terça-feira, 22 de novembro de 2016

De que falamos quando falamos de acessibilidades?

Ao ler um texto sobre o tema na área cultural, não pude deixar de reflectir sobre o mesmo e sobre a realidade que me rodeia. Ao falar-se de acessibilidade, fala-se também dos diversos tipos de acessibilidade: física, social e intelectual. E, é claro, a influencia desta na criação e/ou tipificação de públicos. Mas será que os nossos responsáveis estão cientes e/ou sensibilizados para esta questão e a sua real e eficaz inclusão na gestão dos espaços e equipamentos.

Em termos de acesso físico, a minha questão começa logo pela localização. Quando se seleciona um espaço para um serviço ou um equipamento, este nem sempre é o desejado ou o ideal, mas sim o que está, de momento, disponível. Consequentemente, esses espaços podem ter logo condicionantes genéricas de acesso à zona no que diz respeito a, entre outros: proximidade de transportes públicos, estacionamento, sentimento de (in)segurança. Depois, há a questão do edifício. Está preparado para possibilitar o acesso a pessoa com mobilidade reduzida. Ou seja, tem rampas, elevadores, áreas de circulação para cadeiras de rodas ou muletas, ou tem qualquer outro tipo de barreiras físicas? E quando falamos de acesso, porque não falamos também de evacuação em caso de emergência? Sim, porque embora todos desejemos que nunca seja necessário, temos de estar preparados para essa situação. E, infelizmente, tenho-me deparado com situações de portas, que se querem de emergência, encerradas pelo exterior ou zona de fuga para varandas ou outras áreas fechadas.

Quanto à inclusão social, há todo um mundo a reflectir. E digo um mundo porque cada vez mais o nosso país acolhe diversas e tão dispersas nacionalidades que todos sentimos dificuldade em acompanhar na necessidade mais básica: a linguística. Sim, todos nós falamos um mínimo de inglês, quase nada de francês, arranhamos um portunhol. Mas para além disto? Conseguimos realmente comunicar com quem nos procura? Estamos preparados para atender devidamente invisuais? E falantes de língua gestual? E situações do foro mental? Não, não estamos e incluo-me nesse rol.

E por último, mas não menos importante, há a vertente intelectual. Cada utilizador de um espaço cultural tem apetências e necessidades específicas e, sendo impossível satisfazer todas, podemos ser o mais abrangente possível nas ofertas que disponibilizamos. Para tal não podemos esquecer que há um caminho a fazer e que este se faz a partir do diálogo entre os técnicos no terrenos e o(s) próprio(s) público(s). Para tal é necessário ter numa equipa elementos com formação adequada e transversal e confiar na capacidade dessa equipa para fazer o trabalho. Por vezes, começa-se por uma pequena actividade e dessa ou dos contributos (in)formais gerados parte-se para outra., quiçá de maior dimensão, até se chegar àquela dimensão que todos os responsáveis gostam e que lhes dá a maior visibilidade possível. Além disso, e porque os nossos públicos evoluem e são também cada vez mais exigentes e sedentos de uma oferta variada é necessário fazer uma aposta continua na formação profissional e em momentos de partilha interna e externa. Se o fizermos, tudo o resto acontecerá e ganhamos todos: o(s) público(s) por conseguir suprir as suas necessidades, os técnicos porque sentem a validade do seu contributo e os responsáveis porque consegue visibilidade.

E se tudo isto para simples e óbvio, infelizmente, só o é para alguns. Tentemos nós fazer a nossa parte. 
@ João Menéres

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