sábado, 30 de dezembro de 2017

Leituras nos Transportes Público #12.17

Dezembro   
3
4
Não se pode morar no solhos de um gato, Ana Cristina Carvalho
6
A ilustre casa de Ramires, Eça de Queiroz

Duas mulheres, dois destinos, lesleye pearse

he New Topping Book [Dossie Easton, Janet Hardy
7
12
Casado até segunda, Catherine Bybe

O regresso da primavera, Sveva Casati Modignani 

As avenidas periféricas, Patrick Modiano
17
Por este mundo acima, Patrícia Reis
18
O edifício de pedra, Asli Erdogan
27
Um violino na noite, Jojo Moyes
28
1Q84, Haruki Murakami
29
O leão, Nelson DeMille

Dezembro, Elizabeth Winthrop
30
Origem, Dan Brown

sexta-feira, 29 de dezembro de 2017

2017: Balanço de leituras

Inicio cada ano com perspectivas de leitura que se vão alterando ao longo do mesmo. Ainda bem, porque, regra geral, significa que se intrometeram novos desafios pelo meio. Isso significa igualmente algumas desistências, o que também faz parte do processo. Mas nunca se sabe, talvez as retome… um destes dias… sem stress.
Em termos gerais, destaco três tendências – há falta de melhor - de leitura este ano:
- o poder e o impacto da leitura;
- a (des)condição feminina;
- (mais) autores nacionais.

Foi um bom ano de leituras. E 2018? Apresenta-se extremamente promissor!

quarta-feira, 27 de dezembro de 2017

Precisão, Clarice Lispetor

O que me tranquiliza
é que tudo o que existe,
existe com uma precisão absoluta.
O que for do tamanho de uma cabeça de alfinete
não transborda nem uma fração de milímetro
além do tamanho de uma cabeça de alfinete.
Tudo o que existe é de uma grande exatidão.
Pena é que a maior parte do que existe
com essa exatidão
nos é tecnicamente invisível.
O bom é que a verdade chega a nós
como um sentido secreto das coisas.
Nós terminamos adivinhando, confusos,
a perfeição.

terça-feira, 26 de dezembro de 2017

Sugestões de livros para Comunidades de Leitores: premiados com o Nobel da Literatura

Desde que estou na dinamização da Comunidade de Leitores da Penha de França que um dos desafios que coloquei aos participantes é ler, pelo menos, um livro de um autor laureado com o Prémio Nobel da Literatura. Já a nível pessoal, procuro ler anualmente três autores agraciados com este prémio, cuja escrita ainda desconheça.
Como todos os prémios, não premeia todos os autores que consideramos meritórios. Mas, concordemos ou não com os critérios e/ou as escolhas, a verdade é que nos permite conhecer autores e obras que nem sempre ultrapassam todas as fronteiras.
Nos últimos anos, estes são alguns dos nobilizados que li:
Camilo José Cela (1989)
Justificação da Academia: "por uma prosa rica e intensa, que com compaixão contida forma uma visão desafiadora da vulnerabilidade humana"
Nadine Gordimer (1991)
Justificação da Academia: " que pela sua magnífica escrita épica trouxe - nas palavras de Alfred Nobel - um grande benefício para a Humanidade"
Herta Müller (2009)
Justificação da Academia: " com a densidade da sua poesia e franqueza da prosa, retrata o universo dos desapossados"
Tomas Tranströmer (2011)
Justificação da Academia: " que, pelas suas condensadas e translúcidas imagens, nos dá um novo acesso à realidade"
Svetlana Alexijevich (2015)
Justificação da Academia: " pelos seus escritos polifônicos,um monumento ao sofrimento e à coragem em nosso tempo"

