segunda-feira, 31 de julho de 2017

natural woman, Sam Shepard

I’ve about seen
all the nose jobs 
capped teeth
and silly-cone tits
I can handle

I’m heading back to my natural woman.

Dizem que partiste...
Obrigada por seres o meu primeiro amor literário.
Contigo aprendi que o silêncio é o maior código do amor.
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Sam Shepard (1943-2017)

A comunidade como factor de expansão pessoal

Há uns dias, o título de uma das diversas newsletters que recebo na minha caixa de correio electrónico chamou-me a atenção: “A real Community Will Stretch you”. Foi escrito por Clinnesha Sibley (penso que uma senhora), que trabalha como professora numa escola chamada Piney Woods, no Mississipi. Estes nomes não nos dirão provavelmente nada, mas a César o que é de César. Ou seja, não cheguei às conclusões que passo a apresentar, mas reconheço-as e identifico-me na sua quase totalidade.
Através da sua experiência como professora, chegou a uma interessante síntese de como identificar a nossa verdadeira comunidade. Para alguns de nós, a(s) nossa(s) comunidade(s) poderão apresentar outras nomenclatura mais consentâneas com a sua dimensão ou âmbito de acção social. Poderá ser a família (alargada), a associação, o hobbie, a escola, o trabalho, a paixão… Seja qual(is) for(em) a(s) nossa(s) circunstância(s), a nossa comunidade é um factor de expansão pessoal, na qual crescemos e ajudamos a crescer.
Eis os 5 factores de identificação de uma comunidade:
1)    Sentirmos-nos deslocados ou dessincronizados com os outros ajuda a reconhecer a verdadeira comunidade quando a sentimos. Este sentimento funciona por vagas. É uma viagem, não um destino.
2)    A comunidade não é falsa. Não soa a falso e não te exige que o sejas.
3)    Ela dá-te as boas-vindas e acolhe-te. Também abre um portal que te permite colocar em prática o que acreditas de coração. É inclusiva.
4)    A comunidade confere um sentimento de conforto, mas não de complacência. É um trabalho gratificante.
5)    A verdadeira comunidade é exigente. Podes até perder alguma elasticidade, mas nunca quedarás ou quebrarás.

Qual(ais) é(são) a(s) sua(s)?

Leitura nos Transportes Públicos #17.07

Julho
1
25 maneiras de gozar a vida sendo uma mulher de 40 a 55 anos, Silvia Adela-Kohan
2
The angel’s game, Juan Carlos Zafon
4
Auto-retrato do escritor enquanto corredor de fundo, Haruki Murakami

A imortalidade, Milan Kundera
5
Duas irmãs, um rei, Philippa Gregory

Os homens são de marte e as mulheres são de vénus, John gray

Menina a caminho, Raduan Nassar
6
Sussurros, Orlando Figes

On beauty, Zadie Smith
7
As primeiras quinze vidas de Harry August, Claire North
11
O islão e o Ocidente, Christopher J. Walker

Amor Líquido, Zygmunt Bauman
12
The great psycotherapy debate, Zac E. Imel e Bruce E. Wampold
13
O espião da Sibéria, Lionel davidson

O retrato de Dorian Gray, Oscar Wilde
17
A valsa esquecida, Ann Enright

A última aventura de Sherlock Holmes, Arthur Conan Doyle
18
História de quem vai e de quem fica, Elena Ferrante

Cenas da vida americana, Clara Ferreira ALves
19
Fazes-me falta, Inês Pedrosa

O caderno das piadas secas, Pedro PintoJoão Ramalhinho e Gonçalo Castro
20
Quando Lisboa tremeu, Domingos Amaral

A Hora da partida, Catarina Canelas

The library book, vvaa
21
Os tambores de S. Luís, Josué Montello

Viver para conta-la, Gabriel Garcia MArquez

O último voo do flamingo, Mia Couto
22
Ganhar em bolsa, Fernando Braga de Matos 

Cosa Nostra. Eric Fratini

Sussurros ousados, Emma Wildes

24
Baunilha e Chocolate, Sveva Casati Modigani

Para aquela que está sentada no escuro à minha espera, António Lobo Antunes

Words of radiance, Brandon Sanderson

Caixa de sapatos, Carpinejar
25
A vingança do assassino, Robin Hobb

Vaticanum, José Rodrigues dos Santos
26
A Chave de Salomão, José Rodrigues dos Santos
27
Nada menos que tudo, Afonso Noite-Luar

O  tempo entre Costuras, Maria Dueñas
28
A morte do Pai, Karl Ove Knausgård

Crime e Castigo, Dostoievski

A bela e o vilão, Julia Quinn
31
O homem mais inteligente do mundo, Augusto Cury

sexta-feira, 28 de julho de 2017

Comunidades de leitores: Programação ou calendarização?

