sexta-feira, 8 de setembro de 2017

Os possíveis enquadramentos institucionais de Comunidades de Leitores

Imagem de capa de Eléctrico 16, de Filomena Marona Beja.
Existem espaços ideais para a realização de Comunidades de Leitores? Habitualmente, que espaços associamos a esta prática? Só?
A minha experiência leva-me a constatar que qualquer espaço que permita a reunião de um grupo de pessoa pode ser palco da realização de uma Comunidade de leituores, mesmo que esse espaço, à partida, não tenha nenhuma relação aparente com essa dinâmica. A verdade é que numa comunidade de leitores o único denominador comum é o exercício da leitura e desafio da sua partilha. Então, o espaço é um pormenor secundário e pode ser o que estiver disponível a esse mesmo grupo.
Os espaços que mais facilmente associamos a esta prática são os que têm o livro na sua génese: bibliotecas e livrarias. Mas ambos têm missões e objectivos diferentes, que podem condicionar os moldes desta prática. Numa livraria, para além que qualquer móbil de difusão cultural, não podemos esquecer que é um negócio. Há sempre um objectivo de retorno financeiro. Então, na sua prática de dinamização de comunidades de leitores a rentabilização da “novidade” é sempre uma prioridade. E é uma rentabilização tão válida como outra qualquer e é uma ferramenta de divulgação utilizada por livrarias como Bertrand, Almedina e Leya. Basta consultar as suas páginas intitucionais.
No entanto, a aquisição de “novidades” implica um investimento financeiro que nem todos os leitores (e instituições) podem despender. Mas esta situação é contornável e aí as bibliotecas têm um papel preponderante, pois podem rentabilizar o acervo disponível. Isso poderá implicar alguma criatividade no momento de lançar propostas de leitura e optar por modelos de dinamização menos restritos à habitual leitura periódica única. por outro lado, e não esquecendo que também somos avaliados quantitativamente, a dinamização de comunidades permite uma redescoberta e uma nova vida de leituras do acervo. E sem esquecer a missão inerente às bibliotecas de equidade ao acesso à informação e cultura.
Mas estes não são, de longe, os únicos espaços passiveis de acolher uma comunidade de leitores. Por exemplo, o Museu Ferreira de Castro dinamiza uma comunidade desde Maio de 2008 e que, de acordo com o seu responsável, já conheceu várias “gerações” de participantes. E como os locais podem (e devem) influenciar as dinâmicas, este tem como desafio anual a leitura de uma das obras do autor.
Se calhar, também não estranhamos que uma associação cultural dinamize uma comunidade de leitores. Então, e se for uma associação de moradores ou o condomínio do seu prédio? Parece inusitado, mas já pensou que esta pode ser a forma, por exemplo, de colmatar a oferta cultural na sua área de residência. Ou até ser um factor de coesão e partilha social. E quem diz uma associação, também pode dizer a sala de assembleia da sua junta de freguesia. E a sua empresa? Já ponderou como a partilha de leituras pode ser um elemento da politica social da sua empresa e uma forma de teambuilding a explorar?
Estes são apenas exemplos de locais que podem acolher uma comunidade de leitores. Em jeito de conclusão, quero apenas frisar que, se existir a vontade de encetar novos percursos e de partilhar leituras, não há local impeditivo à sua realização. Aliás, até estou a ponderar propor à CP a dinamização de uma comunidade numa carruagem, nas minhas viagens de ou para o trabalho. Que acham?

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