quinta-feira, 11 de agosto de 2016

Estou quase a entrar de férias, para as quais não tenho exactamente um plano muito definido, embora tenha várias intenções. No entanto, ao contabiliza-las, percebi que, se as cumprir todas, afinal tenho as férias já preenchidas. A ver vamos como a coisa corre! 

quarta-feira, 10 de agosto de 2016

101 a 103

Onde comecei e onde hoje me encontro não parecem ter qualquer relação. Mas sem o primeiro, não estaria aqui. Sem ter perdido muito do que julgava garantido – e até monótono – não teria feito este percurso que julgava quase impossível, quer por medo do desconhecido, quer por um estúpido sentimento de imerecimento. Hoje, conheço-me melhor. Sei quais são as minhas zonas de conforto e sei também que estas se transformaram e que não serão as mesmas no futuro. Hoje, sei que os small steps são a minha forma de progredir… 
afinal, a tartaruga chega sempre mais longe que qualquer outro animal…

quinta-feira, 4 de agosto de 2016

Speaking english, on a portuguese public library

As a worker in Lisbon, I know a tourist might pop up during the comunting and ask a multitude of information, mainly directions. It’s a given fact.
The place where I didn’t expect to speak english was my own work place: a public library. But, the fact is that almost everyday I have to do it. Surprised? I am. Or, I was…
I expected to use my skills and kownledge in portuguese and literature, and I felt the need to improve my informatic and information research skills. It seemed obvious and somewhat plain.
But a year gone by, this perception has changed. Lisbon is being conquered by foreigns, not only as tourists, but also by people who chose this amasing city to spend their lives… at least for a while! So, among these foreigners there are many public libraries costumers.
What are their needs? First, lets take a look at what they are. They are European Service Volunteers, they are Erasmus, post graduate and doctoring students,  they are professionals looking for a place in the market, they are people fleeing from less fortunate political countries… they are so diverse and they chose us to be their neighbours for the next period of time.
So, as costumers, their main need is… portuguese learning! So, after all, I do have to use my skills and kownledge in portuguese… i just have to convey it in english!

PS: Please, don't mind grammatical and vocabular mistakes. My english is a bit rusty... :)

domingo, 31 de julho de 2016

Contracorpo, Patrícia Reis

“Por mais que faça, há sempre qualquer coisa que não se ajusta, como uma peça com defeito, fazse um esforço paras a encaixar e não é possível. Eu sou essa peça. Outras vezes sou a pessoa que tenta colocar a peça. Depende.” p. 169
Aos 40 e picos, Francisco morre súbita e inesperadamente. Deixa viuva Maria, com dois filhos ainda criança. Com a ajuda da família, Maria, guerreira como todas as mulheres, assume os desafios do quotidiano e da criação dos filhos. Mas, seis anos depois, Pedro, o filho mais velho, está na adolescência, e estabelece-se entre os dois um confronto, e nenhum tem a aparente sabedoria para o resolver.
Há livros que inesperadamente nos falam muito ao coração e aos momentos que a nossa vida atravessa. Este foi um deles. Porque fala de adolescência, porque fala de luto, porque fala de como, em família, tentamos ultrapassar as adversidades, conciliando as nossas diferenças, de ontem, de hoje e para sempre. E, exactamente porque me identifiquei com algumas destas experiências e conheço algumas destas personagens, não vou tecer grandes comentários. Sugiro apenas a leitura do mesmo, esperando (ou não) que outros retirem da sua leitura o que mais os serenar.

