segunda-feira, 20 de novembro de 2017

Os livros das nossas vidas, Mendo Henriques e Natália Barros

Quem escreve quer falar com alguém, quer narrar uma história, um acontecimento, uma descoberta, uma ideia, uma ironia, uma dor, nm que seja consigo próprio. O processo pode ser solitário, mas é sempre busca de relação, espécie de oferenda, e entrega aos outros.” (p. 179)
Sabem aqueles livros que gostariamos de ter escrito? Este é um deles. Não por falar de livros, o que à partida era meio caminho andado. Mas pelo modo como estes nos são apresentados. Os autores defendem que a leitura de livros, na sua imensidão de géneros e autores, deve, como qualquer dieta alimentar, ser variada e equilibrada.
Como “somos o que lemos” (p. 18), devemos equilibrar leituras e ler com frequência. Segue-se uma interessante analogia entre os diferentes géneros literários e as nossas necessidades alimentares, não esquecendo que a nossa dieta não deve esquecer que “tudo depende do que nos queremos apropriar. (…) os modos dependem dos propósitos (…) distrair, aprender, decorar, desfrutar, recordar, comparar.” (p. 24)
Depois... depois há o modo (aparentemente) simples, sucinto e apelativo como tudo nos é apresentado: os livres marcantes da humanidade, o porquê da sua importância, o impacto que provocaram (e continuam a provocar). De tal modo, que este livro funciona como um aperitivo que nos abre o apetite para iniciar livros que à partida não fariam parte da nossa dieta, contribuindo assim para a nossa qualidade de vida e para a nossa maior visão do mundo e das suas subtilizas.
Mas mais do lerem sobre o livro, leiam-no. Será tempo bem investido!

Editora: Objectiva | Colecção: olá, consciência | Local: Lisboa | Edição/Ano: 1ª, Maio 2016 | Impressão: Printer Portuguesa | Págs.: 190 | Capa: Panóplia ® | ISBN: 978-989-665-056-8 | DL: 409542/16 | Localização: BLX PG 028/MEN (80378263)

O que escrevemos não muda quem o lê, muda quem o escreve

Todos gostamos da ideia de que, quando decidimos partilhar os nossos escritos, poderemos influenciar ou mudar a opinião de alguém sobre um tema. Mas essa consequência é muito mais rara do que julgamos. Ainda assim, não devemos menosprezar essa raridade. Afinal, é especial.
O poder transformador da escrita não é exterior, é interior. Quem o pratica, ao delinear ideias, argumentos, palavras, vê-se confrontado com as suas limitações, incompreensões e preconceitos. Através da escrita (e da sua (re)leitura) conseguimos colocar-nos num lugar suficientemente distante para nos observarmos, como fariamos a outra pessoa. O que vemos nem sempre é apaziguador. É uma experiência extra-sensorial ou corpórea, que pode ser aterradora. Mas a vantagens de enfrentarmos os nossos terrores é a perspectiva de os ultrapassar.

Não sei quantificar todos os momentos em que me percebi diferente depois de escrever um texto. Mas consigo identificar alguns desses momentos cruciais. Gostaria de constactar que estes resultaram numa maior compreensão do outro, numa maior capacidade de aceitação e tolerância. Sim, quero pensar que sim... mas o certo é que me obrigaram a olhar para partes de mim que desconhecia e muitas delas tenho até pudor em admitir. Escrever transforma-me. Qual a abrangência ou impacto dessa transformação, só o futuro o dirá. O certo é que o futuro começa hoje...

domingo, 19 de novembro de 2017

Táctica estética ou estava difícil, Tiago Gomes

Segue-se uma estética
para chegar ao íntimo das coisas
e sugar-lhes o sumo
ou antes, o néctar,
ou melhor, o licor,
quero dizer, o elixir,
isto é, a essência,
porra, a poesia.

Erotica, Blommers Niels Schumm

sábado, 18 de novembro de 2017

Os editores apostam na promoção da leitura?