Quando insistimos na inclusão dos participantes das comunidades de leitores nas escolhas dos livros a ler temos de estar conscientes de que esta pode dificultar o estabelecimento de um programa de leituras, por oposição a uma calendarização de sugestões. Então, de que falamos quando falamos de programação e/ou calendarização?

De forma muito simples, a programação é a definição de um conjunto de iniciativas que, através de uma ligação subjacente, tem como objectivo a sensibilização para ou a compreensão de uma temática. Já a calendarização é o agendamento de iniciativas, à partida, sem qualquer ligação entre si.

Enquanto mediadora de leitura, ser-me-ia mais fácil estabelecer um programa de leituras, devidamente fundamentado do ponto de vista teórico e de enquadramento institucional. E faço-o, mas para os públicos infantis e juvenis ou na fase inicial de um projecto, em que se tem que avançar com uma proposta e ainda sem participações. Mas, enquanto dinamizadora de uma comunidade de leitores para um público adulto e que quero participante e incluído no processo de seleção, o resultado final poderá não ser necessariamente coerente ou passível, de a priori, estabelecer um elo de ligação, que não o da própria leitura num dado espaço e tempo.
Já tive a experiência de programação, quando em 2013 desenvolvi e implementei o projecto Leituras na Juventude. Sendo que o mesmo se na Casa da Juventude, na Tapada das Mercês, Sintra, e como considero que os espaços de acolhimento e/ou desenvolvimento devem reflectir-se no conteúdo de um projecto, ainda que este não pareça ter uma ligação óbvia ao espaço em si, a linha orientadora foi de abordar obras de jovens escritores ou em que as personagens principais fossem jovens. Confesso que é um exercício aliciante e desafiante.
Na Comunidade de Leitores da Penha de França essa “programação” não tem sido possível. Mas isso não me deixa minimamente desmotivada. Porque, pelo contrário, sinto uma participação activa nesta seleção e que se reflecte depois também na adesão nas sessões. É claro que esta selecção também pode ser “orientada” em determinado sentido. Mas só vale a pena fazê-lo de uma forma transparente. Ou seja, sob a forma de um desafio: e se, este ano/trimestre, lêssemos tal tema ou tal estilo? Como fazemos questão em que os títulos estejam disponíveis na nossa rede de bibliotecas, e dado o número de participantes, isso podemos apresentar-nos alguns condicionantes em termos de coerência programática. Mas, por vezes, há surpresas.

Ao fixar as leituras para 2017/2018 (Setembro a Junho), através da maioria de votos a partir de uma selecção prévia de cerca de 40 autores/livros, foi com grata surpresa que verificamos a preferência por autores nacionais. Os autores estrangeiros, são apenas 3, sendo dois lusófonos. E como organizar estas leituras? Da forma mais simples possível: cronologicamente. Gradualmente, um dos pontos de debate nas sessões poderá ser uma análise evolutiva de estilos e temas, percebendo as semelhanças e diferentças entra autores das sucessivas gerações. Poderá não ser a mais deslumbrante abordagem, mas ainda assim é uma abordagem válida. E com isto, quero apenas constatar que, sejam quais forem as escolhas dos nossos participantes e companheiros de leitura, é quase sempre possível encontrar uma linha orientadora entre as mesmas. 

