quarta-feira, 20 de junho de 2018

fui buscar mais uma cadeira para colocar à mesa das ausências


Estava a preparar-me para escrever um texto sobre os 20 anos que se completam este ano sobre a conclusão da minha licenciatura. Em especial, alguns momentos desse verão que perduram na minha memória.
Essa intenção caiu por terra com a notícia de que alguém partiu cedo demais. Inevitavelmente, a estes 20 anos acrescentaram-se mais uns 7 e recuei ao 10º ano. Foi nesse período que a Vanessa entrou nas nossas vidas. Na minha e da Carla e da Susana, cuja amizade leva uns anos de vantagem, mas não de importância. Criou-se então um pequeno grupo de 4 que apesar do tempo e da distância sempre se acompanhou, apoiou e foi reencontrando.
Como calculam, fiquei sem palavras e com o coração pequenino. Volto constantemente à memória de uns meses atrás, quando passámos um dia feliz em sua casa, numa alegre cavaqueira em família. Misturámos recordações, coscuvilhices, alguns projectos e expectativas e a promessa de um novo encontro. Claro que falhámos essa promessa. Ou não. Reencontramos-nos realmente, mas de forma totalmente indesejada.
Nestes dias senti necessidade de abrandar. E durante este abrandamento fui buscar mais uma cadeira para colocar à mesa das ausências. Não deveria ser já, não deveria ser deste modo. Mas a morte nada tem de justo, de merecido ou de justificável. É apenas assim. Inexplicável perante o nosso parco vocabulário. Talvez só mesmo Deus tenha os melhores à Sua mesa eterna. Sendo ela bastante crente, espero que assim seja.
Todos nós ficámos marcados pela sua presença e essa marca perdurará felizmente muito para além destes dias embaciados em que estamos todos a aprender a gerir a sua ausência. Agora, o meu pensamento vai para com a família Arruda, que terá de aprender a viver com a indentação irreparável da sua ausência física.

segunda-feira, 18 de junho de 2018

Reuniões de equipa: instrumentos eficazes, quando assim se quer...


Profissional e associativamente, já frequentei diversas formações cujo objectivo era dotar-nos de ferramentas para o desafio constante da comunicação, motivação e valorização da equipa. Normalmente, é nos solicitada a participação em exercícios que nos obrigam a sair da nossa zona de conforto e deste modo termos a experiência de estar na pele do outro. A determinado momento, este tipo de exercício, ainda que em contexto de formação, torna-se repetitivo, pois percebemos que no contexto quotidiano nem sempre faz sentido. Estes são realizados num ambiente artificial e idealizado de formação. No dia a dia, em que é necessário por vezes dar resposta a situações desconfortáveis torna-se contraproducente retirar alguém da sua zona de conforto
Ao longo dos anos e a cada experiência, passei a valorizar as reuniões regulares de trabalho como elemento de coesão mais eficaz do que os ditos exercícios praticados em contexto de formação. Estas são ferramentas que, bem utilizadas, são mais eficazes e menos intrusivas. Claro que há quem não tenha esta percepção e menospreze o valor coesivo, originando os habituais comentários: “fazem reuniões a mais”, “as reuniões não adiantam nada” e “não se faz nada do que se decide em reunião”, entre outras.
Ora bem, para fazer uma reunião produtiva, há que saber organiza-la e geri-la. Primeiro, há que saber o que quer de determinada reunião, qual o seu objectivo principal. É uma reunião para partilha de informação e experiências ou é para tomada de decisões? Quem modera, quem partilha a informação e quem toma as decisões? Há necessidade de reuniões de acompanhamento posterior? Quem fica responsável? O que se faz com a informação partilhada ou com as decisões tomadas? Que tarefas são necessárias realizar, que prioridade para as mesmas, quem as realiza? Tudo isto e muito mais, são temas de debate e resolução em sede de reunião. Quanto mais uma reunião for previamente organizada, mais resultados dai advirão e, eventualmente, menos necessidade de reunir extemporaneamente.
A verdade é que há muitas pessoas que não sabem ou não querem organizar devidamente uma reunião. A quem não sabe, sugiro tão simplesmente a utilização e adaptação da minuta de reunião do Word. Com a pratica, vão-se limando detalhes referentes às necessidades especificas da nossa organização e/ou projecto. Já para quem não quer, a questão torna-se mais complexa. Porque o problema maior de uma reunião bem estruturada e devidamente conduzida é que vai gerar resultados e, por vezes, a prossecução desses resultados só é desejável em papel. Na prática, obrigará a agir o que coloca determinadas pessoas perante a sua impotência hierárquica ou revelará a sua inadequação ao papel atribuído.
É complicado!
Daniel Rueda & Anna Devis

sexta-feira, 15 de junho de 2018

O ÚLTIMO DIA DO VERÃO, José Tolentino Mendonça

Foto de Nélia Mor.
Até sempre V. 