Assisti, esta semana, à iniciativa “O que vamos ler em 2018? Receitas para leitores atentos?”, promovida pela Associação Nacional de Farmácias e que decorreu no, muito interessante, Museu da Farmácia, no Largo do Calhariz. Além de uma apresentação de sugestões de leitura, o encontro foi antecedido por um debate moderado por Luís Caetano (quando for grande quero ter esta capacidade de expressão, de articulação, de timming), sobre a edição, entre diversos editores nacionais, a saber: Diogo Madre Deus, pela Cavalo de Ferro; Mª do rosário Pedreira, pela Leya; Manuel Alberto Valente, pela Porto Editora; Francisco Vale, pela Relógio d’água; e Barbara Bulhosa, pela Tinta da china.
Como seria de esperar, foram abordadas questões como o mercado da edição, as experiências e apostas de cada editor, os hábitos de leituras nacionais, as perspectivas de futuro… bem o habitual. E não é que o habitual não tenha importância. Tem.
A minha questão é: porque é que nunca vejo um debate entre editores que aborde a questão da promoção da leitura? Ou seja, falam sempre dos (baixos) hábitos da leitura dos portugueses e das perspectivas poucos animadoras para o futuro devido à cada vez maior abrangência das tecnologias no nosso quotidiano. De quando a quando vem à baila a importância do Plano Nacional de Leitura e as incoerências e/ou incongruências. Mas o certo é que, até ao momento, nunca vi um editor que afirmasse algo do género: a nossa editora está a desenvolver um plano estratégico, em parceria com a instituição y, no sentido de apoiar iniciativas de promoção da leitura.
E não nos enganemos. As suas estratégias de promoção (comercial) do livro não são estratégias de promoção da leitura. São estratégias de mercado.
Porque é que nestes debates nunca vejo representadas as bibliotecas? Seja pelos seus responsáveis, seja pelos seus técnicos. Aqueles que quotidianamente fazem um trabalho sistemático de promoção do livro, da leitura e das literacias e que tem perspectivas diferentes sobre os hábitos de leitura dos portugueses. Na prática, e em última análise, os editores ganham, ainda que a longo prazo, com o nosso esforço, empenho e dedicação. Mas raramente os vejo ter uma palavra de apreço. Esquecem-se que se têm o público que têm, o devem muito a nós. Esquecem-se que, se o nosso trabalho cessar repentinamente, são eles que mais perdem a curto prazo. Mas a longo prazo, perde toda uma sociedade. E isso sim, é uma perspectiva negativa de futuro.

Então e que tal partilhar esforços e responsabilidades na criação de hábitos de leitura para o futuro? Pensem nisso, senhores editores… Agradeço!

Foto de Museu da Farmácia.

sexta-feira, 17 de novembro de 2017

Dez Anos Depois, Liane Moriarty

Esta foi uma leitura surpreendente, não por ser um livro excepcional, mas porque nos oferece uma história. Pura e simplesmente uma história. E por vezes, gostamos de ler apenas uma história. Sem tramas complexas, apenas o desenrolar do que seria o quotidiano de pessoas reais, se fossem personagens. Sem um discurso pretensioso, que os críticos por vezes consideram poético, apenas porque não há a coragem de admitir que é apenas confuso ou mal construido. Uma construção e conjugação de episódios eficaz, em consonância com o desenvolvimento intencional e emocional dos personagens. Ou seja, é um produto da escola anglo-saxónica de escrita criativa bem conseguido. E isso não é demérito nenhum. Tomara muitos escritores (e aspirantes) dominarem deste modo os diversos recursos estilos de modo a materializarem as suas narrativas. Poderia ainda ser ter um estilo mais profundo. Sim, poderia. Mas não menosprezemos este tipo de história e tiremos as devidas lições.
Sobre a história -muito cinematográfica - propriamente dita, relata a experiência de mulher que, após uma queda, perde a memória dos últimos 10 anos. Há medida que se apercebe da sua nova realidade, e que a sua atualidade nada tem a ver com as memórias que realmente possui, vai colocando em perspectiva algumas das suas opções e relações, o que contribui para um novo e inesperado crescimento individual. No final, comm il faut, tudo acaba bem. 

de profundis amamus, Mário Cesariny

Ruminant Reserve
Ontem
às onze
fumaste
um cigarro
encontrei-te
sentado
ficámos para perder
todos os teus eléctricos
os meus
estavam perdidos
por natureza própria

Andámos
dez quilómetros
a pé
ninguém nos viu passar
excepto
claro
os porteiros
é da natureza das coisas
ser-se visto
pelos porteiros

Olha
como só tu sabes olhar
a rua    os costumes

O Público
o vinco das tuas calças
está cheio de frio
e há quatro mil pessoas interessadas
nisso