quinta-feira, 27 de julho de 2017

Opiniões, sentimentos, impressões e vaginas

Sinto-me frequentemente dividida entre sentimentos, impressões e opiniões contraditórios e, até, aleatórios. A meu ver, a emissão de uma opinião pressupõe um conhecimento mínimo que permita produzir um juízo fundamentado sobre determinado assunto. Qual o nível mínimo de conhecimento, não sei ao certo aferir e sei que poderá não ser um mínimo reconhecido ou exigidos pelos demais. Por isso, costumo iniciar qualquer manifestação com “a minha percepção”. Ou seja, a manifestar a impressão que me causam certas situações mas que tenho a consciência de que poderá ser parcial e/ou incompleta. É um estado intermédio entre a opinião e o sentimento. Todos somos capazes de ser tocados por situações, mesmo não sabendo a sua génese, nem ter a mínima noção do que poderia ser uma solução ou uma contribuição para tal. Essas situações fazem-nos sentir maioritariamente tristeza, impotência e injustiça.
E as vaginas? Perguntam vocês. No final da década de ’90, Herman José popularizou diversas personagens e alguns dos seus chavões entraram na nossa gíria. Um desses personagens era Rute Remédios, conhecida sexóloga e mãe do inenarrável Diácono Remédios. Uma das frases históricas da dra. Rute era “As opiniões são como as vaginas. Cada um tem a sua e quem quiser dá-la, dá-lá!
E o meu ponto é este: sim, tenho opiniões, impressões e sentimentos. Sim, demasiadas vezes são aleatórios ou, sobretudo, contraditórios. E, apesar da minha liberdade para os manifestar, prefiro não o fazer. Ou prefiro não o fazer na hasta pública. Prefiro pronunciá-los nos locais e às pessoas que considero relevantes ou adequadas. Evito incorrer no diz que diz e no bate boca que não leva a nada e que pulula nas nossas redes sociais. À parte este texto, ainda considero que o silêncio é o melhor remédio.
Voltando às vaginas. A minha é minha. Mostro-a quando, onde e a quem eu quiser. E mesmo que haja alguma curiosidade, ninguém tem nada a ver com isso, pois não? É a minha opinião!

Fontana

quarta-feira, 26 de julho de 2017

Os loucos e as bibliotecas II

Quem nunca o fez que atire a primeira pedra. Mas a verdade é que muitos dos utilizadores da(s) nossa(s) biblioteca(s) ganham alcunhas que, para além de qualquer eventual comicidade, encerram em si realidades cuja profundidade e complexidade desconhecemos. São diversas situações de exclusão perante as quais nos sentimos impotentes e sem ferramentas para ajudar em tempo real. E, mesmo quando pedimos colaboração a serviços teoricamente mais aptos, a sua resposta é lenta ou até inexistente.
Que percurso de vida levou o Viking, a Girafa, o Barretes, o Elfo, o Gadelhas e o Tosses a encontrarem na rua ou em casas abrigo o leito das suas noites? E se o turismo trouxe mais vida à cidade, também trouxe mais línguas aos seus sem-abrigo. E A Nossa Amiga que recorre quase diariamente à WC da biblioteca para a sua higiene. Que frustrações e injustiças terão levado à paranóia e mania da perseguição da Sra. das Autarquias, do Bolinhas e da Sra. do Anti-Virús? Como podemos ajudar as diversas mães coragem que se tentam manter à tona sem trabalho e com filhos a cargo e cujos país há muito abandonaram o barco? Estes são apenas algumas pessoas que diariamente nos escolhem para aligeirar os seus dias.

Não somos insensíveis às suas debilidades, mas, na maioria das vezes, não temos as respostas necessárias para as ajudar a colmatar. Claro que as procuramos, mas também sentimos a indiferença ou falta de prioridade dos serviços competentes. Uma das possibilidades seria as bibliotecas fazerem parte das redes sociais das juntas de freguesia da sua área de actuação. Algumas farão e isso pode ser uma ajuda no sentido de perceber as respostas disponíveis e os agentes de ligação, ou seja, os técnicos no terreno. E a vossa biblioteca, que respostas encontrou para algumas destas situações?


terça-feira, 25 de julho de 2017

Não escrevo para me expor, Fabricio Carpinejar

Não escrevo para me expor, mas transpor o escrito,
Reavivar a matéria-morta. As palavras, como peras,
Perecem ao toque. E é tarde para não mastiga-las.

Palavras e palavras, destruíram as que me dariam significado.

