sexta-feira, 16 de junho de 2017

Sobre o feminismo

No rescaldo da leitura de Todos devemos ser feministas, de ChimamandaNgozie Adichie, aproveito algumas das suas frases para perceber melhor a minha posição e afinar a(s) minha(s) opiniõe(s), que, na sua maioria, ainda estão numa fase (embrionária) de sentimento. E, como tal, são ainda mutáveis e a seu tempo espero que mais compreensíveis.
Algumas frases sobre o preconceito relativo ao feminismo e às feministas:
  • p.13) são mulheres infelizes que não conseguem arranjar marido. Felicidade e casamento não são complementares. Logo, o casamento não é a única forma de se atingir a felicidade. Quem se propõe a conseguir a sua felicidade através do caminho menos percorrido tem momentos de infelicidade, tal como todas as pessoas. Muitas mulheres optam por não casar, não por negarem o casamento em si,mas porque os seus desejos mais íntimos nem sempre se conjugam com o que ainda se espera de uma mulher. Porque se as mulheres alteraram o seu papel na sociedade, consequentemente também o do homem se alterou. E nesta incerteza de papeis, nem todos têm a capacidade de assumir ou arriscar fora do registo daquilo que se espera. E há quem simplesmente não sabem lidar com esta alteração, então, a sua única opção é a de rebaixar que a assume.
  • [a mulher é] corrompida pelos livros ocidentais. Realmente, ainda está por aferir qual o papel exacto da leitura na definição do futuro individual de cada um. Todos nós sabemos que a leitura é transformadora, para o bem e para o mal. Todos lemos livros que alteraram as nossas percepções e os nossos actos. Por isso, a educação é a maior ferramenta para atingirmos a igualdade de oportunidades e de tratamento. Por isso, jovens como a Malala ainda são a maior ameaça às sociedades patriarcais.
  • p.14) [as mulheres odeiam os homens]. As mulheres não odeiam os homens. Apenas não aceitam submeter-se à sua vontade, às suas ordens, aos seus desejos.
  • [odeiam determinadas culturas]. Todas as culturas têm pontos positivos e negativos. Mas a cultura não é imutável e é feita pelas pessoas que a perpetuam ou que a adaptam. Mas qualquer cultura que não permita à mulher o designio do seu corpo, da sua vontade, dos seus sonhos e dos seus desejos, não é uma cultura fácil de aceitar. Quem o aceita, acredito que o faça por uma inerente clareza perante os papeis atribuidos a cada pessoa e o que se espera de si. Quando o papel é óbvio, também é mais fácil (ou não) de desempenhar. Mas há muito que nos deixámos de guiar pelo óbvio.
  • [não têm cuidados e beleza e/ou higiene]. Todas as mulheres têm cuidados de higiene, embora possam não se aplicar em cuidados de beleza. Há uma frase conhecida que afirma que não há mulheres feias, há mulheres pobres. Dito isto, a beleza é uma questão, por vezes, única e exclusivamente financeira. Agora, se despirmos algumas dessas mulheres de determinados artificialismos, o que resta delas? O que é que elas são, o que é que elas procuram? Porque é que consideram que só o conseguem alcançar transformando o seu exterior. Não seria mais interessante se apenas pudéssemos ser nós? 

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