente ou do século passado. Da minha parte, continuo a empenhar-me neste sentido, até porque tenho descoberto autores extraordinários cujo valor infelizmente não tem ultrapassado as gerações. e também por sentir, da parte dos demais participantes, que este é um local seguro para partilhar leituras sobre as quais sentir ter qualquer tipo de preconceito. uma vez que é um espaço de aceitação, quer do eventual fascínio, quer do eventual desanimo perante a referida leitura. 

sábado, 10 de fevereiro de 2018

as primeiras coisas, Bruno Vieira Amaral

O Bairro Amélia (BA) é um bairro ficcional situado na Margem Sul do Tejo, que serve de cenário à primeira obra de Bruno Vieira Amaral (BVA). Mas o BA não se restringe a esta localização. O BA é transversal a muitas vivências à margem da urbe lisboeta. O BA é um state of mind geográfico-geracional. Chama-se BA, mas poderia muito bem chamar-se Praceta Ferreira de Castro (e algumas ruas contíguas), onde conheci muitas destas personagens – com outros nomes, é claro – e cresci com muitas destas referência e idiossincrasias[1].
BVA é o seu cartógrafo, num laborioso trabalho de fixar as biografias dos seus inúmeros habitantes. Habitantes de uma geração nascida na década de ’70 e que se fez adulta na década de ´90 (e um pouco mais). Uma geração que olha para estes espaços como o invólucro que alberga os seus fantasmas, em que a única tecnologia possível para os recuperar é através da memória, porque a memória é afinal a base d’”o que tu és” (p. 283). E este é o ”dicionário incompleto, este inventário amputado de sonhos, memórias, fontes impressas ou descrições sem sentido” (p. 57) dessa geração, mas também uma homenagem sentida à geração anterior. a geração “com a esperança de que fosse apenas uma passagem, um interlúdio de sacrifício numa narrativa épica de ascensão, e tinham demorado uma vida interira para perceber que aquela era a última estação e os seus filhos nunca perceberam que tinham subido fincando os pés nos lombos sofridos dos seus pais.” (p. 237)
Por isso, o BA é em todo lado, e todos somos apenas uma das suas possíveis histórias. Um misto de “sofrimentos escusados e alegrias supérfluas.” (p. 198)

Editora: Quetzal | Colecção: língua comum | Local: Lisboa | Edição/Ano: 1ª, out 2013  | Impressão: Bloco Gráfico, Lda. | Págs.: 297 | Capa: Rui Rodrigues | ISBN: 978-989-722-212-7 | DL: 363114/13 | Localização: BLX Oli (80343966)




[1] Quase sempre em nota de rodapé. porque a vida, mais do que uma narrativa, é o apontamento das circunstâncias que a condicionam. 

sexta-feira, 9 de fevereiro de 2018

Clube dos poetas vivos #9

sim, mas porque é todos exigem
que tenhamos algo a dizer quando
só queremos a beleza de pôr palavras
umas ao pé da outras
e se isso me basta,
porque é que não vos basta?
Alicia Watkins

quinta-feira, 8 de fevereiro de 2018

Clube dos poetas vivos #8

Ou a equação do amor com a poesia

Sim, voltamos ao poema
Porque mesmo tudo mudando
A poesia permanece
Como o possível do indizível
Que consigo ou não sentir
Quando entrelaçamos as mãos
E apartamos o olhar
Porque se o corpo se reconhece
Nas suas complementares
Saliências e reentrâncias
A alma sabe-se sempre
Aqui aquém além
Terra mar horizonte
Em que não nos reencontramos.


Inoffensive

quarta-feira, 7 de fevereiro de 2018

Clube dos poetas vivos #7

Repara, não és tu, nem sou eu
Que te quer, és apenas o corpo
Possível nos dias que correm
E, atenção, nem este possível
Ocupa o espaço necessário
Para te querer o suficiente
No tempo das minhas horas
Vê, nem sequer te reconheço
Personagem secundária
Em que enredo a teia do
Meu viver ponto a ponto
De marca a marca que
Faço na sumula dos dias
Que se esvanecem no
Horizonte vazio dos lençóis
Pois, remeto-te à figuração
num ou outro pontual encontro
em que não te encontro mas
procuro encontrar-me apenas

sabendo-te sempre que não o és.

