quarta-feira, 21 de setembro de 2016

A literatura é luto e é luta

Os últimos 4 livros que li continham um funeral e um processo de luto, nem sempre pelo defunto a enterrar no momento. O que me leva a crer que a literatura não é morte, mas começa sempre com esta, sendo esta então um processo de luto e de luta. Contra o quê? Os nossos medos e os nossos fantasmas.

Recriamos na literatura as conversas possíveis com quem nos morrer. Procuramos compreender o nosso passado. Se, ao fazê-lo, o aceitarmos, conseguirmos deixa-lo lá, onde somente deve estar. Se não o aceitarmos, então resta-nos (re)escrever-nos, matando-nos e deixando nessas páginas os restos que (re)negamos, tantas vezes quantas as necessárias, até que… Até que consigamos construir em palavras o nosso futuro: utópico, se tivermos a capacidade de aprender, ou distópica, se formos incapazes de ver para além de nós.  

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