Não faz mal    abracem-me
os teus olhos
de extremo a extremo azuis
vai ser assim durante muito tempo
decorrerão muitos séculos antes de nós
mas não te importes
não te importes
muito
nós só temos a ver
com o presente
perfeito
corsários de olhos de gato intransponível
maravilhados    maravilhosos    únicos
nem pretérito nem futuro tem
o estranho verbo nosso

quinta-feira, 16 de novembro de 2017

Uma abelha na chuva, Carlos de Oliveira

A abelha foi apanhada pela chuva: vergastadas, impulsos, fios do aguaceiro a enredá-la, golpes de vento a ferirem-lhe o voo. Deu com as asas em terra e uma bátega mais forte espezinhou-a. Arrastou-se no saibro, debateu-se ainda, mas a voragem acabou por levá-la com as folhas mortas.” (p. 153)
há livros e autores que, quando finalmente os conhecemos, nos questionamos: porque é que perdi tanto tempo até descobrir esta pequena maravilha? Em última análise, estivemos a preparar-nos para conseguir apreender toda a sua grandeza, dentro da sua ínfima singeleza.
Este é o meu sentimento ao concluir esta leitura. Uma história que, de tão simples, nos poderia suscitar indiferença. No entanto, o seu leque de personagens variadas, mas todas reféns das tramas impossibilitantes impostas por uma vida sem perspectivas ou exterminadas pelos danos colaterais de acções terceiras. São todas pequenas abelhas apanhadas na torrente da chuva, perante a qual não têm qualquer hipótese de combate ou sobrevivência.
Silvestre e a culpa destrutiva, Mª dos Pazeres mas sem paixão, Leopoldino catalizador ausente, Abel temente e talvez pecador, Violante irmã suspeita, Neto missionário a ser, claúdia mulher a não ser, Jacinto sonhador podado, Clara amada fatal, velho oleiro cego manipulado, Marcelo ordenado passivo. Colmeia que apenas pode aspirar à sobrevivências aos dias.

Editora: círculo de Leitores | Colecção: Obras completas | Local: Mem Martins | Edição/Ano: Dez, 2000 | Impressão: Printer Portuguesa | Págs.: 754 | Capa: Mário Caeiro | ISBN: 972-42-2411-2 | DL: 156874/00 | Localização: … (…)

quarta-feira, 15 de novembro de 2017

Ainda sobre o modo como a minha escrita se alterou...

Até recentemente, sentia necessidade de publicar aqui, na blogosfera, tudo o que escrevia. No entanto, percebi que não me era benéfica tamanha exposição. Senti necessidade de selecionar o que pretendia mostrar. Para tal, foi necessário perceber o que pretendia, actualmente, com esta plataforma. A conclusão é que, neste momento, pretendo que esta seja uma plataforma de sistematização e de divulgação profissional. Só assim, consegui começar a deixar alguns registos na gaveta. Ou porque são demasiado pessoais. Ou porque são tentativas ficcionais, que ainda necessitam de desenvolvimento. São textos com outros potenciais que se perderiam no nada se fossem aqui publicados pela metade ou pelo génese.

Não sei ainda que destino terão estes textos embrionários. É certo que gostaria de começar a participar noutros registos e noutras plataformas de divulgação. Alguns textos poderão ter esse destino. Nem todos. Alguns necessitam de maior maturação e o seu futuro é ainda demasiado incerto. É demasiado cedo para ganharem assas e se afastarem de mim… 


terça-feira, 14 de novembro de 2017

cadastro

Nome: Simplesmente Adelaide, como poderia ter sido Lucinda ou Piedade Jacinta
Idade: tristemente a querer permanecer na infância
Naturalidade: estupidamente ingénua
Nacionalidade: convencionada
Profissão: a evitar o desemprego e iludida entre as páginas dos livros
Religião: indecisa e descrente em omnisciências e omnipresenças
Política: céptico-hipócrita