sábado, 23 de dezembro de 2017

Sugestões de livros para dinamizadores de Comunidades de Leitores

Para mim, uma parte importante da promoção e dinamização de uma Comunidade de leitores, ou da leitura em geral, passa pela desmistificação da própria leitura, tornando-a um acto acessível e de partilha. Cabe a nós, dinamizadores, acolher, amparar e orientar essa partilha. Para tal, há que perceber as motivações e os efeitos que a leitura pode provocar. Só assim podemos desempenhar o nosso papel da melhor forma.
Alguns dos livros, não académicos, que me deram mais ferramentas para este processo são:
Há livros que se revelam uma pequena surpresa. Seja porque avançamos suavemente pelas suas páginas, seja porque nos identificamos com o seu conteúdo. E neste livro senti uma dupla identificação. A mais óbvia, para quem me conhece quotidianamente, é o da minha paixão por Clubes de Leitura/Comunidades de Leitores.
Sabem aqueles livros que gostaríamos de ter escrito? Este é um deles. Não por falar de livros, o que à partida era meio caminho andado. Mas pelo modo como estes nos são apresentados. Os autores defendem que a leitura de livros, na sua imensidão de géneros e autores, deve, como qualquer dieta alimentar, ser variada e equilibrada.
Este é um livro interessante. Sobretudo para que tem ainda algum tipo de pruridos ou vergonhas sobre o seu percurso leitor. Mesmo que as ideias defendidas não sejam exactamente novas, poderão ter sempre a benesse de apaziguar alguns receios.
Remédios Literários, Ella Berthoud & Susan Elderkin
A experiência de biblioterapia que aqui se propõe baseia-se na experiência das autoras com pacientes — e é apoiada por uma avalanche de provas empíricas. Para cada crise, doença, situação de sofrimento físico ou de comoção espiritual, há um livro indicado que pode servir de cura. Por vezes, é a história que encanta, outras vezes é o ritmo da prosa que trabalha na psique, aquietando ou estimulando, ou é uma ideia ou uma atitude… (in www.Quetzaleditores.pt)
Como um romance, Daniel Pennac
Obra onde encontramos os essenciais “Os direitos inalienáveis do leitor”:
1-O direito de não ler;
2-O direito de saltar páginas;
3-O direito de não acabar um livro;
4-O direito de reler;
5-O direito de ler não importa o quê;
6-O direito de amar os “heróis” dos romances;
7-O direito de ler não importa onde;
8-O direito de saltar de livro em livro;
9-O direito de ler em voz alta;

10-O direito de não falar do que se leu.

sexta-feira, 22 de dezembro de 2017

Acusam-me de Mágoa e Desalento, Carlos de Oliveira

Jungho Lee 
Acusam-me de mágoa e desalento,
como se toda a pena dos meus versos 
não fosse carne vossa, homens dispersos, 
e a minha dor a tua, pensamento. 

Hei-de cantar-vos a beleza um dia, 
quando a luz que não nego abrir o escuro 
da noite que nos cerca como um muro, 
e chegares a teus reinos, alegria. 

Entretanto, deixai que me não cale: 
até que o muro fenda, a treva estale, 
seja a tristeza o vinho da vingança. 

A minha voz de morte é a voz da luta: 
se quem confia a própria dor perscruta, 
maior glória tem em ter esperança. 

 in 'Mãe Pobre' 

sexta-feira, 8 de dezembro de 2017

27 – FINE, Miguel Martins

Os sentimentos são paisagens áridas, imprecisas, tremeluzentes, desconfortáveis.
Dito isto, poderia fechar a porta, correr as grades, trancar o cadeado, dar a loja por encerrada, sem previsões de reabertura.
Fechados lá dentro, os sentimentos, bem, seria como se não existissem.
Talvez morressem, se desidratassem, se pulverizassem, talvez deles restasse apenas uma mancha de gordura no chão.
Em qualquer caso, emudeceriam. Ou não seriam escutados, o que vem a dar ao mesmo.
Nunca contemplei esta hipótese por mais de cinco minutos – certamente, nem tanto.
Não consigo. Não sei. Julgo que, no fundo, é o que menos quero. E que essa é a raiz da minha resistência. Crónica e aguda.
Os sentimentossão onde sei viver, onde me sinto menos morto.
Os sentimentos sou eu.
Os melhores.
Os piores.
O beijo.
A bala.
(Ou vice-vresa).
Todos os nomes da intranquilidade.
Ruminant Reserve

