domingo, 29 de abril de 2018

O Mar por Cima, Possidónio Cachapa


A minha primeira leitura deste autor foi Eu sou a árvore, de 2016, que se revelou uma muito agradável surpresa. Saberia que voltaria a ele, embora tivesse de dar tempo para que a próxima leitura não ficasse influenciada por um excesso de expectativas. o tempo passou e chegou o momento de uma nova incursão. As expectativas serenaram, até porque o livro agora em questão foi editado pela primeira vez em 2002, e 14 anos no ofício de um autor fazem muita diferença na maturidade que a sua escrita transparece (idealmente).
Em O Mar por cima existe um casal, Ruivo e Manoella. Ele polícia, ela arquitecta empenhada, mas a lutar numa área que não consegue absorver todos os seus técnicos. Vivem uma vida modesta, sem grandes ambições para além de um quotidiano estável e confortável. O grande tropeção na sua relação é causado por um incidente profissional de Ruivo, cujo afastamento temporário da polícia o leva à terra natal, os Açores. Aí, confronta-se com a continua realidade de uma terra e de uma cultura insular que pouco ou nada tem para oferecer aos seus jovens, excepto a perpetuação da pobreza e falta de expectivas e ambição. é aí também que revisita a memória de David, um jovem do continente que foi seu vizinho por alguns tempos ainda na sua infância. apesar deste ser mais velho, entre os dois estabeleceu-se uma amizade que o iria marcar para sempre. Não tivesse David sido o seu primeiro beijo e suicidado logo a seguir.
Este livro tem diversas situações interessantes, como a exploração do impacto da incompreensão do final de uma relação ao longo da vida, um certo zeitgeist juvenil e algumas imagens poéticas. É um livro sobre as dores do crescimento, de um autor em crescimento. Ainda continuo com curiosidade em conhecer a sua escrita.
Editora: Oficina do Livro | Local: Lisboa | Edição/Ano: 1ª, Maio 2002  | Impressão:Guide, AG, Lda. | Págs.: 240 | Capa: Mª Manuel Seixas | ISBN: 972-8579-67-5 | DL: 180102/02 | Localização: BLX PF 82P-31/CAC (80298676)

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