quinta-feira, 3 de maio de 2018

Deixem falar as pedras, David Machado


Esta foi a minha terceira incursão na escrita deste autor e também aquela que mais me encheu as medidas, pois consegue um maior equilíbrio entre premissa, desenvolvimento da trama e acontecimentos que provocam, contextualizam e justificam a construção e densidade das personagens.
Um jovem, Valdemar, bastante influenciado pelas enigmáticas histórias contadas pelo seu avô, toma as suas dores e procura a vingança – ou redenção – possível. Este procura clara, antiga noiva de Niculau Manuel, seu avô, para que a possibilidade de amor ou de compreensão tardia redima as injustiças que este sofreu. Mas o que Valdemar não sabe, e vai aprender a custo, é que apesar das injustiças aparentemente intencionais sofridas pelo avô, este também escolheu sempre viver como vítima sem tomar responsabilidade pelas suas próprias acções e inacções.
A história de crescimento de Valdemar e de ocaso de Nicolau é uma oportunidade do autor explorar também a história do país durante a ditadura salazarista e de dar voz aos inúmeros presos e torturados pela PIDE, cujas vidas apenas se adivinham e das quais apenas ficou um qualquer registo burocrático, se é que ficou.
Editora: D. Quixote | Local: Alfragide | Edição/Ano: 1ª, Março 2011 | Impressão: Multitipo-AG, Lda. | Págs.: 332 | Capa: Panóplia ® | ISBN: 978-97220-4503-2 | DL: 322235/11 | Localização: BLX PF (80309202)

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