domingo, 4 de fevereiro de 2018

As redes sociais e o seu impacto profissional

Actualmente, as redes sociais podem ter o maior dos impactos na nossa vida profissional. Seja porque nos levam ao próximo empregador ou funcionário, seja porque podem ser motivo de despedimento e/ou processos disciplinares. É importante perceber que, como qualquer outra ferramenta de comunicação, as redes sociais são uma faca de dois gumes, que tem de ser utilizada com consciência, cautela e respeito.
Muitos de nós tem páginas em redes sociais e não faz qualquer separação entre o que quer dessa página, se pessoal, se profissional. Essa dúvida é normal. Somos uma única entidade (tentamos) e é normal que queiramos partilha diversos aspectos da nossa vida. Somos extremamente inaptos em compartimentar. E ainda bem. Mas somos ainda mais inaptos em perceber que muito do que acontece na nossa vida, não acontece só connosco. Acontece com demais pessoas e essas podem não querer ser expostas. Com todo o direito. O mesmo acontece com as entidades que nos empregam.
Há que perceber que parte do nosso tempo é, senão propriedade, usufruto de uma entidade. Entidade essa que tem normas de conduta e imagem que quer preservar e que pauta contratos e/ou acordos tácitos. Diz um ditado popular que não devemos morder a mão que nos dá de comer. (Há um outro mais escatológico e mais impactante.) Mas a verdade é que devemos perceber que há informações e situações profissionais que não são divulgáveis. E no caso de nos sentirmos injustiçados, há locais e instituições próprias para o efeito. Tal como, embora seja mais fácil de dizer do que de fazer, caso não nos identifiquemos com a imagem e ou conduta de uma empresa, a porta da rua é serventia da casa.
A verdade é que hoje, cada um sabe de si e as redes sociais sabem de todos. Culpa de todos que a alimentam sem ponderação e/ou noção das consequências. Mas também é verdade que a antiga máxima de que à mulher de César não basta ser, tem de parecer continua actualissima.
Mas, por outro lado, e quando as instituições lucram com a eventual visibilidade dos seus funcionários nas redes sociais? Aliás, não é à toa que empresas fazem contratos com celebridades de modo a que o halo destas beneficie a imagem e/ou os seus lucros. Mas, num contexto mais quotidiano, o que dizer de quando um funcionário, não tendo sido contratado com esse fim especifico, beneficia a imagem da instituição, quer em termos de visibilidade, quer em termos de credibilização. Não deveriam esses mesmos funcionários receber outro tipo de valorização. Que tipo de valorização é talvez complexo de aferir e dependeria, em última análise, da estrutura e normas que regem cada instituição, mas também da sensibilidade de cada responsável.

Nos últimos anos, tem feito a escolha consciente de que a minha presença nas redes sociais seja sobretudo um reflexo da minha experiência profissional. Tenho noção de que tal poderá ser um pouco ridículo, pois apesar de pautar essa mesma presença de modo a não colidir com as orientações do código de conduta do funcionário público, em última análise tenho sempre a sensação de que não o deveria fazer. Mas também sinto que o mesmo acaba por colidir igualmente com uma série de objectivos profissionais que nos são colocados, objectivos esses cujo cumprimento beneficia dessa mesma presença nas redes sociais. Questiono-me constantemente se estou ou não a ultrapassar limites ou se estou simplesmente a rentabilizar meios e ferramentas e onde é que se encontram esses limites. Sabendo de antemão que as estrutura das entidades do estado ainda não estão adaptadas a esta nova realidade. E uma coisa é certa: faço todo o possível para não colocar em causa, mas sim beneficiar, um trabalho que me acrescenta como pessoa e que acrescenta quem dele usufrui. Tendo em mente que o público, esse sim, é, em última analise, a quem me dirijo e é ele que pauta o meu desempenho profissional.
Daniel Rueda & Anna Devis

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