quinta-feira, 1 de fevereiro de 2018

Amor em segunda mão, Patrícia Reis

Como já é hábito, os livros de Patrícia Reis leem-se rápida e facilmente. O que não quer dizer que, por vezes, não fiquem a remoer-se. Embora, creia que não seja o caso deste Amor em segunda mão. O porquê do título é simples: as relações e experiências amorosas retratadas revelam que o amor raramente é uma primeira conquista. Por vezes, só depois de um amor falhado ou incumprido, se pode e se aprende a amar comme il faut. Or as you like it.
Este romance apresenta-nos, como a Patrícia também já nos habituou, um mosaico de personagens, dos quais nos é dada uma primeira perspectiva. Como se de um lado de um cubo mágico se tratasse. Uma perspectiva supercficial e escassa. Segue-se uma segunda perspectiva, digamos que de uma lateral do cubo, mas ainda insuficiente. Porque se, por um lado nos justifica a escolha do título, por outro ainda nos deixa perante muitas perguntas sem reposta sobre este mosaico de personagens, todas com algum tipo de ligação entre si. E aqui, e a grande surpresa do livro, é que este nos leva, por último, ao passado das personagens, dando-nos algumas chaves de compreensão do seu presente e das suas escolhas. Como se pudéssemos ver um qualquer lado posterior do cubo. Uma terceira dimensão. Que uma vez mais não nos diz tudo, mas responde a muito. E se alguma coisa falta, o que não me parece, pois é exatamente a parte dos livros da Patrícia que nos fica a remoer, é como gostaríamos de aceder ainda ao intrincado interior do cubo, à estrutura onde se conjugam possibilidades e condicionantes. Mas isso talvez esteja apenas na mente da autora ou seja pana para outros textos.
Editora: Dom Quixote | Colecção: Autores de lingua portuguesa | Local: Lisboa | Edição/Ano: 1ª 2006 | Impressão: Guide Ag | Págs.: 186 | Capa: Atelier Henrique Cayatte, sobre pintura The Lovers, de René Magritte| ISBN: 972-20-2968-1 | DL: 237090/06 | Localização: BLX PG 82P-31/REI (80141596)

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