quarta-feira, 31 de maio de 2017

Uma aventura secreta do Marquês de Bradomin, Teresa Veiga

No meu périplo no sentido de conhecer o trabalho do maior número possível de autoras nacionais, cheguei ao meu primeiro contacto com a obra de Teresa Veiga. Um trabalho ao qual voltarei, pois, na verdade, não consigo perceber se gostei ou não, mas que, definitivamente, tem o mérito de me fazer voltar para tirar teimas.
Este volume é composto por 3 contos (As Parcas, Uma aventura... e O maldito, Marianina e o feitiço da Rocha da Pena). Nos três, existem uma ideia de destino, cujas protagonistas procuram contornar, mas cujos finais nem sempre o permitem concluir. Em termos de linhas orientadoras deste género, podemos dizer que estes contos apresentam um final inesperado. Mas essa percepção vai depender, e muito, da experiência de leitura de cada leitor. Quanto à questão do tempo, nem sempre existe a conformidade com a curta duração e, quando a há, tem mais a ver com o período da narração, do que com o período em que a trama se desenvolve.
Em termos do universo feminino que nos é apresentado, são diferentes gerações de mulheres com algum estatuto social, logo, nem sempre com uma proximidade com o quotidiano como o conhecemos. Na sua maioria das suas acções, conformam-se com o seu papel social, no entanto, aprensentam igualmente momentos de inconformidade e de contorno das expectativas económico-sociais. E é desses momentos de inconformidade que nascem estas narrativas. Talvez por isso, me fica esta incerteza de sentimento sobre as narrativas Teresa Veiga e sinta necessidade de voltar a elas mais tarde.

Editora: Tinta da China | Local: Lisboa | Edição/Ano:1º, Nov. 2015 | Impressão: Rainho & Neves, Lda. | Págs.: 142 | Capa: Vera Tavares | ISBN: 978-989-671-284-6 | DL: 399842/15 | Localização: BLX OR C&N CON-NOV-POR VEI (80369637)

terça-feira, 30 de maio de 2017

Qual a Tipologia de sessão adequada à sua Comunidade de Leitores?

De forma sintéctica, considero que há 3 tipologias base de dinamização de comunidades de leitores (CL). São elas, sessões orientadas, livres e mistas:
  • - Sessões orientadas: As obras a analisar são definidas previamente, podendo a periodicidade dessa definição variar (sessão a sessão, trimestral, anual). No entanto, todos os intervenientes acordam em ler o livro x do autor y na data z.
  • - Sessões livres: partilha de leituras correntes dos participantes ou de outras que estes queiram salientar. Não há um autor e/ou livro definido e os participantes partilham resumidamente as leituras realizadas entre sessões. É curioso notar como a partilha de leituras de algumas obras pode transitar de sessão em sessão, evidenciando o efeito de contaminação que se pode/pretende obter deste tipo de actividade. É importante salientar que estas sessões implicam à partida participantes mais autónomos, o que nem sempre sucede.
  • - Sessões mistas: análise de uma obra previamente seleccionada, seguida ou antecedida de um período de partilha de outras leituras. Informalmente, muitas sessões ditas orientadas incluem este espaço de partilha diluído na sessão, uma vez que as leituras partilhadas inserem-se sempre no nosso trajecto anterior de leituras e estas são como as cerejas (nunca se come apenas uma).
Nos denominados Grupos de leitura, por vezes, este espaço de partilha de opiniões é secundário. Ou seja, o objectivo principal é a leitura, em voz alta, dos textos propostos. São projectos igualmente válidos, embora não os definisse (nem eles) como Comunidades de Leitores. Nestas, a primazia deve ser a partilha da experiência de leitura.

