segunda-feira, 2 de abril de 2018

Tenho cinco minutos para contar uma história, Fernando Assis Pacheco

Há já algum tempo que este título me chamava para a sua leitura. Cinco minutos = uma história, parece um bom contrapeso neste tempo tecnológico em que as histórias se atropelam sem que nenhuma se retenha mais do que alguns segundos na nossa atenção, e, claro, sem que nenhuma se finque na nossa percepção, na nossa memória. Então, que bom encontrar uma história que nos prenda, por cinco minutos que sejam.
Não sendo uma leitora rápida, já estava a acusar um certo cansaço de leituras extensas e densas, e estava a necessitar de uma mudança de registo. No tom, na cadência, na voz com que mentalmente ilustramos a ressonância das palavras que lemos. Este conjunto de crónicas radiofónicas permitiram, além deste diferente fluir, uma outra perspectiva dos dias que ainda ressoam em algumas memórias familiares, mas que os silêncios e as ausências já não conseguem materializar.
40 anos têm estas crónicas. 40 anos tinha o seu autor no momento da sua escrita. 40 anos tenho eu no momento da sua leitura. Apesar das vidas diametralmente opostas, alguns destes textos ainda são de hoje. Sejam porque me trazem memórias, seja porque o país ainda mantém algumas características enquanto povo. E sinto que a única diferença aportada pela passagem destes 40 anos é a ausência de referências tecnológicas actuais. As de então são, como já referi, uma memória de infância, uma memória de um tempo em que a passagem do tempo corria mais languidamente. Que bom foi retornar a outra cadência.

Editora: Tinta da China | Colecção: | Local: Lisboa | Edição/Ano: Março 2017 | Impressão: Guide, AG | Págs.: 196 | Capa: V. Tavares | Ilustrações: fotografias| ISBN: 978-989-671-357-7 | DL: 419731/16 | Localização: BLX PF 82P-94/PAC (80395855)

2 comentários:

  1. Gosto particularmente desta parte: Não sendo uma leitora rápida, já estava a acusar um certo cansaço de leituras extensas e densas, e estava a necessitar de uma mudança de registo. No tom, na cadência, na voz com que mentalmente ilustramos a ressonância das palavras que lemos.

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