Editora: D. Quixote | Local: Alfragide | Edição: 1 | Ano: 2013, Março | Impressão: Rolo Filhos II, SA| Págs.: 215 | Capa: Rui Garrido | ISBN: 978-972-20-5165-1| DL: 354304/13 | Localização: BLX Corucheus ROM ROMPOR REI (80314244)

segunda-feira, 25 de julho de 2016

Perder Teorias, Enrique Vila-Matas

 “… sabia que a literatura é uma invenção essencial dos homens? (…) Na realidade, é a criação mais valiosa da humanidade na sua tentativa de se entender a si mesmo.” p. 19
Cheguei a este pequeno livro através das sugestões do grupo do O que andamos a Ler? do Facebook, onde vou partilhando algumas leituras e alguns, escassos, registos sobre as mesmas. O que mais me chamou a atenção foi o título, Perder Teorias, e porquê? Embora nos estudos literários não possamos escapar às teorias, aos géneros, à tentativas de catalogar e esmiuçar a obra literária, considero que no momento da leitura, aquele momento de partilha íntima entre nós e o conteúdo do livro, as teorias são indiferentes. Em última análise, temos de ser nós e ele e o diálogo resultante entre ambos, sem expectativas ou imposições exteriores. Mais do que teorizar, temos de nos permitir sentir a obra, para que qualquer eventual poder transformador da mesma possa actuar. Pelo menos, assim deveria ser.
Perder Teorias relata-nos o processo de espera do narrador, quiçá Vila-MAtas, enquanto aguarda que um representante da organização que o convidou para uma palestra na cidade francesa de Lyon o contacte com pormenores sobre o evento e a sua participação no mesmo. Como o contacto tarda, o narrador predispõe-se, a partir de uma reflexão sobre a obra de Julien Gracq - cujo trabalho desconheço, mas que entretanto acrescentei às minhas intenções de leitura futuras – a escrever uma teoria geral do romance, estipulando aspectos que considera irrenunciáveis ao romance contemporâneo. A saber: a “intertextualidade”; as ligações com a grande poesia; a escrita vista como um relógio que avança; a vitória do estilo sobre a trama; e a consciência de uma paisagem moral nociva. Paralelamente, apresenta o romance como reflexo ou tentativa de compreensão da vida e se “interroga acerca do sentido da espera nessa longa espera que é a vida.” (p. 9)
Em jeito de conclusão, é um pequeno volume, de fácil leitura, que recomendo pela viagem simultaneamente simples e acessivel, com hipóteses e sugestões para aprofundar outras leituras, por alguns dos conceitos que norteiam a literatura e pela defesa de que para se escrever um romance há que deixar fora as teorias e passar à acção, ou seja, à sua escrita: “escrever directamente um romance, é um método muito directo de fazer teoria.” (p. 31)
Tradução: Jorge Fallorca | Editora: Teodolito (Edições Afrontamento) | Edição: 1ª | Ano: 2011, Setembro | Impressão: Rainho & Neves, Lda.| Págs.: 8 | ISBN: 978-989-97474-0-1 | DL: 332924/11 | Localização: BLX DMF 82-31/VIL (80336801)

sexta-feira, 22 de julho de 2016

Objectivos de leitura

Muitos dos meus objectivos (103/1003) são relacionados com a leitura. A sua quantificação não tem necessariamente a ver o número de livros per si, mas com a diversidade de autores e temas que sinto necessidade de conhecer, para poder prestar um serviço profissional que considere ser de qualidade.
Enquanto leitora, não sou de pedir sugestões de leitura, porque já há uma imensidão de opções e a consciência de que não lerei, nem de longe, nem de perto, o que desejo ou o que seria desejável. Já enquanto profissional, a exercer funções numa biblioteca, entre as quais a dinamização de actividades de promoção da leitura e la literacia, para diversas faixas etárias, tenho de ter noções amplas do trabalho de escritores, estilos, temas recorrentes, movimentos, épocas, etc.
Dai a grande diversidade de objectivos de leitura que tracei e vou traçando, adaptando ao evoluir das circunstâncias e dos desafios. Mas se tivesse de resumir estes num único, direi que estes são o meio para #35. Tornar-me uma profissional de referência na área das comunidades de leitores/clubes de leitura. Consequentemente, as leituras, a que me dedico diariamente, são pequenos passos para dar consistência e atingir esse grande objectivo.