Motivações: sobreviver à voragem da chuva 

Sally Nixon

segunda-feira, 13 de novembro de 2017

Comunidades de Leitores em Livrarias

Esta semana, chegou-me a informação que a Leya Bucholz vai voltar a albergar uma Comunidade de Leitores, depois de um interregno de aproximada mente um ano. Anteriormente, era dinamizada por Ricardo Duarte, que abraçou um projecto profissional que o levou a cessar a organização da mesma. Agora, será dinamizada por Filipa Melo e terá características semelhantes: período de debate entre os participantes, seguido de encontro com o escritor. A primeira sessão será com Mia Couto, no dia 28 de Novembro, das 19h às 21h, e terá por tema a sua mais recente obra O Bebedor de Horizontes, último volume da trilogia As Areias do imperador. A participação é feita mediante inscrição e inclui um pagamento de 13€, que, até ao momento, e nesta nova vida, não sei exactamente o que abrange.
Mas esta não é a única livraria que, em Lisboa, oferece este tipo de iniciativa. Torna-se cada vez mais óbvio para estes espaços que a sua oferta de serviços tem de passar não só pela dinamização dos seus espaços, como pela criação de laços com os seus putativos e reais clientes. Ou seja, o serviço já não passa pela mera venda de um produto ou bem cultural, este passa por um apoio ao cliente que vise a sua fidelização pela capacidade de uma oferta diferenciada e a diversos níveis de exigência. As Comunidades de Leitores são uma possibilidade, que nos seus diversos formatos, podem ser uma ferramenta eficaz nesta abrangência de oferta.
Então, e quais são as outras ofertas disponiveis actualmente em Lisboa? As livrarias Almedina e Bertand há muito que disponibilizam esta oferta, com uma variedade que exige a consulta das suas páginas on line, que poderá fazer clicando nas palavras. Estas livrarias pertencem a grupos editoriais e têm é claro uma maior disponibilidade financeira par apostar na dinamização dos seus espaços comerciais. Mas existem outros espaços como a Fábula Urbis, junto à Sé, a Leituria, a Tigre de Papel, em Arroios, e a Ler, em Campo de Ourique. Relativamente a esta últimas, a Comunidade da Tigre é dinamizada por Rita Oliveira Dias, enquanto a da Ler é dinamizada pela também escritora Cristina Drios, cujo trabalho já tive o prazer de conhecer e de que sou apreciadora.

O propósito deste texto é apenas dar a conhecer mais algumas das opções de comunidades de leitores existentes em Lisboa. Convém esclarecer que não conheço ainda muitos destes espaços, nem os seus dinamizadores. Não por uma questão de (falta de) vontade, mas apenas por questões de agenda pessoal. Não há igualmente qualquer tipo de interesse comercial da minha parte na sua divulgação destes espaços. Mas, a seu tempo, gostaria de deixar aqui mais informações sobre a dinâmica destes espaços. Creio que só temos a ganhar em saber como os outros dinamizam, para dinamizarmos melhor. 
@ Inoffensive 

domingo, 12 de novembro de 2017

Nos últimos tempos, tenho assistido a diversos eventos e actividades, cujo lastro nem sempre me é fácil concretizar e de transformar em palavras para aqui registar. Na minha obsessão por deixar aqui as minhas impressões, sinto-me muitas vezes engolida pela multiplicidade e contrariedade entre as mesmas. O que me impede de ordenar seja o que for em palavras ou num discurso coerente e claro. Talvez necessite de mais tempo para que as mesmas sedimentem e amadureçam antes de se materializarem em palavras. Ainda assim, necessito de iniciar um registo. Uma elencagem. Talvez o primeiro passo para que as palavras que dão corpo aos pensamentos se ordenem.
  • Festa do Livro Amadora (15 a 18/09, Amadora)
  • Dia Europeu das Línguas (23/09, Palácio Galveias)
  • Mulheres nas Artes: Percursos de desobediência (16/10, Gulbenkian)
  • 10x10. Ensaios entre Arte e Educação (28/10, Gulbenkian)

Entre outros... Ufa...

quinta-feira, 9 de novembro de 2017

Pinoy Stitch

Lembrem-se,
o que escrevo (não) é uma referência à pessoa que julgam ser.
Se se identificam nestas linhas,
não é por vós que escrevo.
É pelo meu interesse dramático. 

quarta-feira, 8 de novembro de 2017

Vida SMART ou simplesmente irónica?

A partir de determinado momento nas nossas vidas, incutem-nos que devemos definir objectivos para quase todas as áreas da mesma. Estes devem ser SMART (anagrama inglês para eSpecificos, Mensuráveis, Atingiveis, Realistas e definidos no Tempo).
Mas a vida, no seu decorrer, é tudo menos SMART e no máximo é de uma ironia atroz! Caracterizada por uma teia complexa de relações e consequências de actos próprios e alheios. Nem tudo é quantificável, apenas inqualificável. Os nossos parametros e critérios alteram-se a cada (grande) mudança no nosso percurso. O tempo cura e é rápido na alegria, detendo-se vagarosamente na dor. Sabemos lá nós executar o sonho, sonho que é por definição longínquo e difícil de alcançar. Apenas podemos colocar-nos a caminho.
Posto isto, há objectivos cujo cumprimento é o desafio de uma vida inteira: manter a capacidade de deslumbramento; não nos deixarmos abater pelas rasteiras do caminho, manter uma certa candura; manter a crença de que há impossíveis possíveis; que o amor impele a saltar barreiras salvando-nos em conjunto.