Pois às vezes me falta a quem contar
certo dia passado do princípio ao fim
o encanto que tenha realmente
a insistência do vento ao longo da Foz
aquilo que daria (e eu daria tudo) por compaixão

Nascemos e vivemos só algum tempo
não temos nada
não podemos mesmo na penumbra
decidir a atenção ou o esquecimento
as forças soçobram como vago motivos
em público
e em qualquer lugar

Por isso sei tão bem o valor
da natureza indiscutível dos teus olhos
onde a luz anota seus aspectos
teus olhos impacientes e irrealizáveis
que me acompanham
agora que sozinho danço
pela cidade vazia 

quinta-feira, 14 de junho de 2018

O futebol do nosso (des)contentamento


Hoje, inicia-se na Rússia mais uma demanda futebolística, cujo lastro dependerá do resultado alcançado pela equipa das quinas. Da minha parte, desejo que tudo corra pelo melhor e que a taça venha seja nossa. à parte disso, vou continuar a dedicar-me às minhas leituras, mesmo que de quando em quando vire os olhos para o ecrã de televisão. Porque se o coração não permite um visionamento completo, a curiosidade e o desejo permanecem.
Por cá, continuarão a ser-nos impingidos inenarráveis episódios da novela kafkiana que se instaurou no lado norte da 2ª circular. Alguém beneficiará com todo este imponderável enredo, apenas não consigo perceber quem. Sendo que a longo prazo, os custos para este emblemático clube serão demasiado caros e não serão de certo pagos por quem os provocou e continua a alimentar.
Não tenho qualquer clube, mas é com grande tristeza que vejo este continuo mau exemplo de tudo: caracter, profissionalismo, liderança, ética e tantos outros adjectivos que deviam nortear a acção de algumas destas figuras ditas públicas.
Lamentavelmente, os próximos tempos serão condicionados (apenas) pelo futebol. E a culpa é dos meios de comunicação, que conseguem, por exemplo, ter 5 canais televisivos a filmar em directo um avião parado no aeroporto de lisboa à espera de autorização para levantar voo por mais de 20 minutos. Entretanto , noutro ponto da europa, Fernando Pimenta ganhava mais uma medalha de ouro e essas imagens só consegui ver, nalguns canais, à hora de jantar.
Há mais vida para além do futebol, por isso vou continuar as minhas leituras…
Ainda assim, desejo boa demanda!

Campeonato do Mundo 2018 - Dia 1

terça-feira, 12 de junho de 2018

Português para Estrangeiros em 12 sessões

Até ao momento, cada ciclo de Português para Estrangeiros que estruturei é composto por 12 sessões, cujo esquema simplificado é o seguinte:
Datas
Temas
10/04
Apresentação
(Como te chamas? / Que idade tens?)
12/04
Alimentação & Horários
(Artigo definido, Singular/Plural, Masculino/Feminino)
17/04
Profissões
(Verbos Ser e Estar)
19/04
Corpo Humano e Saúde
(Verbos Ter e Sentir)
24/04
Pronúncia Portuguesa
---
26/04
Transportes Públicos
(Preposições e Verbos Viajar, Ir e Vir
03/05
Cultura Portuguesa: Frases Idiomáticas
(Construção de Frases)
08/05
O meu país é…
(Construção de frases, Adjectivos)
10/05
 Eu sou…
(Construção de frases, Adjectivos)
15/05
Experiências Profissionais
(Verbos no Pretérito)
17/05
Quando for grande, eu quero…
(Verbos no Futuro)
22/05
Vamos apenas conversar…
Apesar de simples, o meu esquema de trabalho não se fica por aqui. Consoante a dinâmica de cada grupo, ao redor destes temas principais associo mais 2 ou 3 subtemas. Não há uma fórmula certa para este desdobramento de temas, pois depende da resposta do grupo e do interesse, curiosidade ou dúvidas manifestados pelos seus elementos.
Apesar deste contributo para a comunidade, este nº de sessões sempre se revelou insuficiente, pois, quanto o grupo já está num determinado nível de domínio e à vontade com a língua, o ciclo termina. Até ao momento, não foi possível aumentar o nº de sessões disponibilizadas por ciclo, embora haja vontade para isso. Essa é uma das minhas intenções e estamos a estudar, em equipa, opções para o viabilizar após o verão. Estamos a encetar esforços nesse sentido, embora não o possamos confirmar. 

