terça-feira, 26 de setembro de 2017

Eu não quero uma área reservada a mulheres nos transportes públicos

Ruminant Reserve
Parece (não, não fui confirmar) que há uma candidata autárquica que propõe a existência de áreas reservadas a mulheres nos transportes públicos, como forma de impedir o assédio sexual. O que é que eu tenho a dizer sobre o assunto? Esta é uma forma demagogo-pateta de resolver uma situação que, é verdade, incomoda muitas mulheres. Mas, como para muitas outras situações sociais, a solução não é simples, única e rápida. E esta é uma não solução. Porque não resolve o problema nas suas origens. 
Então, o que pode ser feito? Primeiro, andar de transportes públicos, que, regra-geral, é algo que os decisores e dirigentes políticos e públicos não fazem. Depois, perceber, de uma vez por todas, que as medidas preventivas de segurança a implementar não são para bem das mulheres, são para bem de homens, crianças e idosos. Aliás, até acho (tenho a certeza) que a CRP proíbe este tipo de tratamento desigual entre os seus cidadãos. E realmente acham que é boa ideia reincidir em qualquer tipo de segregação?
Estas são algumas ideias do que poderá ser feito para melhorar a vida de TOD@S os utilizadores de transportes públicos:
·         Garantir transportes numa periodicidade que impeça que os seus utilizadores tenha de esperar grandes períodos de tempo em locais isolados, não vigiados e sem qualquer iluminação pública;
·         Garantir que qualquer paragem de autocarro esteja devidamente iluminada e junto de qualquer tipo de casario ou zona empresarial, que permita uma maior prontidão de socorro;
·         Garantir que há horários afixados em todas as paragens, de modo a que, previamente, se possa programar a ida e a vinda da mesma:
·         Garantir que os acessos pedonais às paragens e estações são igualmente iluminados e, se possível, com passagem de rondas policiais ou de segurança privada;
·         Apostar na educação para a cidadania, para que algumas pessoas, devido à sua pequenez intelectual, percebam que a força não é a única forma de abordar uma mulher ou homem ou sénior ou criança;
·         Educar para cidadania de modo a que, perante uma situação explicita ou até duvidosa, ninguém hesite a agir em apoio de um outro alguém.

Como veem, há muito a fazer para que TOD@S se sintam seguros nos transportes públicos. 

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