Poderá, aos olhos de muita gente, ser um objectivo demasiado ambicioso e/ou arrogante. Afinal, já há tão bons profissionais nessa área. Mas também não faz mal haver mais um, pois não? E como todos nós necessitamos de ambição e até uma certa arrogância, no sentido de uma crença absoluta nas nossas capacidades para lá chegarmos, porque não? Bora lá, eu vou...
Intenções de leitura até final de Setembro.

quinta-feira, 21 de julho de 2016

#40.01 @ 103/1003: Literatura Policial


Um dos meus objectivos é diversificar os meus conhecimentos sobre autores, temáticas e géneros literários. Hoje, termina uma dessas etapas. Com direito a cartão do inspector Jaime Ramos.

A Sala Magenta, Mário de Carvalho

A minha primeira incursão na escrita de Mário de Carvalho data de hás uns cerca (ou mais de) 1 anos, com a peça “Se perguntarem por mim, não estou”. Sem entrar em pormenores da história, esta era pautada pela análise acutilante da sociedade , servida com uma ironia impiedosa.
Essas características são transversais nesta nova narrativa. E sobre o que versa? Em jeito de flashback, seguimos a vida de um homem, que ao convalescer-se de um assalto, percebe falhou em toda a linha e que não há volta a dar, mas também não há qualquer saída, nem sequer a de um fundo de copo de whisky. É um relato lento das opções erradas ou, sobretudo, das não opções que o levam a ter de aceitar a ajuda da irmã, incapaz ela própria de arriscar viver além do filho e de uma ligeira vida social no interior alentejano.
É uma quase história, de uma quase vida, infelizmente tão igual a tantas vidas em nosso redor.

Editora: Caminho | Colecção: O Campo da Palavra | Ano: 2008, Janeiro | Impressão: Eigal | Págs.: 175 | ISBN: 978-972-21-1965-8 | DL: 269156/07 | Localização: BLX Camões 82P-31/CAR (80254208)

quarta-feira, 20 de julho de 2016

Ah, é sobre a condição humana!

Esta é a pior frase que me podem dizer como apreciação de um livro. Porquê? Porque toda a literatura versa sobre a con(tra)dição humana. Aliás, tal como muitas outras disciplinas do saber. Então, qual a diferença? A diferença está no seu ponto de vista.
Qual o ponto de vista da literatura? O homem, enquanto individuo, em confronto consigo, com o(s) outro(s), com o que o rodeia. Os seus sonhos, as suas angústias, as suas dúvidas, as suas ansiedades, as suas aspirações. O individuo que não se enquadra necessariamente em nenhuma das gavetas do conhecimento ou se divide por imensas e, como tal, nenhuma delas pode dar conta da sua diversidade ou amplitude total.

Então, dentro da óbvia con(tra)dição humana, que transversalidade é abordada, que questões são reflectidas, a que ansiedades do futuro se procuram dar respostas. É isso que me intriga e me motiva na literatura. E fico triste quando não a atinjo e fico triste quando outros não a atingem.

