domingo, 22 de maio de 2016

#3 @ 103/1003

 Já tenho a alma tatuada
de ausências e de amor
todas as marcas de que necessito
são os sulcos das lágrimas
e os vincos dos sorrisos
que me iluminam

o hoje e o amanhã

domingo, 8 de maio de 2016

Achava que tinha de contar a história pelo início para me (fazer) compreender. Agora, acredito que a única forma de o fazer é começando pelo agora, pelo que é e recuando na história. Mesmo que o recuo seja impossível na vida.
Duvido até que haja alguma serventia em recuar. Em ruminar o passado.
Será talvez melhor olhar o futuro sem pesos, mágoas ou angústias. Gostaria de me libertar, leve rumo ao amanhã, mas talvez seja um passo para o qual ainda não esteja pronta.
Não. Ainda há tudo o que, ficando trás, deixa rasto e cicatriz. Invisíveis, mas sensíveis ao toque do coração.

sábado, 7 de maio de 2016

As Esquinas do Tempo, Rosa Lobato de Faria

Esta é a minha segunda incursão na escrita desta autora portuguesa, cuja obra O Prenúncio das Águas me deixou a impressão de que é uma autora subvalorizada.
Neste As Esquinas do Tempo, RLF explora a premissa da viagem no tempo, através de uma protagonista que, num dado dia de 2008, acorda e se vê na papel de uma antepassada em 1908, e que também ela se vê transportada cerca de século e meio para a perseguição imposta pelo Marquês de Pombal aos Távora.
Esta premissa é a oportunidade da autora abordar o papel da mulher ao longo dos séculos, bem como o amor e a paixão eram e são vividos em diferentes períodos e se, eventualmente, há sentimentos que se repercutem além da morte, através de outras vidas. A autora não resolva todas as questões que coloca e há personagens que simplesmente aparecem e que não têm qualquer seguimento ou cujas pontas são atadas. Nesse aspeto, o romance não me convenceu por completo. No entanto, algumas das reflexões de RLF sobre o tempo e como é que este, eventualmente, se desenrola são interessantes e proporcionam diversos momentos de prosa poética. Assim, continua a ser uma autora cujo trabalho quero continuar a conhecer e que recomendo.

Editora: Porto Editora | Local: Porto | Colecção: 11/17 | Ano: 2014, Abril | Impressão: Bloco Gráfico, AG | Págs.: 240 | ISBN: 978-972-0-77504-7 | DL: 372408/14 | Localização: BLX OR ROM ROM-POR FAR (80353221)

sexta-feira, 6 de maio de 2016

O Vaso de Oiro, ETA Hoffmann

O género fantástico não me atrai. No entanto, no âmbito do ciclo E Se As Histórias Fossem Verdadeiras, levado a cabo na Biblioteca de S. Lázaro, fiz uma incursão nesta obra deste autor incontornável do género. Não apreciei a obra. Aliás, toda a minha leitura era acompanhada do pensamento: este tipo devia deixar as drogas. Pois todo o enredo parece uma alucinação e não nos consegue transmitir a ideia e o contexto de uma vivência alternativa munida de coerência interna. O autor parece juntar uma série de simbologias clássicas e místicas e misturar tudo num grande caldeirão, do qual depois sai esta história, que talvez devido à sua brevidade, não consegue transmitir-me uma ideia de construção, mas apenas de amálgama. Creio que em certos momentos, a tradução também não será bem conseguida, contribuindo igualmente para este desconforto de leitura.
A história acompanha a aventura fantástica do estudante Anselmo, que se apaixona por uma serpente auriverde, descendente de habitante do mítico reino de Atlântida.
Pelo meio, o autor faz a apologia da poesia como forma de revelação profunda da harmonia sagrada entre todos os seres (p. 108) e de que o pensamento, e consequente conhecimento, são os únicos elementos transformadores da humanidade. Mas como estas ideias e conceitos, apesar de aliciantes, também não são devidamente explorados, fica aqui também uma sensação de aquém.
Tradução: Maria Osswald | Editora: Vega | Local: Lisboa | Colecção: Outras Obras | Ano: 1988 | Impressão: IAG – AG, Lda. | Págs.: 110 | Capa: Zé Paulo | DL: 21354/88 | Localização: BLX It 82-34 HOF (135363)