Ruminant Reserve

terça-feira, 6 de fevereiro de 2018

ÉMULOS, Margarida Vale de Gato

Eylul Aslan

Foi como amor aquilo que fizemos
ou tacto tácito? – os dois carentes
e sem manhã sujeitos ao presente;
foi logro aceite quando nos fodemos
Foi circo ou cerco, gesto ou estilo
o acto de abraçarmos? foi candura
o termos juntos sexo com ternura
num clima de aparato e de sigilo.
Se virmos bem ninguém foi iludido
de que era a coisa em si – só o placebo
com algum excesso que acelera a líbido.

E eu, palavrosa, injusta desconcebo
o zelo de que nada fosse dito
e quanto quis tocar em estado líquido.
[in Mulher ao Mar, Mariposa Azual, 2010]

segunda-feira, 5 de fevereiro de 2018

Exercícios de corrente de consciência

O que é a corrente de consciência (stream of consciousness)?
Expressão nascida na área da psicologia com William James, em Principles of Psychology (1890) e que, utilizada num contexto literário, se refere a um método narrativo relacionado com momentos significativos de instrospecção, que se podem combinar, em muitos casos, com monólogos interiores. Literalmente, traduz-se por fluxo da consciência, mas a sua aplicação literária deve obrigar a outros significados, por isso se recomendando a referência à expressão original da psicologia. Supõe-se que num mesmo momento vários níveis de consciência se misturam numa corrente de sensações, pensamentos, memórias e associações. Para descrever este momento, esta corrente de consciência, é necessário fazer-lhe corresponder uma corrente de palavras e imagens tão próximas quanto possível da variedade de elementos que atravessam a mente humana. Desta forma, pretende-se que o leitor assista, em primeira-mão e sem interferência do narrador, ao fluir das sensações e pensamentos das personagens. (...) (in E-Dicionário de Termos Literários de Carlos Ceia: http://edtl.fcsh.unl.pt/business-directory/6376/stream-of-consciousness/

Desafio:
O participante, sem qualquer tema dado, começa a escrever o que a sua consciência dita. De x em x tempo, o dinamizador dita uma palavra que tem de ser incluída no texto que está a ser escrito. Se é inclusão é feita de forma “lógica” ou não, fica ao critério do participante. Podem-se utilizar quaisquer palavras que queiramos, podendo sempre ser alteradas e selecionadas para reflectir temas específicos ou emoções. O exercício não deve exceder os 2 minutos, para participantes já com alguma pratica, e ter um mínimo de 1m15, com as palavras a serem introduzidas a cerca de cada 15/20 segundos.

Exemplos:
  1. Nem chove, nem faz sol. Que nóia, nem sei o que vestir esta noite. Casaco curto, comprido. Será que vai estar muito frio ou ameno. Se ao menos fossemos à biblioteca. Mas é surpresa. Ui já que esquecia, tenho o frigorífico vazio.
  2. Vamos lá a isto, o que será que vem aí? Uma estrela, um sol, uma lua incandescente. Não sei, caramba, que raiva que isto me dá. Vou lá fora ver se está noite ou já é dia. Estou com fome já comia um frango assado e umas batatas também já marchavam.

Observação / conclusão:
Enquanto participante, os textos que produzo podem já não ser vistos pelo dinamizador como exemplos de corrente de consciência. Primeiro, porque já sei ao que vou e já não entro desprevenida no exercício. Depois, porque, no início do meu percurso profissional, tive uma experiência redactorial em que tinha frequentemente de produzir textos lógicos e coerentes num curto espaço de tempo, prontos a publicar. Não seriam textos extraordinários, mas seriam textos lógica e gramaticalmente correctos.

Como dinamizadora, este é sempre um exercício interessante e a que os participantes, embora atrapalhados e com dúvidas, aderem bem. Gosto de o deixar para o final das sessões, optando por que o resultado não seja lido em voz alta. É um texto para o participante reflectir sozinho. 