quinta-feira, 7 de dezembro de 2017

Se eu fosse chão, Nuno Camarneiro

Um quarto fechado é sempre uma história por contar, enquanto não o abrirem, cada um há-de ter a sua.” (p. 124)
O hotel Avenida Palace é, à partida, o cenário de tantas histórias quantos os seus quartos e os personagens que o percorrem, sejam hóspedes, visitantes ou trabalhadores. Mas só podemos vislumbrar as que se deixam ver no momento em que, por ventura, se entreabre a porta à nossa passagem. Na verdade, encerram em si infinitudes de vidas das quais nada jamais saberemos.
O hotel é um microcosmos: “um mundo pequeno feito à imagem do outro maior. Nós garantimos que a escala permaneça justa, sem nada aumentar ou reduzir.” (p. 86). mas é também uma alegoria possível para a literatura: “A literatura é a mais horrenda das artes, porque é feita da mesma matéria com que falamos e nos enganamos a nós e aos outros. … Lemos o que queremos ou precisamos de ler, lemos como amamos e caímos.” (p. 94)); e para o labor da escrita: “Não nos peçam para corrigir o que vai torto ou torcer o que anda certo. … Somos artífices do detalhe e da memória, e não nos peçam mais.” (p. 86)
Uma leitura rápida e cativante, mas não necessariamente simples e fácil, pois se reconhecemos alguns das referencias corporizadas por algumas das personagens – como é o caso do Professor António de oliveira (p. 13 e 14) -, há também a sensação de que outras tantas nos escapam: “Como serão os homens sem luz?” (p. 15)

A primeira sensação é de algum desconforto, pois não estou habituada à leitura de narrativas tão pequenas e tenho sempre a impressão de nunca permanecem. No entanto, e finda a leitura, alguns das histórias mantêm-se e, apesar da aparente pequena dimensão, a grandeza do livro reside na capacidade de reverberação das mesmas em nós. Numa segunda análise, são – talvez fruto da formação cientifica do autor - a rectidão da estrutura e o potencial – entre os seis graus de separação e a teoria do gato de Schrödinger – de histórias que nos cativam, porque no momento em que abrimos aquelas portas, foram estas que se apresentaram. Mas poderiam ter sido infinitamente outras.  
Editora: dom Quixote | Local: Alfrgide | Edição/Ano: 1ª, Maio 2015 | Impressão: Multitipo AG | Págs.: 126 | Capa: Neusa Dias, sobre imagem “Night in the city”, de Jack Vettriano | ISBN: 978-20-5749-3 | DL: 390590/15 | Localização: BLX PF (…)

quarta-feira, 6 de dezembro de 2017

Clube dos poetas vivos #6

a poesia escreve-se
não é para se falar
é uma linguagem
impossível de traduzir
fora do momento
em que se regista
sem artifícios, sem máscaras
um despir inevitável
de carácter, de alma

Maureen Drennan 

terça-feira, 5 de dezembro de 2017

Clube dos poetas vivos #5

sustentas o cigarro
arquitetonicamente
posicionado
para o charme passado
das estrelas de 40
és a greta sem garbo
enquanto emborcas
a cerveja nacional
que melhor bate
no significado

e ouves poesia

segunda-feira, 4 de dezembro de 2017

Oh, Harrison

O público chama-te ao palco
De novo e de novo e de novo
És o corpo de personagens maiores do que a vida
E nós queremos-te para nos dares novos sonhos
Que os meus sonhos de menina já foram ocupados
Não sou a tua filha jedi
E a minha data é 21.5.76
Resta-me o meu presente bibliotecário
E o meu passado escotista
Para almejar ser Mrs. Jones
(ou será o canivete apenas macgyveriano?)
Rivalidades à parte,
Live long and prosper
My youth you have served well!


domingo, 3 de dezembro de 2017

Morder-te o coração, Patrícia Reis

Depois de A Cruz das Almas e Contracorpo me terem conquistado e a construção de A Gramática do Medo me ter intrigado, encetei uma nova incursão pela escrita de Patrícia Reis. No entanto, esta obra não me conquistou. À primeira vista, talvez fosse uma questão de expectativas. Mas creio que é sobretudo uma questão de reminiscências. Esta leitura estava constantemente a remeter-me para a leitura de Fazes-me Falta, de Inês Pedrosa, lido em 2004, e para a época em que essa autora era uma das minhas predileções.
Mas…, e é aqui que entra o mas: eu já não sou a leitora de então e esta narrativa ficou-me aquém. Não pelo estilo escorreito e de fácil leitura que aprecio na Patrícia Reis, mas pela própria narrativa. Uma narrativa que diria claustrofóbica e quase drumondiana: Mara talvez ame Anna, que ama Xavier, que ama Maria, que não ama ninguém. É uma história de amores e paixões não correspondidas ou desencontradas em que a personagens, apesar de viajadas e cosmopolitas, ou talvez por isso mesmo, não são capazes de sair de si próprias. Sobrevivem aos dias num impasse, sempre a viver o que poderia ter sido, caso tivessem sido correspondidos, e sempre a reincidir pela não correspondência.
Aqui e ali uma ou outra observação social ou cultural, uma ou outra descrição relativamente transgressora, mas fica-me pouco. Fica-me a frase leimpa, a leitura acessível, algumas imagens bem conseguidas. Mas falta-me uma profundidade inalcançável devidos às características das personagens. Como leitora, actualmente, espero outros alcances.


