quarta-feira, 9 de agosto de 2017

A Leitora Real, Alan Bennett

“O apelo da leitura, pensou, vinha da sua indiferença: havia na literatura algo de nobre. Os livrosa não se importavam com quem os lia, nem se os liamos ou não. Todos os leitores eram iguais, incluindo ela própria. (…) Os livros não se submetiam. Todos os leitores eram iguais e aquele livro levou-a ao princípio da sua via. (…) Era anónima, partilhada, comum. E ela, que levara uma vida aparte, ansiava por isso. Aqui, nestas páginas e entre estas capas, podia seguir incógnita.” (p. 34/35)

Cheguei a esta divertida novela através de Os Livros do Final da Tua Vida, de WillSchwalbe. É uma ode ao poder transformador da leitura e o impacto que esta pode ter não só na vida do individuo, no seu contexto familiar, social e até político, com consequências internacionais. É através de uma personagem incomum, nada mais que a rainha Isabel II de Inglaterra que vamos perceber este percurso. Quando um dia ao passear os seus famosos cães a rainha se depara com uma biblioteca itinerante nos jardins do palácio, apara não parecer mal – requisita um livro. Vai ser o início de um processo de auto-descoberta através do qual o autor cómica e ironicamente nos alerta e confronta com os benefícios da leitura, enquanto forma de conhecer o outro, de viver o que não podemos, a partilha de opiniões, mas também a ansiedade da privação da leitura, a censura de hábitos de leitura e a incompreensão dos demais. A história culmina com a maior transformação que a leitura pode provocar: a vontade e a urgência da escrita e como essas podem induzir alterações radicais e insuspeitas na nossa vida e na de quem nos rodeia. Muito divertido!

Título Original: The Uncommon Reader | Tradução: Helena Cardoso | Editora: Asa | Local: Alfragide | Edição/Ano: 1ª, Novembro 2009 | Impressão: CEM-AG, Lda. | Págs.: 128 | Capa: Panóplia ® | ISBN: 978-989-23-0649-0 | DL: 299658/09 | Localização: BLX SL 82-34/BEN (…)

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