sexta-feira, 17 de junho de 2016

Noite da literatura europeia.03

Lorenzo Mattotti
Ao final da tarde, cerca de meia dúzia de curiosos e aspirantes a intelectuais distribuíram-se pela sala do antiquário* para a sessão de poesia de leste**.

* arrumado e organizado numa precisão que não convida ao curioso deambular e manusear dos itens disponíveis, numa investigação aleatória até se encontrar algo único que nos traga à memória uma qualquer reminiscência infantil. Tão ao contrário das carreiras de itens das grandes superfícies comerciais que nos impelem a escolher um (de tantos outros iguais), numa liberdade de escolha estudada a fundo pelo marketing e pelo product placement.

** primeiro em português. Num tom suave, voz grave masculina colocada e treinada para deleite e sedução de plateias. O tom dá corpo às palavras e estas ganham sentido de sentido único, como se tivesse sido criadas para o fim único daquela fusão especifica.

Depois, uma cacofonia estranha que fere os ouvidos e anula qualquer possibilidade de sentido. Faz-nos questionar se naquela (suposta) língua alguém pode pronunciar o amor e (podendo) se outro alguém se pode sentir amado através daquela demonstração vocálica. 

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