quarta-feira, 30 de março de 2016

A Cidadela Branca, Orhan Pamuk

Esta foi a minha segunda leitura deste livro e a minha perspectiva não se alterou em relação à minha primeira impressão.
A acção tem lugar algures no século dezoito, no território da Turquia. Relata a relação entre dois homens fisicamente idênticos, mas intelectualmente diferentes. Sob uma relação de dono e escravo, estes dois homens desenvolvem, ao longo de quase duas dezenas de anos, um desafio que lhes possibilitará assumir a identidade do outro. Estes dois homens são um estudante veneziano escravizado sob a mão de um estudioso turco, às ordens do Paxá e posteriormente do sultão. Essa condição possibilitará um diálogo e conflito constante entre os dois homens sobre temas como religião, física, ciência, cosmovisão, entre outras. 
 Esta leitura fez-me relembrar em determinados momentos O Palácio dos Sonhos, de Ismael Kadaré. Permitiu-me ainda a aquisição de vocabulário especifico sobre a região e a sua organização política. Recorda-me ainda 1348 – Anno domini, de Sérgio Luís de Carvalho, com uma perspectiva igualmente interessante sobre a disseminação da peste. Alguns destes temas são também abordados em O Físico, de Noah Gordon, de que vi apenas a adaptação ao cinema, tal como O homem Duplicado, de José Saramago. Livros que espero ainda a seu tempo ler.


Tradução: Manuela Vaz | Editora: Editorial Presença | Local: Barcarena | Edição/Ano: 2ª, Out. 2006 | Impressão: Multitipo AG, Lda. | Págs.: 181 | Capa: Ana Espadinha | ISBN: 972-23-2604-x | DL: 249400/06 | Localização: BLX Belém 82-31 PAM (80170146)

terça-feira, 15 de março de 2016

Momo, Michael Ende

Esta foi a minha primeira incursão na escrita deste autor alemão, reconhecido pelo seu trabalho para crianças e jovens. Relata-nos as aventuras de Momo, uma criança intemporal, para recuperar e devolver aos homens o tempo que este perdem, ou julgam que ganham, na sociedade moderna, como os seus objectivos de ambição e consumismo. É uma história alegórica, escrita na década de 70, mas totalmente adequada aos nossos dias, que – perdoem-me a pretensão – todos os pais (e não só) deviam ler. Para recuperarmos a magia da infância e percebem onde e/ou com quem queremos desperdiçar ou, melhor, fazer render o nosso tempo. Foi uma descoberta compensadora e a cujo autor voltarei um destes dias.
Subtítulo: A Estranha História dos Ladrões do Tempo e da Menina que devolveu aos Homens o Tempo roubado |Tradução: Mª Margarida Morgado | Editora: Editorial Presença | Local: Lisboa | Colecção: Volta ao Mundo |Ano: 1984 | Págs.: 198 | Ilustrações: Sim | Localização: BLX NC 8 AM/VOL  

quarta-feira, 9 de março de 2016

Irmão, Irmãos, Carlos Drummond de Andrade

Irmão, Irmãos
Cada irmão é diferente.
Sozinho acoplado a outros sozinhos.
A linguagem sobe escadas, do mais moço,
ao mais velho e seu castelo de importância.
A linguagem desce escadas, do mais velho
ao mísero caçula.

São seis ou são seiscentas
distâncias que se cruzam, se dilatam
no gesto, no calar, no pensamento?
Que léguas de um a outro irmão.
Entretanto, o campo aberto,
os mesmos copos,

o mesmo vinhático das camas iguais.
A casa é a mesma. Igual,
vista por olhos diferentes?

São estranhos próximos, atentos
à área de domínio, indevassáveis.
Guardar o seu segredo, sua alma,
seus objectos de toalete. Ninguém ouse
indevida cópia de outra vida.

Ser irmão é ser o quê? Uma presença
a decifrar mais tarde, com saudade?
Com saudade de quê? De uma pueril
vontade de ser irmão futuro, antigo e sempre?

in 'Boitempo'

domingo, 6 de março de 2016

A Livraria, Penelope Fitzgerald


Esta foi a minha primeira incursão na obra desta autora britânica, cujo nome desconhecia, mas cuja temática do livro e a sua reduzida dimensão me chamaram a atenção. As premissas eram interessantes: uma viúva decide abrir uma livraria numa pequena localidade litoral, afrontando assim os planos da lady local para o edifício em questão. Pelo meio decide igualmente apostar na venda de Lolita de Nabokov. E a história fica por aqui mesmo. Não há qualquer exploração do impacto social da leitura desse livro e tudo se resume à ligeira pressão da lady que acaba por levar à sua avante. Não fiquei com curiosidade para conhecer a restante obra da autora e também não é um livro que recomende, nem para passar o tempo.

Tradução: Eugénio Antunes | Editora: Clube do Autor | Local: Lisboa | Edição/Ano: 2011, Agosto (1978)| Impressão: Guide, Artes Gráficas, Lda.| Págs.: ... | Capa: ... | ISBN: 978-989-8452-60-3| DL: 331665/11 | Localização: BLX PF 82-31/FIT (80294673)