É fácil tornarmo-nos cínicos, cépticos, descrentes ao longo do caminho. O difícil é manter uma certa infância dentro de nós. Isso é um propósito para a vida inteira.

Samantha Lee

terça-feira, 7 de novembro de 2017

Sugestões de livros para Comunidades de Leitores: sobre o fascínio da pintura

Seguindo o desafio de listar sugestões concretas para exploração em sessões de comunidade de leitores, desta feita o tema é o fascínio que pintura exerce nos autores. Além destes, há muitos mais títulos que podem ser explorado, é claro. Mas deixo-vos os  fazem parte do meu património de leituras e com os quais já me cruzei.

Há primeira vista, estamos perante um mistério policial. Mas, depois das primeiras páginas, percebemos que não estamos perante este tipo clássico de história. Estamos, na verdade, perante 4 histórias de indivíduos em busca da redenção que se dividem em dois planos temporais, Itália da década de 80 e Itália do início do século 17. E em cada história encontramos o individuo na sua batalha pela beleza através da criação artística; como nele convivem o bem e o mal e como o mal não é necessariamente intrínseco, mas consequência inerente das suas escolhas; como o vazio é também um elemento (incontornável) da vida; e que para alguns homens o reequilíbrio só se estabelece através da morte.

E este foi mais um capítulo na vida das personagens Jaime Ramos e Isaltino de Jesus e fornece uma maior viagem ao passado de Ramos. É um policial em que poucos ou nenhuns pormenores são revelados e que nos permite também uma incursão por terras brasileiras – ou não fosse esta outra paixão do autor – e pela sua pintura. Para quem viu há uns anos a série Um Só Coração alguns destes pintores brasileiros que se seguem não são novidade, mas aqui ficam: Tarsila do Amaral - Llasar segall - Ismael nery - Vicente do Rego Monteiro - António Gomide - Victor Brecheret - John Graz - Cicero Dias - Di Cavalcanti - Candido Portinari- Anita Malfatti

Manual de Pintura e Caligrafia, José Saramago
«O Manual de Pintura e Caligrafia é uma obra ímpar no género da literatura autobiográfica entre nós e oferece-nos, no seu conjunto, um semental de ideias e uma carta de rumos da ficção de José Saramago até à data.Nele se fundem as escritas de uma complexa e rica tradição literária e a experiência de um tempo vivido nos logros do quotidiano e das vicissitudes da história, que será a substância da própria arte.» Luís de Sousa Rebelo (in www.josesaramago.org)

A rapariga do brinco de pérola, Tracy Chavalier
Holanda, 1665. Depois do pai ficar cego na sequência de uma explosão, Griet, uma jovem de 17 anos, é obrigada a trabalhar para ajudar a família. Torna-se então criada na casa do pintor Johannes Vermeer. Vermeer é um perfeccionista, que demora meses a terminar os seus quadros. Gradualmente, Griet torna-se a sua inspiração, a sua musa. Essa inspiração dará origem a um dos mais belos quadros do grande mestre holandês, a "Rapariga com brinco de pérola", mas também a inúmeras perturbações familiares (Vermeer era casado) e pessoais. (in cinecartaz.publico.pt)


Na escrita de Perez-Reverte reúnem-se vários elementos como o thriller, a literatura e a arte. Em a Tábua junta-se a estes a lógica e a estratégia do xadrez. Tem como protagonista Júlia, uma jovem restauradora de arte cujo mais recente trabalho é restaurar A Partida de Xadrez do pintor flamengo Pieter van Huys. Ao tratar do quadro descobre nele uma inscrição que leva à investigação de um crime cometido cerca de 500 anos antes e envolvendo os protagonistas do quadro. É um enredo interessante que nos permite passear um pouco pelas obras dos mestres flamengos e também nos dá vontade de conhecer melhor o xadrez, o elemento fundamental na resolução de todos os crimes da trama.