sexta-feira, 17 de novembro de 2017

Dez Anos Depois, Liane Moriarty

Esta foi uma leitura surpreendente, não por ser um livro excepcional, mas porque nos oferece uma história. Pura e simplesmente uma história. E por vezes, gostamos de ler apenas uma história. Sem tramas complexas, apenas o desenrolar do que seria o quotidiano de pessoas reais, se fossem personagens. Sem um discurso pretensioso, que os críticos por vezes consideram poético, apenas porque não há a coragem de admitir que é apenas confuso ou mal construído. Uma construção e conjugação de episódios eficaz, em consonância com o desenvolvimento intencional e emocional dos personagens. Ou seja, é um produto da escola anglo-saxónica de escrita criativa bem conseguido. E isso não é demérito nenhum. Tomara muitos escritores (e aspirantes) dominarem deste modo os diversos recursos estilos de modo a materializarem as suas narrativas. Poderia ainda ser ter um estilo mais profundo. Sim, poderia. Mas não menosprezemos este tipo de história e tiremos as devidas lições.

Sobre a história - muito cinematográfica - propriamente dita, relata a experiência de mulher que, após uma queda, perde a memória dos últimos 10 anos. Há medida que se apercebe da sua nova realidade, e que a sua actualidade nada tem a ver com as memórias que realmente possui, vai colocando em perspectiva algumas das suas opções e relações, o que contribui para um novo e inesperado crescimento individual. No final, comme il faut, tudo acaba bem, mas não de forma gratuita.

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