segunda-feira, 7 de maio de 2018

Escrita Em Dia: O que aprendi

Até ao final do ano, a participação num projecto como este Escrita Em Dia [um encontro informal com o escritor em que moderei a maioria das sessões] não passava de um simples wishful thinking. Quando recebi a confirmação da sua realização e do meu envolvimento, fiquei… sem palavras. O que pode não ser uma boa premonição, mas reflecte a minha incredulidade. A mesma que todos nós sentimos quando algo que desejamos, mas sentimos ser inalcançável, se materializa ou realiza. No momento, e agora, só posso agradecer a oportunidade que me foi dada e a confiança demonstrada por colegas e chefia.
Estes últimos meses foram de uma enorme aprendizagem. Deixem-me tentar sintetiza-la:
  • dediquei-me à leitura de autores cujo trabalho não conhecia, o que por si valeu o desafio;
  • reaprendi a estruturar uma entrevista, sempre ciente que depois, na prática, o rumo fica mais nas mãos do autor e do público;
  • procurei atingir uma compreensão pessoal do seu trabalho, sem, no entanto, descurar algumas pesquisas e opiniões de outrem;
  • grande parte do meu nervosismo e ansiedade iniciais não se justificavam, uma vez que os autores têm muito mais prática nestas andanças do que eu;
  • envolver o público é, talvez, a parte mais complexa, uma vez que nem todos têm qualquer intenção de questionar os autores, mas percebe-se perfeitamente o quão interessados estão no diálogo que se estabelece nos encontros;
  • em cada sessão, o público ensinou-me a colocar determinadas questões;
  • é aliciante compreender, em testemunho directo, o processo criativo e de escrita de cada autor. Não há melhor master class;
  • em cada sessão, fica sempre a sensação de que não se perguntou tudo e que ainda havia tanto a esmiuçar.
Poderia ainda enumerar e esmiuçar outras aprendizagens, mas essas ficarão para outras circunstâncias e outras concretizações. Por agora, reitero apenas o desafio e o prazer que esta oportunidade me deu. Resta-me igualmente agradecer a amabilidade e disponibilidade dos autores: Nuno Camarneiro, Patrícia Reis (que infelizmente não se realizou por imprevisto por parte da autora), Bruno Vieira Amaral, João Tordo (que a Rute Teixeira moderou) e David Machado.
Foto de Isabel Monteiro.

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