Editora: dom Quixote | Colecção: | Local: Lisboa | Edição/Ano: 2ª, fev 2007 (2007) | Impressão: Manuel Barbosa e Filhos | Págs.: 156 | Capa: Atelier Henrique Cayate | ISBN: 978-972-20-3268-1 | DL: 253899/07 | Localização: Pax

quinta-feira, 30 de novembro de 2017

Leituras nos Transportes Públicos #17.11

Novembro 
2
Segue o coração, Lesley Pearse

O enigma do mar morto, adam Blake

Devisadero, Michael Ondaatje
4
Mães e filhas, Fátima Lopes
7
A mulher de 30 anos, Honoré de Balzac

Chegar Novo a Velho, Manuel Pinto Coelho

O sonho mais doce, Doris Lessing
8
A casa na praia, Anita Shrive

Não se pode morar nos olhos de um gato, Ana Margarida Carvalho
9
O elefante de marfim, Nerea Riesco
10
O Tabu mais Doce , J. Kenner

As raparigas, Emma cline

A voz interior, J. P. Carvalho
14
 A contadora de histórias, Jodi picoult
15
Tu És o Meu Coração , Alan Lazar
16
Uma abelha na chuva, Carlos de Oliveira
18
10 anos depois, Liane Moriarty
20
Uma Mulher em Fuga, de Lesley Pearse 

Os daminha rua, ondjaki
21
Champanhe e morangos,

As 50 sombras de grey, E. L. James

Aleluia!, Bruno Vieira Amaral
22
Escrito na água, Paula Hawkins

Auto-ajuda, Tiago Gomes
26
A vida de Pascual Duarte, Camilo José Cela
29
Reaccionário com 2 cês, RAP
30
Ensaio sobre a lucidez, Saramago

terça-feira, 28 de novembro de 2017

Quais os critérios de avaliação para uma comunidade de leitores?

A melhor avaliação de uma comunidade de leitores não deve ser quantitativa, embora o número de participantes activos seja um indicador do interesse e perentoriedade do mesmo. Se não passamos de 2, 3 participantes temos de nos interrogar: o que está a condicionar a nossa abrangência? Que eventuais alterações devemos implementar? O que não estamos a conseguir atingir com o nosso público-alvo?
Mas há uma avaliação que raramente é devidamente realizada: qual o impacto da Comunidade de leitores na dinâmica do nosso espaço? No caso das bibliotecas, que é a minha área de actuação, o impacto vai para além do momento da reunião. A sugestão mensal de leitura é aproveitada por (muitos) outros leitores, que encontram nesta sugestão uma forma de alargar os seus horizontes de leitura.
Ainda para além da reunião, há a comunicação que se estabelece entre todos os participantes. Uma das potencialidades da mailing list, é a de partilhar informações pertinentes consonantes com as reuniões ou como forma de dar resposta a alguma solicitação dos participantes. Mas esta é também uma das formas destes nos darem outro tipo de retorno. Por exemplo, quando não podem estar presentes – por motivos vários – alguns dos participantes, que não deixam de ler as obras – enviam as suas impressões de leitura, de modo a serem partilhadas à mesma. E se há alguma ausência reiterada, há interesse de todos em saber se está tudo bem ou apenas outros afazeres afastam os participantes das sessões. É a ligação humana que permite que um grupo de leitores, com gostos e percursos por vezes totalmente contrários, se torne realmente uma comunidade.
Já pessoalmente, uma situação que me dá a sensação de validação do meu trabalho, é quando as minhas sugestões – não sem alguns questionamentos, mas sobretudo - são aceitem com curiosidade.

Estas são avaliações empíricas que muitas vezes não transparecem em grelhas de avaliação, que tendem a resumir o nosso trabalho em números. Mas se os números podem, por vezes, não ser os mais atractivos, a relação humana e o impacto do nosso trabalho valem tudo. E se há lema que eu sigo na vida, é: “if you build it, he will come.” Ou seja, se criarmos espaços de partilha, o público virá. 
Jungho Lee