quarta-feira, 6 de junho de 2018

Em bibliotecas, trabalhamos muito em função do público escolar e acabamos por nos organizar em função do ritmo dos anos lectivos. Assim, em Junho, termina a maioria dos nossos ciclos de actividades, que retomam em Setembro, Outubro, consoante a disponibilidade de cada equipa e equipamento. Neste entretanto, avalia se o ano, ponderar se o que se manterá e eventualmente aumentará. Bem como o que cairá e o que é necessário acrescentar, para colmatar as solicitações do público.
Neste momento, a minha mente começa a borbulhar com as possibilidades que gostaria de explorar e o entusiasmo só esmorece quando, muito pragmaticamente, analisamos as nossas condicionantes. Não conseguimos fazer tudo o que gostaríamos e sentimos necessidade. A intenção só não é suficiente e a ela temos de agregar disponibilidades de tempo, de espaço e até de adequação do mesmo. E estabelecer as necessárias prioridades revela se um xadrez complexo, no qual é muito fácil colocarmos-nos em situações de xeque mate (bem, talvez a imagem seja exagerada, mas não desadequada).
Neste período de balanço e de alinhavar o próximo ano (lectivo e não só) sinto que, felizmente, trabalho e desafios aliciantes não me faltam. E este sentimento e estado de espírito profissional é, por vezes, tão difícil de alcançar, que algumas das dificuldades inerentes se tornam obstáculos menores. Vou portanto respirar fundo, alinhavar ideias, organizar necessidades e visualizar os objectivos, tendo em mente que o tudo que se faça pode ser pouco, mas, ainda assim, é bastante.
Miguel Bustos

terça-feira, 5 de junho de 2018

A Voz secreta das mulheres Afegãs: O suicídio e o canto, Sayd Bahodine Majroub

Percorria eu ainda as páginas finais do Caderno Afegão, de Alexandra Lucas Coelho, e enquanto tentava compreender todas as implicações e limitações da condição da mulher na cultura afegã, quanto a minha visão periférica se cruzou com a capa deste pequeno volume. Foi inevitável lê-lo.
Sob a tradução para português a partir do francês, este pequeno volume apresenta uma recolha e uma breve análise de diversos landay “escritos” por mulheres afegãs anónimas de origem pashtun. O landay é um pequeno poema oral para ser cantado, de dois versos com 9 ou 13 sílabas e sem rima obrigatória. Regra geral, o landay não é uma criação feminina. Mas na sua condição, à mulher pashtun cabe todo o tipo de obrigações domésticas, entre as quais a do cultivo dos campos, e é neste espaço de convívio com outras mulheres, e de algum afastamento dos homens, que ela encontra no canto o escape possível à sua condição. E é ai que de forma singela encontra a voz para materializar o amor, que embora lhes seja vedado através de casamentos impostos e dispares, ainda assim germina às escondidas de tudo e de todos e cujo castigo final, no caso da mulher na tradição tribal, é a morte. Assim, o canto e o perigo sempre presente da morte são a resistência máxima das mulheres pashtun.
Título Original: Le Suicide et le Chant | Tradução: Ana HAtherly | Editora: Cavalo de Ferro | Local: Lisboa | Edição/Ano: 2ª, Mar 2005 | Impressão: Graf. Manuel Barbosa e Filhos, Lda. | Págs.: 88 | Capa: Sushie 2005 | ISBN: 972-8791-76-3 | DL: 221193/05 | Localização: BLX PF 82-1/MAJ (80104312)

segunda-feira, 4 de junho de 2018

NÃO HÁ OUTRO CAMINHO, Pires Cabral

para o Vítor

Os poemas podem ser desolados
como uma carta devolvida,
por abrir. E podem ser o contrário
disso. A sua verdadeira consequência 
raramente nos é revelada. Quando,
a meio de uma tarde indistinta, ou então 
à noite, depois dos trabalhos do dia,
a poesia acomete o pensamento, nós
ficamos de repente mais separados
das coisas, mais sozinhos com as nossas
obsessões. E não sabemos quem poderá 
acolher-nos nessa estranha, intranquila
condição. Haverá quem nos diga, no fim
de tudo: eu conheço-te e senti a tua falta?
Não sabemos. Mas escrevemos, ainda
assim. Regressamos a essa solidão
com que esperamos merecer, imagine-se,
a companhia de outra solidão. Escrevemos,
regressamos. Não há outro caminho. 