Mudei de endereço e nenhum sinónimo me localiza.


segunda-feira, 24 de julho de 2017

Caixa de Sapatos, Carpinejar

“escrevo para ser reescrito.
Depois de morto, tudo pode ser lido.” (p.60)
Por vezes, muitas das vezes, perco a noção de como chego a determinado livro: uma recomendação, uma citação, um programa, uma qualquer listagem… são várias as formas de chegar, embora considere mais importante a partida. Como agora parto é o que resta aferir, pois, embora não sinta um deslumbre por esta escrita, certamente me identifiquei com ela. Sinto que muitas das frases apresentadas poderiam, a seu tempo, ser escritas por mim.
“Condiciono os meus amores a uma expectativa.
Mas é exactamente ela que me impede de ser real.” (p. 43)

Editora: Edições Quasi | Local: V. N. Famalicão | Colecção: Biblioteca “Arranjos para assobios” | Edição/Ano: 1ª, Fev. 2005 | Impressão: Papelmunde | Págs.: 74 | ISBN: 989-552-071-9 | DL: 222010/04 | Localização: BLX Gal DL 081951 (80119157)

domingo, 23 de julho de 2017

Entardeço sem ênfase, Fabricio Carpinejar

Entardeço sem ênfase.
Não sei fechar um livro
Ou vedar uma frase.

As confissões são inventadas.
Meus personagens foram maiores

Do que o enredo.



sexta-feira, 21 de julho de 2017

Rentabilização de leituras

Recentemente, questionaram-me: Quando defines as leituras da Comunidade, já leste os livros todos? Nenhum? Ou alguns?
Das várias experiências que já tive enquanto dinamizadora, nunca me aconteceu já ter lidos os livros todos a priori. Aliás, nunca tive essa pretensão, uma vez que considero que um dos factores de identificação com os participantes é estar também ao seu nível. Ou seja, não saber o que se espera de um livro ou o que se poderá encontrar de profundamente pessoal nas suas páginas. A sinceridade da descoberta simultânea.
A situação contrária, não conhecer nenhum dos livros propostos, deu-se recentemente ao fixar as leituras para o próximo ciclo da Comunidade da Penha de França, quando constatei que todos os livros serão novidade para mim e que apenas percorri obras de três dos autores. Ou seja, este ciclo será de uma grande descoberta e o meu percurso, em relação ao dos restantes participantes, só irá variar nos timmings de leitura, porque alguns lerei antes das datas limites definidas.
A experiência habitual, se possível, é, no entanto, tentar rentabilizar algumas leituras anteriores. Até porque nunca seu qual será a minha circunstância de leitura durante o ciclo que se segue. Se possível, tento “precaver-me” com uma leitura de avanço por trimestre. Pode não parecer muito, mas, por vezes, é o suficiente para evitar a sensação de leitura obrigatória que nos assola de quando em quando. 


quinta-feira, 20 de julho de 2017

The library book, vvaa

Esta é uma edição promovida pela Reading Agency, agência britânica para a promoção da leitura, que visou a angariação de fundos para o desenvolvimento e continuação de projectos de promoção da leitura e literacias. É composto por pequenos textos de autores das mais diversas áreas, com particular ênfase na literatura.
As maioria dos relatos são registos da experiência pessoal dos seus autores enquanto utilizadores de bibliotecas públicas e um louvor à sua capacidade como agente de promoção da igualdade de oportunidades, de segurança intelectual, física e de aceitação, contribuindo para a auto-estima e auto-conhecimento dos seus beneficiários. Há apenas 2 registos ficcionais e o meu destaque vai para o texto de Julian Barnes com um visão distópica de uma sociedade futura em que, suprimido o objecto livro, permanece o livro humano. Um belo conto com reminiscências de Farenheit 451.
Mas o texto que mais interesse me suscitou é da autoria de Seth Godin, intitulado “The future of library”. Sob a premissa “what is a public library for?”, Godin começa por traçar uma breve história da biblioteca. Primeiro um repositório de livros com interesse em serem partilhados, depois a casa do bibliotecário. E é sobre este que autor põe a tónica para o futuro deste espaço, pois é a ele que cabe o desafio de descobrir formas criativas de encontrar e utilizar a informação. E o apresenta como a pessoa, o técnico com a capacidade e a função de produzir, dar a conhecer, estabelecer ligações, ensinar e empreender. Ou seja, uma função longínqua da tradicional, mas ainda habitual, de organizar, arrumar e recuperar informação. O novo desafio das bibliotecas passa pela capacidade dos seus técnicos se reinventarem e darem de retorno às suas comunidades os seus aprendizados, colmatando as suas novas, incessantes e, ainda, desconhecidas necessidades: “take the world of data, combine it with the people in this community and create value.” (p.49)

Editora: Profile Books | Local: Londres | Edição: 2012 | Impressão: Clays | Págs.: 192 | ISBN: 978-178-125-005-1 | Localização: CP SM

segunda-feira, 17 de julho de 2017

Qual o perfil de um dinamizador de comunidades de leitores?

