segunda-feira, 22 de agosto de 2016

Teoria dos Limites, Maria Manuel Viana

Todos temos um halo de laços que nos unem, que se tocam, mas que estão sujeitos a um campo de possibilidades incompatíveis.” (p. 20)
Em vida, o Escritor criou e personificou a personagem do Escritor solitário, ao qual se desconhecem afectos e a existência de uma vida familiar. Sendo a mais relevante a da sua filha, para o mundo mera secretária, fazendo a assim órfã de pai vivo. Agora, o Escritor morreu. E o funeral torna-se o ponto de partida para balanços das pessoas que lhe estão mais próximas: a filha Mariana, as sobrinhas A. Sofia e A. Lúcia, o irmão mais velho João Caetano, e a mãe, a velha senhora.
Só através das suas reflexões e revelações ficamos a conhecer algo desse escritor, que em prol de um ideal estético-literário, sacrificou as relações pessoais e familiares, mas cuja ausência emocional moldou e impactou de quem lhe eram mais próximo, demonstrando que o vazio emocional pode ser mais marcante do que a presença física.
E, em torno, há Leibniz, sobre o qual não estou minimamente apta a falar ou a tecer comparações, que enquadra o conceito de que “Todos temos um halo de laços que nos unem, que se tocam, mas que estão sujeitos a um campo de possibilidades incompatíveis.” (p. 20)
Editora: Teodolito | Local: Lisboa | Edição: 1 | Ano: 2014 | Impressão: Rainho e Neves | Págs.: ... | Capa: João Vilhena | Ilustrações: Sim | ISBN: ... | DL: ... | Localização: BLX Keil ROM ROMPOR VIA (...)

quinta-feira, 11 de agosto de 2016

Estou quase a entrar de férias, para as quais não tenho exactamente um plano muito definido, embora tenha várias intenções. No entanto, ao contabiliza-las, percebi que, se as cumprir todas, afinal tenho as férias já preenchidas. A ver vamos como a coisa corre! 

quarta-feira, 10 de agosto de 2016

101 a 103

Onde comecei e onde hoje me encontro não parecem ter qualquer relação. Mas sem o primeiro, não estaria aqui. Sem ter perdido muito do que julgava garantido – e até monótono – não teria feito este percurso que julgava quase impossível, quer por medo do desconhecido, quer por um estúpido sentimento de imerecimento. Hoje, conheço-me melhor. Sei quais são as minhas zonas de conforto e sei também que estas se transformaram e que não serão as mesmas no futuro. Hoje, sei que os small steps são a minha forma de progredir… 
afinal, a tartaruga chega sempre mais longe que qualquer outro animal…

terça-feira, 9 de agosto de 2016

Os da minha rua, Ondjaki

“… a infância é um ponto cardeal eternamente possível. [Ana Paula Tavares] p. 122”

A literatura é uma expressão do crescimento do individuo, regra geral, perante a perda. Nas histórias de infância, a perda nem sempre é óbvia, mas está presente, ainda que julguemos que esse sentimento é alheio às crianças. Mas elas sentem a ausência. Talvez não verbalizem, não a saibam verbalizar… mas sentem.
Se podemos sempre regressar à infância, o certo é que um relato (verídico ou imaginado) da mesma tem de comportar também em si este adivinhar de ausências futuras. Sabemos que, quando revisitarmos a nossa infância, será para trazer à palavra o que já não há: quem éramos e já não somos, os que foram e são agora apenas memória.
Os da minha rua, e todos temos os da nossa rua, são as nossas referencias, os nossos aprendizados, com quem traçamos os primeiros passos de crescimento. São a poeira que sedimentou e nos tornou rocha. São parte de nós…

Editora: Caminho | Local: Lisboa | Colecção: Outras margens | Edição: 2ª | Ano: 2007, Julho | Impressão: Tipografia Lousanense | Págs.: 122 | ISBN: 978-972-21-1963-7 | DL: 256199/07 | Localização: BLX PF 82P(673)-34/OND 

sexta-feira, 5 de agosto de 2016

Como falar dos livros que não lemos, Pierre Bayard

“O bom leitor procede a uma travessia dos livros e sabe que cada um deles é portador de uma parte de si mesmo que lhe pode abrir um caminho, se ele tiver a sabedoria de nele não se deter.” (p. 151)