in Morada, ed. Assírio & Alvim 

NASA

domingo, 3 de junho de 2018

bibliotecas públicas: diz que é uma espécie de alojamento local*


As bibliotecas públicas são um mundo. Como tal, estão em constante evolução, adaptando-se às novas dinâmicas e movimentações. É por isso que, em certos dias, se parecem mais com alojamentos locais de curta permanência, com diversos serviços diferenciadores que atestam o seu valor de mercado. Ora vejamos, disponibilizamos:
  • horário de check in & out, com possibilidade de dormida incluída nos diversos sofás, cadeirões ou debruçados sobre as usuais mesas;
  • wireless gratuito, e ainda interfaces e diversos modos de carregamento de energia
  • áreas de restauração diversa, desde cafetarias a máquinas de vending, muitas a preços módicos
  • serviço de atl em sistema de auto-gestão
  • actividades culturais e de desenvolvimento pessoal
  • pontos de encontro, informação turística e aconselhamentos diversos
  • luggage point (entre o extintor e a impressora)
  • atendimento em diversas línguas, incluindo portunhol, francês tipo alô alô, inglês tipo special one, árabe tipo chamuça
Ramin Nabisov
* este pretende ser um texto humorístico. no entanto, qualquer semelhança com a realidade é puramente verídico.

sábado, 2 de junho de 2018

Ciência & Literatura e Leitores Achados

É sempre bom ter conhecimento de uma nova Comunidades de Leitores (CL) e, se possível, conhecer a sua dinâmica e o que a diferencia, perante a rica e entusiasmante oferta existente, pelo menos, na área da grande Lisboa.
Por estes dias, tive o privilégio de participar na sessão inaugural da CL dinamizada por Isabel Zilhão na Biblioteca Palácio Galveias de dedicada a Ciência & Literatura. O objectivo é estabelecer “conversas descontraídas sobre livros de ficção com ciência (incluí ficção cientifica)”. A primeira sessão foi sobre Matteoperdeu o emprego, de Gonçalo M. Tavares, e seguir-se-ão sessões sobre Terrarium de João Barreiros e Luís Filipe silva (16 de junho) e O sistema periódico de Primo Levi (14 de julho), sempre pelas 16h30.
Tive igualmente o prazer de participar na última sessão da CL Leitores Achados, na Casa da Achada, que se encontra na última quinta-feira de cada mês, pelas 18h. Esta CL dedica-se ao conto e consiste na leitura em voz alta do mesmo e no seu posterior debate. O último texto foi o conto “A um passo de Gomorra”, de Ingborg Bauchman, e a enriquecedora conversa posterior deixou a vontade de voltar. No próximo mês, a proposta é a leitura e debate do conto “Só vim telefonar”, de Gabriel Garcia Marquez, constante em 12 Contos Peregrinos.
Quanto a mim, nem sempre me é possível participar, ou pelo menos ir conhecer, todas as CL existentes na área de Lisboa. Ainda assim, de quando em quando, lá vou eu...

sexta-feira, 1 de junho de 2018

Caderno Afegão, Alexandra Lucas Coelho


Este é um diário da viagem que a autora fez ao Afeganistão em 2008, mais precisamente entre 31 de Maio e 29 de junho. Intercala texto publicados na altura em diversos periódicos, bem como outros apontamentos que ficaram de fora dessas publicações e foram complementados a posteriori (penso eu). O que nos fica desta fica guiada por um país distante a que apenas associamos cenários de guerra é a vida entre o singular e a grandeza dos que vivem e sobrevivem e encontram motivos para continuar apara além desse mesmo cenário.
O mês que este diário reflecte engloba muito mais que um mero mês de calendário. Este mês incorpora séculos de história em que seguimos Alexandre, o Grande, Timur e Babur. Incorpora ainda a vida numa grande metrópole e a vida rural e tribal, a vida de homens e mulheres, uns anónimos, outros com lugares chave nos cenários políticos. reflecte o Afeganistão, mas incorpora todas as outras nacionalidades que, pelos mais diversos motivos, se cruzam neste enorme país. Reflecte os estratos sociais e os papeis de género que regem a cultura afegã. Reflecte a guerra e os campos de papoilas que fazem deste um dos maiores produtores de droga do mundo. Reflecte a ruína mas também a esperança e o que os seus concidadãos estão dispostos a lutar de modo a atingir uma sociedade mais igualitária, ainda que a um minúsculo passo de cada vez. Um mês deste diário são muitas vidas, que no seu amago não diferentes da de cada um de nós, mas que vivem e sobrevivem numa geografia e num tempo a que ALC nos consegue transportar. Por bem mais do que um mês.
Editora: Tinta da China | Colecção: Lit. Viagens (Coord. Carlos Vaz Marques)| Local: Lisboa | Edição/Ano: 5ª, Jan. 2015  | Impressão: Rainho & Neves | Págs.: 332 | Capa: Vera Tavares (Tinta da China) | ISBN: 978-989-671-007-1 | DL: 385209/14 | Localização: BLX SL 82P-992/COE (80365799)

