sexta-feira, 29 de abril de 2016

O Fim de Semana, Bernhard Schlink

Esta é a minha segunda incursão na escrita de BS, cujo O Leitor, que será tema de conversa da Comunidade de Leitores da Biblioteca da Penha de França no próximo dia 25 de Maio, me deixou uma boa impressão e vontade de conhecer outras obras do autor.
Nesta obra, o autor aborda o passado terrorista da Alemanha nas décadas de 70 e 80, através de um personagem que, após cerca de 24 anos de prisão por assassínio e actos terroristas, é libertado e passa o seu primeiro fim de semana de libertação com um conjunto de amigos dessa época. É a oportunidade para reflectir sobre os ideais de juventude, sobre legitimidade da violência, sobre a eventual acomodação aos valores sociais vigentes, sobre as diferentes visões e percursos de vida de pessoas que, a determinado momento, partilharam valores e ideologias.
Comparando com O Leitor, há temas recorrentes, como: o impacto das decisões e paixões de juventude no desenvolvimento da personalidade e suas consequências na vida adulta, o questionar da legitimidade da violência e do assassinato como meio de combate ideológico e social, e o trauma alemão e o confronto geracional entre esta geração e aprecendente, que operacionalizou o Holocausto.
BS tem uma escrita acessivel e apelativa e as questões que coloca (n)as suas personagens fazem-nos parar e ponderar. Mesmo que não cheguemos a quaisquer respostas. Por isso, é o autor ao qual voltarei futuramente.

Tradução: Fátima Freire de Andrade (a partir do alemão) | Editora: Asa | Local: Alfragide | Edição: 1ª | Ano: 2010, Setembro | Impressão: Multitipo, AG, Lda. | Págs.: 192 | Capa: Ideias com Peso | ISBN: 978-989-23-1001-3| Localização: BLX Cam 82-31/SCH (80298724)

quarta-feira, 20 de abril de 2016

A arte da guerra no storytelling, James McSill

Sendo a escrita uma das minhas áreas de interesse, dedico-me regularmente a leituras que me possam dar mais algumas perspectivas sobre este oficio, tais como a da escrita criativa e do storytelling, entre outras. Desta leitura, destaco a definição de storytelling (a utilização dos princípios milenares inerentes às histórias como arma ou instrumento de transformação, p. 17) e a sua sistematização (envolvimento da audiência, gestão de mudanças de comportamento e reacção do publico, utilização de uma linguagem simples e directa, mensagens subjacentes ou inerentes). Desta forma, o autor dá-nos algumas ferramentas e exercícios para demonstração e compreensão pela prática do funcionamento e potencial do storytelling. Perante isto, só falta meter mãos à massa. (O que é sempre o mais complicado.)

Editora: Topbooks | Local: Lisboa | Edição/Ano: 2014 | Impressão: Guide Artes Gráficas, Lda. | Págs.: 158 | Capa: Addmore Branding | ISBN: 978-989-706-105-9 | DL: 382400/14 | Localização: BLX NC 316.46 MCS

terça-feira, 12 de abril de 2016

O Tempo dos Amores Perfeitos, Tiago Rebelo

Esta foi a minha segunda incursão na escrita de Tiago Rebelo. E foi uma segunda oportunidade que resolvi dar, após a leitura inócua de Um Romance em Amesterdão. Optei por um romance histórico, na expectativa que me oferecesse uma visão mais profunda de uma época e das suas personagens. Infelizmente, a experiência de leitura permaneceu inócua. O resultado é que dificilmente voltarei a este escritor.
A história é baseada na figura real de Carlos Montanha, tenente do exército português enviado para Angola, no final do século 19, para integrar as forças de combate aos movimentos autóctones contra a colonização portuguesa. Na viagem de barco militar, segue a família de um general lá colocado e enamora-se da sua filha Leonor, uma jovem de 20 anos, que não se revê nas expectativas familiares e sociais para uma jovens da sua idade. Entre o tenente e o general gera-se um conflito e Leonor, ao tomar partido de Carlos, e face às condições climatéricas adversas, spoiler alert, acaba por perder a vida.
A história daria uma boa adaptação à televisão, pois tem todos os elementos para ocupar duas horas de entretenimento. Como romance, as personagens não possuem qualquer densidade psicológica e são meramente descritas por um narrador com uma visão externa. Segundo o autor, os pormenores históricos são reais, embora o romance entre as personagens seja imaginado. Ainda bem, senão, pobre da moça...

Editora: Editorial Presença | Local: Queluz de Baixo | Edição: 3ª | Ano: 2006, Dezembro | Impressão: Multitipo, AG, Lda. | Págs.: 420 | Capa: Ana Espadinha | ISBN: 972-23-3678-9 | DL: 252111/06 | Localização: BLX BMRR 82P-31/REB (80174537)

segunda-feira, 11 de abril de 2016

Serpentina, Mário Zambujal

Esta foi a minha primeira incursão na escrita de Mário Zambujal e à qual não voltarei tão cedo. Ao ler esta Serpentina deparei-me com uma história simplista para uma tarde leve de praia. E ainda que saiba bem uma leitura leve para descomprimir de outra, esta não me acrescentou em nada.
É uma novela picaresca em que um protagonista blasée procura o seu sonho de mulher, envolvendo-se pelo intermeio numa intriga, que até me faltam as palavras para classificar.
Um deste dias dou oportunidade a outra obra do autor.
Editora: Clube do Autor | Local: Lisboa | Edição: 3ª| Ano: 2014, Novembro | Impressão: Multitipo, AG, Lda.| Págs.: ... | ISBN: 978-989-724-1765| DL: 383840/14 | Localização: BLX PF ROM ROM-EST ZAM (80327732)