Stefan Draschan

domingo, 4 de fevereiro de 2018

As redes sociais e o seu impacto profissional

Actualmente, as redes sociais podem ter o maior dos impactos na nossa vida profissional. Seja porque nos levam ao próximo empregador ou funcionário, seja porque podem ser motivo de despedimento e/ou processos disciplinares. É importante perceber que, como qualquer outra ferramenta de comunicação, as redes sociais são uma faca de dois gumes, que tem de ser utilizada com consciência, cautela e respeito.
Muitos de nós tem páginas em redes sociais e não faz qualquer separação entre o que quer dessa página, se pessoal, se profissional. Essa dúvida é normal. Somos uma única entidade (tentamos) e é normal que queiramos partilha diversos aspectos da nossa vida. Somos extremamente inaptos em compartimentar. E ainda bem. Mas somos ainda mais inaptos em perceber que muito do que acontece na nossa vida, não acontece só connosco. Acontece com demais pessoas e essas podem não querer ser expostas. Com todo o direito. O mesmo acontece com as entidades que nos empregam.
Há que perceber que parte do nosso tempo é, senão propriedade, usufruto de uma entidade. Entidade essa que tem normas de conduta e imagem que quer preservar e que pauta contratos e/ou acordos tácitos. Diz um ditado popular que não devemos morder a mão que nos dá de comer. (Há um outro mais escatológico e mais impactante.) Mas a verdade é que devemos perceber que há informações e situações profissionais que não são divulgáveis. E no caso de nos sentirmos injustiçados, há locais e instituições próprias para o efeito. Tal como, embora seja mais fácil de dizer do que de fazer, caso não nos identifiquemos com a imagem e ou conduta de uma empresa, a porta da rua é serventia da casa.
A verdade é que hoje, cada um sabe de si e as redes sociais sabem de todos. Culpa de todos que a alimentam sem ponderação e/ou noção das consequências. Mas também é verdade que a antiga máxima de que à mulher de César não basta ser, tem de parecer continua actualissima.
Mas, por outro lado, e quando as instituições lucram com a eventual visibilidade dos seus funcionários nas redes sociais? Aliás, não é à toa que empresas fazem contratos com celebridades de modo a que o halo destas beneficie a imagem e/ou os seus lucros. Mas, num contexto mais quotidiano, o que dizer de quando um funcionário, não tendo sido contratado com esse fim especifico, beneficia a imagem da instituição, quer em termos de visibilidade, quer em termos de credibilização. Não deveriam esses mesmos funcionários receber outro tipo de valorização. Que tipo de valorização é talvez complexo de aferir e dependeria, em última análise, da estrutura e normas que regem cada instituição, mas também da sensibilidade de cada responsável.

Nos últimos anos, tem feito a escolha consciente de que a minha presença nas redes sociais seja sobretudo um reflexo da minha experiência profissional. Tenho noção de que tal poderá ser um pouco ridículo, pois apesar de pautar essa mesma presença de modo a não colidir com as orientações do código de conduta do funcionário público, em última análise tenho sempre a sensação de que não o deveria fazer. Mas também sinto que o mesmo acaba por colidir igualmente com uma série de objectivos profissionais que nos são colocados, objectivos esses cujo cumprimento beneficia dessa mesma presença nas redes sociais. Questiono-me constantemente se estou ou não a ultrapassar limites ou se estou simplesmente a rentabilizar meios e ferramentas e onde é que se encontram esses limites. Sabendo de antemão que as estrutura das entidades do estado ainda não estão adaptadas a esta nova realidade. E uma coisa é certa: faço todo o possível para não colocar em causa, mas sim beneficiar, um trabalho que me acrescenta como pessoa e que acrescenta quem dele usufrui. Tendo em mente que o público, esse sim, é, em última analise, a quem me dirijo e é ele que pauta o meu desempenho profissional.
Daniel Rueda & Anna Devis

sábado, 3 de fevereiro de 2018

when patricia meets drummond...

tomás ama júlia,
que nunca julgou amar miguel,
que se surpreende com francisco que amou joão,
que nunca amou ninguém. talvez como vera...
lourenço ama e é amado por luísa,
que se ama a si própria.
Com final feliz e todos os pleonasmos a que tem direito. 
Stefan Draschan

