quarta-feira, 8 de novembro de 2017

Vida SMART ou simplesmente irónica?

A partir de determinado momento nas nossas vidas, incutem-nos que devemos definir objectivos para quase todas as áreas da mesma. Estes devem ser SMART (anagrama inglês para eSpecificos, Mensuráveis, Atingiveis, Realistas e definidos no Tempo).
Mas a vida, no seu decorrer, é tudo menos SMART e no máximo é de uma ironia atroz! Caracterizada por uma teia complexa de relações e consequências de actos próprios e alheios. Nem tudo é quantificável, apenas inqualificável. Os nossos parametros e critérios alteram-se a cada (grande) mudança no nosso percurso. O tempo cura e é rápido na alegria, detendo-se vagarosamente na dor. Sabemos lá nós executar o sonho, sonho que é por definição longínquo e difícil de alcançar. Apenas podemos colocar-nos a caminho.
Posto isto, há objectivos cujo cumprimento é o desafio de uma vida inteira: manter a capacidade de deslumbramento; não nos deixarmos abater pelas rasteiras do caminho, manter uma certa candura; manter a crença de que há impossíveis possíveis; que o amor impele a saltar barreiras salvando-nos em conjunto.

É fácil tornarmo-nos cínicos, cépticos, descrentes ao longo do caminho. O difícil é manter uma certa infância dentro de nós. Isso é um propósito para a vida inteira.

Samantha Lee

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