quarta-feira, 14 de setembro de 2016

o apocalipse dos trabalhadores, valter hugo mãe

“… era um choro pequeno, de tristeza muito habituada, uma tristeza a vir quotidianamente para sempre, para completar o tempo que ainda teria de viver.” (p. 84)

Maria da Graça, 40 anos, mulher-a-dias. (Mulher tem dias. Há raros dias em que é mulher.) Tem uma vida sem outra perspectiva que a dos dias que se arrastam. O marido é embarcadiço e a sua ausência uma bênção, a sua presença um estorvo. O sr. Ferreira é o amor possível, quando o abuso é a única manifestação de desejo? Necessidade? Afecto? Sonha com a morte, mas s. pedro barra-lhe ininterruptamente as portas do céu. Nem esse alento…
Quitéria é a usa melhor amiga, única amiga, companheira de amarguras, ainda com uma esperança tola de amor. Mesmo que este seja Andriy, um homem-menino, que se quer máquina, mas é vencido pela necessidade, pela fraqueza do afecto, numa relação sem língua em comum.
São estas as protagonistas deste apocalipse. Mulheres que vão sobrevivendo aos dias, sabendo que não há muito sentido a dar-lhes, a não ser umas migalhas de amor: “esta é a inteligência mais secreta de todas, o amor.” (p. 179)

Editora: Quidnovi | Local: Matosinhos | Edição: 3ª | Ano: 20019, Fev | Impressão: Tipografia Peres | Págs.: 182 | ISBN: 978-989-065-9 | DL: 276.902/08 | Localização: BLX PF 82P-31/MAE (80236754)

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