sábado, 9 de abril de 2016

O meu irmão, Afonso Reis Cabral

Dando continuidade ao meu objectivo de ler todos os livros vencedores do Prémio Leya, a mais recente escolha recaiu sobre O meu irmão, de Afonso Reis Cabral. Este relata a vivência de uma familiar em cujo seio nasceu um rapaz com trissomia 21, vulgo mongolismo. Tornando-se o centro das atenções parentais, quando estes morrem impõe-se aos irmãos (quatro mulheres e um homem) a decisão sobre o seu futuro. É nesta circunstância, que António resolve chamar a si a responsabilidade de ficar com o irmão, não numa atitude altruísta e de devoção fraternal, mas por um sentimento egoísta de evitar a sua própria solidão, levando a uma viagem de emoções e sentimentos, por vezes, contraditórios.
Fiquei com alguns mixed feelings sobre esta obra, não obstante o saldo ser positivo. Primeiro, pela positiva: uma primeira obra de um autor de 24 anos que revela já uma maturidade de escrita é um bom augúrio para uma carreira literária futura; o tema da deficiência mental, creio que tão poucas vezes abordado, ainda que, sobretudo, pela perspectiva do irmão, é sempre um factor de reflexão, que inevitavelmente nos aproxima do outro; o tema da solidão, explorado em várias situações, levadas ao limite. Segundo, menos positivo: a estruturação da obra nas suas diferentes opções gráficas, cuja intenção não é perceptivel e parece somente uma opção estética.

Editora: Leya (Prémio Leya 2014) | Edição: 3ª | Ano: 2015, Janeiro | Impressão: Multitipo, AG, Lda.| Págs.: 365 | Capa: Rui Garrido | ISBN: 978-989-660-344-1 | Localização: BLX Cor ROM ROM-POR CAB (80264336)

terça-feira, 5 de abril de 2016

O Romancista Ingénuo e Sentimental, Orhan Pamuk

Este livro não é um romance. É o registo do romance pelos olhos do romancista. A síntese que corporiza uma arte poética em sentido lato ou uma arte do romance, uma vez que esse o objeto de estudo e de exercício artístico.
O livro resulta da colação das palestras “Charles Eliot Norton” proferidas pelo autor em 2009, na Universidade de Harvard. Nele expõe a sua forma de ver e escrever o romance, contrapondo sempre uma perspectiva histórica da origem e evolução do romance, bem como dando enfase ao modo como, enquanto leitores, nos identificamos, sentimos e agimos nas nossas esferas social, política e pessoal, em função do seu impacto.
Em jeito de síntese, e explicitando o titulo da obra, o autor apresenta duas formas basilares de encarar o romance. A forma sentimental, de acordo com Schiller, na qual se encontra “um estado de espírito que se afastou da simplicidade e do poder da natureza e ficou demasiado envolvido nas suas emoções e nos seus próprios sentimentos”. E a forma ingénua, que vê o “romance oitocentista balzaquiano como um modelo natural a seguir e o aceitavam sem nunca o questionarem.
É um livro interessante não só para quem se dedica ao estudo da literatura, mas também para quem se aventura na sua escrita.

Tradução: Álvaro Manuel Machado | Editora: Editorial Presença | Local: Barcarena | Edição/Ano: 1ª, Março 2012 | Impressão: Multitipo Artes Gráficas, Lda. | Págs.: 144 | ISBN: 978-972-23-4801-94 | DL: 340151/12 | Localização: BLX Oli OUT-GEN OUT-GEN EST PAM (80316519)

sexta-feira, 1 de abril de 2016

O fim do alfabeto, CS Richardson

A vida continua. A morte continua. O amor continua. (p. 63)


Resultado de imagem para o fim do alfabetoAmbrose Zephyr é criativo numa agência de publicidade. Zappora ashkenazi, sua mulher, é cronista de moda. São um casal sem filhos, mas com a vida que desejam. Até que são confrontados com a notícia da morte (demasiado) próxima de AZ. Então, encetam um périplo alfabético de cidades europeias, a meio do qual percebem que mais importante do que a geografia física é a geografia sentimental da sua relação e que apenas essa é necessária. O périplo geográfico será concluído apenas por ZA, que encontra neste o sentido do seu luto.
É um livro pequeno, com uma ideia interessante. Mas o tratamento não deixa de ser superficial e tenho uma certa curiosidade em perceber como poderia ser tratado com mais profundidade, mas isso daria um outro livro. Quiçá mais apelativo.

Tradução: Maria do Carmo Figueira | Editora: Editorial Presença | Local: Lisboa | Edição: 1ª | Ano: 2009, Dezembro | Impressão: Multitipo AG, Lda. | Págs.: 92 | Capa: Filipa Costa Félix | ISBN: 978-972-23-4273-5 | DL: 302188/09 | Localização: BLX PF 82-31 RIC (80283226)