quinta-feira, 7 de setembro de 2017

A terra das Ameixas Verdes, Herta Muller

 “Eu teria preferido não estar ali onde a minha mão segurava a caneca.” (p. 156)
Há leituras que se entrelaçam inadvertidamente. À primeira vista é surpreendente, embora não deva. Porque é deste entrelaçar que se tecem as várias nuances de uma história universal.
No rescaldo da leitura de A Guerra não tem Rosto de Mulher, e com vários dos seus relatos e sensações provocadas ainda a palpitar na minha mente, dei por mim a aportar numa outra obra nobelizada1, através deste A Terra das Ameixas Verdes. E a sensação que me trespassou durante toda a leitura é que esta narrativa poderia muito bem ser um verso de alguns dos relatos de Alexievitch. Um verso dos relatos de resistência.
Esta é uma outra história, e outra e mais outra e ainda outra, história no feminino. A narradora (sem nome, igual a tantas outras mulheres), Lola, Tereza e a modista são os principais eixos narrativos. Mas há ainda a(s) mãe(s) e a avó cantadeira e a avó rezadeira. Diversas mulheres, em diferentes fases da vida, que atravessam a vida e os homens lutando contra as expectativas sociais, a ameaça e a perseguição política e a morte que espreita a cada esquina.
Já a escrita, foi uma lição. A conjugação de frases, de modo a demonstrar emoções e sensações, foi para mim uma descoberta e uma aprendizagem.
Título Original: Herztier | Tradução: Mª Alexandra A. Lopes | Editora: Difel | Local: Lisboa | Edição/Ano: 2009 | Impressão: Tipografia Peres | Págs.: 204 | ISBN: 978-972-29-0971-6 | DL: 301028/09 | Localização: BLX PF 81-31/MUL (…)

1) Nobel 2009, “que, com a densidade da sua poesia e franqueza da prosa, relata o universo dos desapossados.”

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