segunda-feira, 9 de outubro de 2017

Franny e Zooey, J. D. Salinger

"Tudo o que as pessoas fazem..., não sei..., não é mau, nem sequer mesquinho, muito menos necessariamente estúpido. Apenas tão minúsculo e sem sentido e ... deprimente." (p. 31)

Do que me é dado a perceber, este é considerado um livro atípico, mesmo para o próprio autor. Resulta da reformulação de duas histórias escritas inicialmente para a revista New Yorker, em 1955 e 1957, que terão sido “unidas” em ‘61 e “renovadas” em ’89. Segundo vontade expressa do autor, a capa não contém imagens, elementos figurativos ou referências ao autor e ao conteúdo.
Então, o que é este Franny e Zooey? Melhor, quem são Franny e Zooey? São os dois irmãos caçulas – de um total de 7 - da família Glass, pertencente à classe média americana e quase todos com percurso académicos ligados às literaturas.
Franny é uma estudante universitária que inicia a leitura de “Caminho de um Peregrino”, que gradualmente a fará questionar a sua vida espiritual (se é que a tinha) e a encetar novos comportamentos incompreensíveis para a restante família. É aí que, a pedido e insistência da mãe, entra em cena Zooey, jovem galã de televisão. Com um discurso desassombrado e lúcido “desmascara” a pretensão de Franny, salientando a sua impossibilidade de se adequarem quer a um rumo diferente, que implique a viver em desacordo com as normas, bem como de agirem em plena conformidade com essas mesmas normas. Mas a sua inaptabilidade tem uma razão de ser: foi causada por um rol de leituras fruto da influência dos irmãos mais velhos, que ironicamente, ou não, se suicidaram. “Aqueles dois sacanas agarram-nos bem cedo e transformaram-nos em bichos esquisitos com critérios anormais…” (p. 124)
Não posso dizer que seja um livro que me tenha conquistado, embora tenha apreciado a lucidez da personagem de Zooey. Imbuído do zeitgeist da geração perdida americana, difere pela falta de incursão das personagens pelo território europeu. No entanto, e comparado com, por exemplo, O Fio da Navalha, de Somerset Meugham, em que o protagonista também enceta um percurso espiritual que o afasta dos demais, este fica muito aquém, quer em termos de construção da narrativa, quer do leque de personagens.


Título Original: Franny & Zooey (1961) | Tradução: Salvato Telles de Menezes | Editora: Relógio d’Água | Local: LX | Edição/Ano: Set., 2002  | Impressão: Tipografia Peres | Págs.: 176 | Capa: Fernando MAteus | ISBN: 972-708-686-1 | DL: 182805/02 | Localização: BLX PF 82-31/SAL (80338674)

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