Feliz ano velho, Marcelo Rubens Paiva

 

Já há algum tempo que este livro me tinha suscita curiosidade, sem saber dizer porquê. Claro que no rescaldo de ver Ainda estou aqui, fui recuperar esta intenção de leitura, que até há pouco era o único trabalho do autor publicado em Portugal.

Este é o registo autobiográfico de Marcelo Rubens Paiva, que aos 20, num mergulho a pouca profundidade, se vê paralisado e obrigado a reaprender a viver. É sobretudo o relato desse primeiro ano, em que a medicina não dá respostas concretas e a sua mente tem de integrar gradualmente que a sua situação será apenas parcialmente reversível e terá sequelas permanentes. É o relato de um jovem de 20 anos, logo não será o mais literato dos relatos, embora nele circulem diversas referências e um certo pretensiosismo inerente à idade e ao estatuto que a família possuía. Não deixa de ser um relato interessante sobre a perda de autonomia e do esforço e emprenho que requer qualquer tratamento de vise a recuperação de uma lesão medular. Um registo que inevitavelmente comparo com Anda, Diana, de Diana Niepce.

Para quem chega ao livro na sequência de Ainda Estou aqui, não sai defraudado. Embora não seja a base do filme, contém já alguns relatos que depois o autor explorará e coloca-nos já em contato com a história da família, no que concerne ao rapto e assassinato de Rubens Paiva pai.

Editora: Pergaminho | Local: LX | Edição/Ano: Set 1991  | Impressão: Tip. Lousanense | Págs.: 184 | ISBN: 978-989-774-015-2 | Localização: BLX DR5047657 (80324461)


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