quinta-feira, 31 de maio de 2018

Leituras nos Transportes Públicos #05.18

Maio
2
Utopia para realistas, Rutger Bregman

Lucros da fé, Alan Pallister
3
O apocalipse dos trabalhadores, valter hugo mãe

Odeio a internet, Jarett Kobek

4
8
Elogio da sombra, Junichiro Tanizaki

You must change your life, Peter Sloterdijk
9
Nemesis, Philip Roth

O diário de um mago, Paulo coelho

O amante japonês, Isabel Allende

Origem, Dan Brown
10

Ensina-me a voar sobre os telhados, João tordo
15
A gorda, Isabela Figueiredo
16
17
Segredo de Prata, Patricia Briggs
19
Os Loucos da Rua Mazur, João Pinto Coelho

Trópico de Capricórnio, Henry Miller

Jerusalém, Simon Sebag Montefiore 
23
A Sangue frio, Truman Capote
24
Quando a neve cai, John Green et alli
29
Viagem ao coração dos pássaros, Possidónio Cachapa
31
Caderno Afegão, Alexandra Lucas Coelho

O homem do castelo alto, Philip K. Dick

terça-feira, 29 de maio de 2018

Viagem ao coração dos pássaros, Possidónio Cachapa

Esta novela, que se lê muito rapidamente, versa sobre a diferença, o estranho e, um última análise, sobre a incapacidade geral para o aceitarmos. Fá-lo através de breves narrativas que se entrelaçam e que raiam o surreal. Ora vejamos. Kika é uma jovem mulher com um dom, entre – há falta de melhor palavra – a a mediunidade e a transferência da doença através do toque. É filha da pragmática Evangelina, cuja sensualidade é constantemente oprimida pelo isolamento e meio social, e de Filipe, um sonhador que abala para a possibilidade de uma vida maior na Venezuela e cuja única notícia vem acompanhada do fascínio, cor e impossibilidade do circo. Depois há um escritor, uma nova impossibilidade de amar e um fim difuso. O autor reincide em alguns dos temas que lhe são caros, como uma ideia de isolamento e de ruralidade, cujo o impacto na formatação dos seus elementos é sempre impeditivo de crescimento e de alargamento de experiência e horizontes, obrigando alguns dos seus personagens a sair para ganhar mundo e recusando sempre o novo e o exterior.
Editora: Marcador | Local: Queluz | Edição/Ano: 1ª, Jan 2015 | Impressão: Multitipo AG, Lda. | Págs.: 174 | Capa: Vera Braga, sobre imagem de Jill Battaglia | ISBN: 978-989-754-137-7 | DL: 386316/15 | Localização: BLX Marvila 82P-34/CAC (803330728)

segunda-feira, 28 de maio de 2018

PARTE POÉTICA, José Miguel Silva

Não é fácil ser poeta a tempo inteiro.
Eu, por exemplo, nem cinco minutos
por dia, pois levanto-me tarde e primeiro
há que lavar os dentes, suportar os incisivos
à face do espelho, pentear a cabeça e depois, 
a poeira que caminha, o massacre dos culpados,
assistir de olhos frios à refrega dos centauros. 

E chegar à noite a casa para a prosa do jantar,
o estrondo das notícias, a louça por lavar. 
Concluindo, só pelas duas da manhã
começo a despir o fato de macaco, a deixar
as imagens correr, simulacro do desastre. 
Mas entretanto já é hora de dormir.
Mais um dia de estrume para roseira nenhuma. 

SallyNixon