Enquanto bibliotecária, e no âmbito das minhas diversas funções, é-me regularmente solicitada informações, sugestões ou opiniões sobre livros e autores que não li. Há vários anos que tenho uma postura pragmática sobre a leitura: não me sendo possível ler tudo o que seria necessário e/ou desejável, só tenho que assumir e, se relevante, explicar os meus critérios de selecção de leituras.
Quando deparei com este título, fiquei curiosa. Afinal, aborda um tema que acaba por ser um pouco tabu, mas sentido por todos os profissionais (e amadores) do livro. A minha curiosidade prendia-se, sobretudo, sobre se o autor me apresentaria uma eventual perspectiva diferente daquela que ao longo dos anos, enquanto leitora, fui desenvolvendo.
No prólogo do livro, o autor aborda a questão – ainda actual – da sacralização do livro e da leitura, o que faz com que ainda persista em muitos leitores um sentimento de obrigação de ler, determinados livros e autores, sobretudo considerados canónicos, e de ler tudo, até ao fim, bem como de ter um discurso sobre os mesmos. Com o objectivo de desmitificar esta obrigatoriedade, o autor divide o livro em três partes: os modos de não ler; situações em que temos de falar de livros; e condutas a ter.
Na primeira parte, a situação que mais me despertou a atenção, porque ultimamente tenho sentido mais o seu efeito, é a dos livros que lemos, mas esquecemos. Poderão, então, ser considerados livros lidos? Somente para um efeito de registo quantitativo, porque se quisermos ser honestos aquele livro, que se perdeu em nós, já não é lido. Já sobre as situações em que temos de falar sobre livros, para mim, acaba por ser uma questão quotidiana, como já atrás referi. Por isso, acima de tudo: sinceridade sobre as leituras e os modos de leitura efectuados, porque pior do admitir que não lemos ou não conhecemos determinado autor, é sermos apanhados nessa mentira. Isso descredibiliza o nosso trabalho. E este ponto entra já em ligação com a parte referente às condutas ou modos de agir. Não há que ter qualquer tipo de vergonha ou embaraço. Se não há possibilidade de ler tudo e se tivermos a sorte de já ter encontrado a nossa “praia” literária, e ter a consciência que esta se pode alterar com o tempo, então para quê complicar? Não vale a pena.
Este é um livro interessante. Sobretudo para que tem ainda algum tipo de pruridos ou vergonhas sobre o seu percurso leitor. Mesmo que as ideias defendidas não sejam exactamente novas, poderão ter sempre a benesse de apaziguar alguns receios.

Tradução: Maria Amaral & Sílvia Sacadura | Editora: Verso da Kapa | Local: Lisboa | Edição/Ano: 3ª, Março 2008 | Impressão: Tipografia Lousanense | Págs.: ... | Capa: Break the Line | ISBN: 978-972-8974-45-9 | DL: 269837/08 | Localização: BLX DMF 028/BAY (80248469)

quinta-feira, 4 de agosto de 2016

Speaking english, on a portuguese public library

As a worker in Lisbon, I know a tourist might pop up during the comunting and ask a multitude of information, mainly directions. It’s a given fact.
The place where I didn’t expect to speak english was my own work place: a public library. But, the fact is that almost everyday I have to do it. Surprised? I am. Or, I was…
I expected to use my skills and kownledge in portuguese and literature, and I felt the need to improve my informatic and information research skills. It seemed obvious and somewhat plain.
But a year gone by, this perception has changed. Lisbon is being conquered by foreigns, not only as tourists, but also by people who chose this amasing city to spend their lives… at least for a while! So, among these foreigners there are many public libraries costumers.
What are their needs? First, lets take a look at what they are. They are European Service Volunteers, they are Erasmus, post graduate and doctoring students,  they are professionals looking for a place in the market, they are people fleeing from less fortunate political countries… they are so diverse and they chose us to be their neighbours for the next period of time.
So, as costumers, their main need is… portuguese learning! So, after all, I do have to use my skills and kownledge in portuguese… i just have to convey it in english!

PS: Please, don't mind grammatical and vocabular mistakes. My english is a bit rusty... :)