terça-feira, 17 de julho de 2018

Não escrever é deixar o futuro em aberto


Se tudo correr bem, ao percorrermos um livro obteremos uma série de estímulos que colocará o nosso cérebro perante uma multiplicidade de ideias e pensamentos, mais ou menos articulados, completos ou  coerentes. Idealmente, o livro é um ponto de partida para uma espécie de fogo de artifício criativo, que necessita do seu tempo para assentar e integrar-se em nós. Este assentamento, para mim, dá-se maioritariamente através da escrita e, regra geral, necessito de uns dias para verter para o papel algumas das minhas percepções, entendimentos e conclusões sobre aquilo que leio. No entanto, transcrito no papel acabam por ficar apenas uma ou duas ideias mais gerais, ficando muitas outras apontadas em tópicos em que, na verdade, tarde ou nunca pegarei.
Por vezes lamento que assim seja, mas é assim mesmo que processamos a informação que nos chega: selecionamos o mais relevante ou, por vezes, o mais exequível dentro das nossas circunstâncias do momento, e deixamos num idealizado stand by tantas outras ideias para explorar. Este torna-se um utópico mais tarde que teimamos em não materializar e em que optamos por deixar em aberto possíveis futuros alternativos.

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