No lançamento de cada CL deverá realizar-se uma sessão inaugural em que os participantes definirão os moldes das sessões, o que não impede que a posteriori os mesmos sejam alterados. Porque se o projecto tiver uma longa vida, a maturidade e expectativas dos seus participantes será diferente. Além de que, poderemos assistir a diferentes levas ou gerações de participações.

segunda-feira, 29 de maio de 2017

sobre contos e romances

Parece-me que a escrita de contos ainda é vista de modo preconceituoso e que a sua não defesa é feita recorrendo à desculpa de, do ponto de vista editorial, é um formato menos vendável. Se escrever um bom romance não é tarefa fácil, escrever um conto também não. E, aliás, o que mais existe são pequenas narrativas que também não são exactamente contos. Aliás, cá pelo burgo há sempre uma certa confusão de formatos e da sua apreciação.
Uma das defesas habitualmente mais recorrente para a leitura de contos é que o seu formato se adequa aos ritmos de vidas urbanos, mais especificamente às viagens de transportes. Poderá ser. Mas, da minha experiência, também são o formato, que lido exactamente nesse contexto, se adequa mais ao esquecimento. Se o seu conteúdo não for suficientemente impactante o seu contexto de leitura só contribui ainda mais para que este se oblive da nossa mente. No meu caso, é o formato do romance, com o seu envolvimento e extensão que me separa do esquecimento total daquilo que leio. Também poderá ser que os contos, como muitas vezes os escrevemos não acrescentam em nada ao nosso percurso leitor. Já ao percurso escritor poderão ser excelente exercicios de síntese e experimentação.
Em suma, o conto não é menor nem substituível. No entanto, como em tudo, há bom e o menos bom. E não necessariamente sem méritos. 

domingo, 28 de maio de 2017

E agora Josefa?

Para Drummond de Andrade
depois de tantos homens
depois de tanto tempo no mesmo homem
depois de tantos homens ao mesmo tempo
agora sem homem há tanto tempo
e tanto tempo para homens
não encontras no tempo que tens
vontade para outro homem
que o tempo que se dá a um homem
é tempo que não volta, volta que nem sempre têm

e que tempo nos dão os homens, Josefa?

O momento entre o álcool e o cochilo.

sábado, 27 de maio de 2017

Comunidades de Leitores: uma bibliografia inicial

Tanto quanto sei, não há um livro em português única e exclusivamente sobre o tema. Mas há livros que o afloram e vários artigos on line sobre o mesmo. Esta é uma sistematização inicial de uma bibliografia de apoio. Falta aqui outra bibliografia que a memória (e os apontamentos perdidos) estão a dificultar a elencagem. 
A seu tempo se derá conta. Espero que seja útil e desculpe as falhas formais na indicação bibliográfica. 

BAYARD, Pierre – Como falar dos livros que não lemos. Lisboa: Verso da Kapa, 2008.
CALVINO, Italo – Porquê ler os clássicos. Lisboa : Teorema, 2009.
CHARTIER, Roger – A ordem dos livros. Lisboa: Veja, 1997.
EIRAS, Bruno - Ler, ouvir e falar: a experiência dos Grupos de Leitores nas Bibliotecas Municipais de Oeiras. Disponível em: https://www.bad.pt/publicacoes/index.php/congressosbad/article/view/214/209
GLOSSÁRIO CEALE – Verbete: Comunidades de Leitores. Disponível em: http://ceale.fae.ufmg.br/app/webroot/glossarioceale/verbetes/comunidades-de-leitores
MANGUEL, Alberto – Uma história da leitura. Lisboa: Editorial Presença, 1999.
PENNAC, Daniel – Como um romance. Lisboa: Edições Asa, 2002.
PROLE, António - A experiência das Comunidades de Leitores em Portugal: Da literatura à vida, da vida à literatura. Disponível em: http://www.casadaleitura.org/portalbeta/bo/documentos/ot_comunidades_a_C.pdf
STEINER, George – O silêncio dos Livros. Lisboa: Gradiva, 2012.


quinta-feira, 25 de maio de 2017

Satisfazer as necessidades dos públicos sem transformar o core business de um espaço