terça-feira, 19 de julho de 2016

A Felicidade de Perseguir os Seus Sonhos, Chris Guillebeau

Desde a leitura do livro Chega de Desculpas, de Wayne W. Dyer, há pouco mais de dois anos, que procuro ler com alguma regularidade algum livro na área do desenvolvimento pessoal, uma vez que, manifestamente, me fazem olhar para o meu percurso de vida, analisar determinadas situações, perceber comportamentos e gradualmente tomar medidas para melhorar e evitar cair novamente em certos erros. Consequentemente, sinto que embora não tenha mudado radicalmente, no entanto, também já não sou exactamente a mesma pessoa. E se foi um determinado acaso (será?) que me levou a esse livro, foi um novo acaso que me levou a este A Felicidade de Perseguir os seus sonhos (será também?)
Este livro relata nos diversas experiências de pessoas que deixaram as suas vidas, ditas normais, para empreender algum tipo de projecto cuja dimensão o transforma numa demanda que poucos terão a coragem de seguir. Ao comparar estas experiências, o autor procura encontrar paralelos e sintetizar alguns valores, comportamentos e atitudes de modo a que sejam compreensíveis e até acessíveis a outras pessoas, fornecendo igualmente uma série de informações e dicas para quem tem objectivos a longo prazo.
Esta foi uma leitura útil, não no sentido de me fornecer novas pistas e informações, mas no sentido de cimentar algumas conclusões e descobertas a que tinha chegado ao ponderar alguns dos meus objectivos e modo como os alcancei, os estou a perseguir e até os que começo a definir. Algumas destas aprendizagens poderão até ser óbvias para muitas pessoas, mas não o são necessariamente para todas e é sempre reconfortante perceber que o percurso que fazemos é também partilhado por outras pessoas. Ainda que em direcções diferentes.
Tradução: Luís Miguel Coutinho | Editora: Self Desenvolvimento Pessoal | Local: Parede | Edição: 1ª | Ano: 2014, Setembro | Impressão: Guide, A.G. | Págs.: 254 | Capa: Banian Design | ISBN: 978-989-98706-7-3 | DL: 379278/14 | Localização: BLX Itinerantes 159.923/GUI (80362843)
 Não sou perfeccionista comigo. Então porque dou por mim a ser (demasiado) exigente com os outros?
Sou uma pessoa que procura melhorar. Embora sinta, mais do que gostaria, que não consigo atingir essa melhoria. Mas, pelo menos, tento, esforço-me…
O problema é que quando não reconheço nos outros pelo menos essa intenção, não me consigo ligar a alguém. E se tem de haver algum tipo de convivência, por exemplo profissional, é-me complicado.
A questão que me coloco é: como é que eu melhoro junto de alguém que não faz qualquer questão em fazê-lo. É egoísmo, mas acredito que senão tentarmos ser um pouco melhor a cada dia, que nos resta? Porque é que haverei de pensar que os outros terão de partilhar desta mesma postura. Não têm, sei perfeitamente. Mas faz-me confusão não saber (re)agir junto destas pessoas. E o problema é meu, mas, lá está, quero melhorar e fazer com que deixe de me fazer confusão. Por isso, …

… aceitam-se sugestões de melhoria.

domingo, 17 de julho de 2016

PRINCÍPIOS, Nuno Júdice

Podíamos saber um pouco mais
da morte. Mas não seria isso que nos faria
ter vontade de morrer mais
depressa.
Podíamos saber um pouco mais
da vida. Talvez não precisássemos de viver
tanto, quando só o que é preciso é saber
que temos de viver.

Podíamos saber um pouco mais
do amor. Mas não seria isso que nos faria deixar
de amar ao saber exactamente o que é o amor, ou
amar mais ainda ao descobrir que, mesmo assim, nada
sabemos do amor.

Luca Granai

sábado, 16 de julho de 2016

Agora que aquele sonho, que parecia impossível, se cumpriu, como podemos afirmar, ou sequer acreditar, na impossibilidade dos sonhos?

domingo, 10 de julho de 2016

Confronto com a morte

Tudo o que sei sobre mortes aprendi na televisão. Desde as inócuas imagens de um corpo, geralmente de barriga para baixo, em Crime, disse Ela... até aos mais explícitos e macabros, e muito menos explicáveis, crimes de True Detective.
A televisão consegue preparar-nos para a Perpetração premeditada de uma morte. Mas não nos prepara para o confronto real com o resultado dessa morte: um cadáver. Não me refiro a um corpo arranjado num caixão para efeitos de despedida pública e início de um luto privado. Refiro-me a um corpo, ou ao que um dia foi um corpo, e hoje se parece não sei bem explicar, há falta de qualquer termo de comparação.
O primeiro impacto é o cheiro. No meu caso foi o cheiro. Algo entre fruta podre e fezes. De uma intensidade que parece entranhar-se nas narinas para ficar. E por muito tempo. De tal maneira que mais parece indescritível. Tão indescritível que não me passou pela cabeça que na sua origem estivesse um corpo em decomposição. O segundo impacto: a dessincronia entre o que sabemos que estamos a ver, mas que não queremos ou não sabemos acreditar. Depois, a lenta, lentíssima consciência de agir de modo a tomar as necessária medidas. É quando nos apercebemos que o aparentemente simples acto de ligar para o 112 se transforma numa tarefa hercúlea e que todas as formações e acções de primeiros socorros não nos valem nada quando a nossa mente não consegue responder a...

“112. Qual é a sua emergência?”