Já aqui escrevi sobre o meu processode dinamização de uma sessão de Comunidade de Leitores. No entanto, também me parece útil elencar e explicar algumas características que considero úteis a um dinamizador. Estas características não inatas a todas as pessoas, mas na sua maioria são capacidades que se desenvolvem com empenho e vontade. Juntei-as em pares, pois parece-me que algumas noções são indissociáveis e mais fáceis de explicar na sua dinâmica.
+ Gosto & Compromisso. No ensaio “Este vício ainda impune”, Michel Crépu afirma que a leitura pode ser “O descanso como forma de trabalho? Trabalho como forma de descanso.” Dinamizar uma comunidade de leitores deve ser um trabalho feito com gosto, porque esse prazer que, à partida, devermos retirar da leitura deve transparecer e é um dos elementos agregadores de um grupo de leitores e que o vai transformar nessa comunidade ideal. Mas haverá momentos da nossa vida pessoal e profissional em que a preparação das sessões será complexa. Aí, tem de entrar em cena o compromisso. É ele que nos vai fazer ler livros que afinal não serão tão aliciantes como julgávamos ou nos fará encarar um livro quando o nosso ânimo simplesmente não está para lá virado. É o que acontece em todas as relações. É fácil dizer que é simples ler um livro por mês. Contabilisticamente sim. Mas a leitura além de um gosto por vezes é um grande investimento sentimental e temporal, para o qual devemos estar preparados. E nem sempre a nossa vida, nas suas diferentes facetas, se coaduna com esta predisposição.
+ Pesquisa & Síntese. Não é obrigatório que um dinamizador seja especialista em, p. e., literatura, que é o género habitualmente lido. Mas, como em qualquer área, devemos preparar-nos o melhor possível. Não sabemos, pesquisamos. E, actualmente, o que não falta são partilhas de informação na internet que podem ser óptimas ferramentas de apoio. Depois, é claro, é necessário chegarmos as nossas conclusões e às nossas sínteses. Sem qualquer receio de que estas não sejam maioritárias ou correspondentes a tendências.
+ Capacidade de expressão & Escuta Activa. Nas sessões, deparamo-nos com as mais variadas opiniões e também com a incapacidade dos participantes de organizarem as suas opiniões e impressões de forma inteligível. Cabe-nos, enquanto dinamizadores, não perder essas participações igualmente válidas. Então, tem de entrar aqui o nosso papel de mediador em que, primeiro, temos de saber ouvir “nas entrelinhas” e depois ajudar a encontrar as palavras mais adequadas.  
+ Humor & Assertividade. Duas ferramentas essenciais para dar a volta e pôr um fim a questões mais sensíveis.
+ Autenticidade & Transparência. Se por algum motivo não gostamos das obras que lemos ou até, nesse mês, não a lemos. Não adianta fingir (a não ser que seja uma óptimo actor, e eu não sou). A nossa experiência de leitura sendo única, muitas vezes não difere assim tanto da dos outros leitores. Achamos a histórias e as estratégias do autor incoerentes. Ora aí está um tópico de debate. A leitura foi difícil. Porquê? Outro tópico. Como é que se chegou a este autor pela primeira vez? Quais as nossas resistências e as nossas preferências? Quais os contextos de leitura? São tudo questões que podem ajudar a dinamizar a sessão. E quanto mais autênticos e transparentes formos com as nossa opiniões e impressões, mais facilmente ganhamos a confiança e o à vontade dos participantes.

segunda-feira, 10 de julho de 2017

Ciclos

anos lectivos, anos civis, aniversários
semestres, trimestres, messes, semanas
somos circunscritos pelos mais variados ciclos cronológicos
mas os mais importantes, os do coração
não tem um calendário óbvio ou igual para todos

estamos sempre a começar e a terminar ciclos
a viagem ora termina ora começar ora se sobrepoe
começamos antes de terminar
terminamos para não começar
começamos para terminar
começamos e não terminamos

há tantas possibilidades e tantos ciclos que se cruzam
que me admira não andarmos ainda mais desorientados
que norte, que sul

que direcções tomar, que paragens, que saídas