quinta-feira, 26 de abril de 2018

De Afrin à Penha


Afrin situa-se na fronteira da Síria com a Turquia. Actualmente, nos registos da internet, e de cuja veracidade não quero duvidar, pouco ou nada é para além de escombros de uma guerra incompreensível. creio que, a determinado momento, todas as guerras são incompreensíveis. Excepto talvez para quem as induz e cujos interesses não cessam juntamente com as vidas que colhem tão aleatória, quanto vorazmente. E até para a maioria dos seus combatentes, creio que a compreensão inicial termine muito rápida e bruscamente. os que a mantêm, mantem-na porque necessitam de continuar a justificar os seus actos insanos, insensatos, insensíveis.
alguns, muitos, espero, conseguiram escapar a esta demolição. dois sentam-se semanalmente comigo numa sala na expectativa de aprender o máximo possível de palavras em português. não sabem outra língua para além do seu árabe de origem. eu desconheço árabe. não receberam educação formal na siria e ainda assim dominam ferramentas de sobrevivência e desenrascanço que nem concebo. Sinto-me pequena perante uma realidade tão longe da nossa, tão brutal e tão desamparada. e rendo-me perante a sua força e tenacidade. e o sorriso com que recebem as (poucas) palavras que tenho para lhes dar. e fica a vontade de lhes poder dar mais palavras e mais sorrisos. mais e melhor. para que este seja o seu compreensível  porto de abrigo.

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