sábado, 7 de outubro de 2017

Lideranças institucionais e estados de graça

As instituições são marcadas por lideranças passageiras e engane-se quem pensa o contrário. Mesmo que os seus atores pretendam alonga-la o mais possível no tempo, esta nunca deixa de ser passageira. E os raros casos de longevidade devem-se muitas vezes nem sempre à competência, mas há falta de alternativas.
Uma outra característica destas lideranças é o iniciático estado de graça. Mais ou menos breve, mas nunca duradouro. E é raro o caso em que se sai de funções neste estado. Regra geral sai-se em desgraça.
O que, regra geral, muitos não entendem, ou fingem não entender, é que há lideranças que têm poucas hipóteses de qualquer momento de graça sequer. Estão, apesar, não direi da competência, mas de qualquer esforço ou vontade, fadadas ao aparente falhanço. Como em tudo na vida, nem sempre somos ineptos, mas as circunstâncias negativas e/ou opressivas, cuja duração é indeterminada, conferem uma apreciação negativa dessa liderança. Mas esses líderes têm afinal algum mérito: o de garantir a própria continuidade, por vezes legal, dessas instituições. Porque, quando as conjunturas são favoráveis, não falta quem queira assumir a liderança. Quando não são, todos olham de lado, assobiam e afastam a água do capote.
É fácil apontar culpas. Sim, é mesmo muito fácil. O difícil é ter a hombridade de respeitar quem assumiu o papel inglório de liderar quando o mais que se poder fazer é manter o barco à tona. Quando a maré muda, lá estão os dedos a apontar o mau estado do barco. Mas se este não afundou a alguém se deve. E esse esforço raramente é reconhecido, porque esse reconhecimento implica que assumir que quem rodeia o líder também não esteve há altura do desafio. 

Ruminant Reserve

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