quinta-feira, 1 de fevereiro de 2018

Amor em segunda mão, Patrícia Reis

Como já é hábito, os livros de Patrícia Reis leem-se rápida e facilmente. O que não quer dizer que, por vezes, não fiquem a remoer-se. Embora, creia que não seja o caso deste Amor em segunda mão. O porquê do título é simples: as relações e experiências amorosas retratadas revelam que o amor raramente é uma primeira conquista. Por vezes, só depois de um amor falhado ou incumprido, se pode e se aprende a amar comme il faut. Or as you like it.
Este romance apresenta-nos, como a Patrícia também já nos habituou, um mosaico de personagens, dos quais nos é dada uma primeira perspectiva. Como se de um lado de um cubo mágico se tratasse. Uma perspectiva supercficial e escassa. Segue-se uma segunda perspectiva, digamos que de uma lateral do cubo, mas ainda insuficiente. Porque se, por um lado nos justifica a escolha do título, por outro ainda nos deixa perante muitas perguntas sem reposta sobre este mosaico de personagens, todas com algum tipo de ligação entre si. E aqui, e a grande surpresa do livro, é que este nos leva, por último, ao passado das personagens, dando-nos algumas chaves de compreensão do seu presente e das suas escolhas. Como se pudéssemos ver um qualquer lado posterior do cubo. Uma terceira dimensão. Que uma vez mais não nos diz tudo, mas responde a muito. E se alguma coisa falta, o que não me parece, pois é exatamente a parte dos livros da Patrícia que nos fica a remoer, é como gostaríamos de aceder ainda ao intrincado interior do cubo, à estrutura onde se conjugam possibilidades e condicionantes. Mas isso talvez esteja apenas na mente da autora ou seja pana para outros textos.
Editora: Dom Quixote | Colecção: Autores de lingua portuguesa | Local: Lisboa | Edição/Ano: 1ª 2006 | Impressão: Guide Ag | Págs.: 186 | Capa: Atelier Henrique Cayatte, sobre pintura The Lovers, de René Magritte| ISBN: 972-20-2968-1 | DL: 237090/06 | Localização: BLX PG 82P-31/REI (80141596)

quarta-feira, 31 de janeiro de 2018

Leituras nos Transportes Públicos: Balanço 2017

Eu sou uma leitora de transportes públicos. É deste modo que rentabilizo grande parte cerca de 2h30/3h diárias que despendo nos trajectos casa/trabalho/casa. Poderia fazer outra coisa, pois podia, mas não era a mesma cosia!
Tal como eu, muitas pessoas se dedicam igualmente às suas leituras. Por vezes, consigo perceber o que estão a ler, na maioria não. E, a grande maioria das vezes, estou mesmo tão embrenhada na minha leitura, que nem percebo se alguém em meu redor também está a ler. Mas, quando percebo, e quando consigo perceber o título em questão, faço um pequeno apontamento. É desses apontamentos que resultam as publicações denominadas Leituras nos transportes Públicos que aqui deixo mensalmente. Mas, apesar desse registo ser apenas uma amostra reduzida, permite-me fazer algumas reflexões. A primeira, já aqui deixei anteriormente, é que esta leitura é feita sobretudo por mulheres. Em 2017, consegui sistematizar um pouco mais a minha observação, e os resultados, em termos de autores e títulos lidos, a que cheguei foram:
·         os autores portugueses mais lidos são José Saramago e José Rodrigues dos Santos, sendo os títulos lidos variados. Embora do JRS haja a predominância sempre do mais recente.
·         quanto aos autores estrangeiros, a predominância vai para Ken Follett, Haruki Murakami, Sveva Casati Modigani, Nicholas Sparks e Lesley Pearse, todos com títulos variados. O único autor cujo o título é mais constante é Juan Carlos Zafon com A sombra do vento.

Como já referi, esta amostra é muito reduzida e, valendo o que vale, não reflecte, claro, todos os hábitos. Para mim, vale como observação e como uma forma de perceber como algumas modas ou novos títulos se integram nas leituras dos portugueses, como, por exemplo, a tendência Elena Ferrante nos meses de verão e a curiosidade sobre o Sapiens e o Homo Deus de Yuval Noah Harari nos últimos meses.

Leituras nos Transportes Públicos: #18.01

Janeiro
1
9
Conexões
10
Para lá do inverno, Isabel Allende
11
Sapiens,de Yuval Noah Harari
12
Ferney, james long

Jardins da lua, steven erikson
13
No meu peito não cabem pássaros, Nuno Camarneiro
18
24
A construção do Vazio, Patrícia Reis
25
Os pecados da mãe, Danielle Steel

A visita da velha senhora, Friedrich Dürrenmatt

A amiga genial, Elena Ferrante
26
Ready player one, Ernest Cline

O caminho imperfeito, José Luís Peixoto
29
Sonho de cetim, Loretta Chase

30
Kafka à beira Mar, Haruki Murakami
31
Manobras de Guerrilha, Bruno Vieira Amaral