sábado, 3 de junho de 2017

Todos devemos ser feministas, Chimamanda Ngozi Adichie

Há muito que tinha vontade de me estrear na escrita de Chimamanda Ngozie Adichie (CNA), mas sempre que olho para a dimensão de Americanah, a sua obra mais consagrada até ao momento, as suas mais de 700 páginas sobrepoem-se. Então, há poucos dias cruzei-me com uma referência a este pequeno volume, que resulta de uma conferência TED proferida pela autora. A sua caracteristica não ficcional, embora complementada por um conto final, a temática e a dimensão convenceram-me. Foi desta.
Ainda que superficialmente, sigo há vários anos a temática feminista. Afinal, parece-me impossível ser mulher e não o fazer. Faço-o, sobretudo, através do blog Escreva Lola Escreva, da brasileira Lola Aronovich, no qual sou, infelizmente, muitas vezes surpreendida pelas nuances e profundidades que que a desigualdade de oportunidade e tratamento, em todas as suas facetas e vítimas, pode atingir. Nesse sentido, a leitura deste pequeno volume não me surpreendeu. No entanto, a apresentação do tema, a sua contextualização e os seus argumentos são bem conseguidos e considero-o uma óptima primeira abordagem a quem ainda não se predispôs a reflectir sobre o mesmo.
Quando leio sobre esta temática, procuro perceber até que ponto contribuo para a perpetuação de valores e estereótipos desfavoráveis a uma equidade ideal. Porque tenho a noção de que, apesar do caminho percorrido, estamos muito longe da meta proposta por esta ultramaratona. Este percurso de consciencialização não é fácil. Obriga-nos a pôr em causa uma educação e valores que, na sua génese, não têm essa intenção.
O volume termina com um pequeno conto, que acredito ter muito pouco de ficcional, e que nos dá a noção de que, em certas culturas, com as suas percepções de escolhas limitadas ou inexistentes, é muito difícil quebrar com a cadeia de valores que recebemos, mas que sabemos não serem qualquer resposta ao nosso íntimo e ao nosso mundo.

Título Original: We should all be feminists (seguido do conto Casamenteiros (trad. Ana Saldanha)| Tradução: Simão sampaio | Editora: D. Quixote | Local: Alfragide | Edição/Ano: 1ª, Maio 2015| Impressão: CEM | Págs.: 112 | Capa: Rui Garrido | ISBN: 978-972-20-5743-1 | DL: 390580/15 | Localização: BLX Mar 316.346-055.2/ADI (80329407)

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