O projecto Português para estrangeiros, que dinamizo na Biblioteca da Penha de França, tem atraído participantes tão diversos, que é impossível satisfazer as necessidades de aprendizagem de todos. Quando isso acontece, uma das consequências é a desistência, embora estes compreendam que não temos a capacidade logística e humana de colmatar todas as suas lacunas individuais.
Actualmente, o projecto é composto por um conjunto de 12 sessões (de 90 minutos cada)  em que se segue as metas estabelecidas pelo Quadro Europeu de Referência para as línguas para os níveis A1 e A2. O ideal, seria alargar a oferta para pelo menos outras tantas sessões nos níveis B1/B2, C1/C2 e, a uma fase anterior, que diria de (quase) alfabetização.
Deste modo, e imaginemos que os diferentes níveis eram ministrados em simultâneo para diferentes grupos, a biblioteca transformar-se-ia numa escola de línguas. É isso que se quer? Não creio. A César o que é de César. Não queremos substituir a função das escolas. Queremos sim oferecer um serviço que, paralela ou complementarmente a esta, sirva de ponte entre as necessidades de comunicação sentidas por alguém recém chegado a Portugal e restante oferta educativa existente, seja do ponto de vista de disponibilidade ou de acesso financeiro.
Assim, e mesmo sentido vontade pessoal de fazer crescer a oferta do projecto, este não deve tornar-se uma oferta educativa exaustiva. Não é esse o papel da biblioteca. A biblioteca é uma ponte e uma porta aberta ao conhecimento e ao alargar de experiências e expectativas, pessoais e colectivas. Mas é também um espaço institucional que respeita e pretende, a cima de tudo, colaborar com a missão das outras instituições, entre elas, a da nobre escola.



terça-feira, 23 de maio de 2017

Um público temporário é um público prioritário?

Um dos projectos em que trabalho e que tem tido uma adesão considerável é o Português para Estrangeiros. Os grupos de participantes são bastante heterogéneos em idades, países de origem, experiências e expectativas. No entanto, e embora esse não fosse o objectivo inicial, a maioria deste tem formação académica universitária e a sua perspectiva de permanência em Portugal é temporária, rondando habitualmente os dois anos, em ou estão a desenvolver estudos de pós graduação ou projectos vários, muitos deles de cariz cultural.  
Embora seja extremamente aliciante trabalhar com este público, ocasionalmente questiono-me se este será prioritário? Afinal, ao estamos a disponibilizar tempo e recursos para este não estamos a disponibilizar para outros, quiçá, com mais necessidades de aprendizagem, por exemplo, de competências de informática. Além destas sessões, estes utilizam as bibliotecas como leitores ou no âmbito de outros serviços? Na verdade, podemos constatar que a utilizam não só para trabalhar, mas também para o empréstimo de livros, que ainda é um serviço primordial das bibliotecas. A longo prazo, o que é que este público nos traz, uma vez que, na sua maioria, vai retornar ao seu pais? Antes de mais, através do boca a boca, são os primeiros a divulgar o projecto entre os seus conhecimentos. a posteriori, com o conhecimento da língua e cultura entretanto adquiridos, acredito que sejam a melhor ponte de comunicação do nosso pais no exterior. Sentirem-se acolhidos e perceber que têm técnicos que estão disponíveis e receptivos é um cartão de visita e uma forma de sermos realmente uma sala de estar da comunidade, independentemente da sua composição.

Do ponto de vista profissional, acredito que também há espaço para este público. Se há adesão, então há uma necessidade e um projecto que a colmata. Então, faz sentido. Enquanto técnica dinamizadora, tem sido uma experiência bastante enriquecedora, da qual, por vezes, apenas lamento, não conseguir tirar maior proveito.

Maluda

sábado, 20 de maio de 2017

A viagem

Um dos meus sonhos de adolescência era trabalhar, mesmo que temporariamente, no estrangeiro. O mais perto que estive disso foi no início do meu percurso profissional, quando me desloquei para assistir a apresentações de produtos, marcas e eventos na área gráfica. Foi uma oportunidade de conhecer aeroportos e alguns locais peculiares.
Trabalhar no estrangeiro acabou por não se revelar uma hipótese e a disponibilidade financeira para (grandes) viagens também não se proporcionou. O escotismo revelou-se a oportunidade de conhecer alguns pontos do país através de situações caricatas.
Hoje, a viagem parece muito distante da minha realidade. No entanto, sinto falta de algo. Sobretudo de um escape à rotina (ainda que voluntária) do meu quotidiano.

Sair do meu espaço, da minha rotina, quem sabe conhecer algo novo, poderá ser o distanciamento necessário à transformação ou à tomada de decisões, que se me apresentam complexas. É possível que esse seja o empreendimento que me falte: sair de mim para a mim voltar. 


sexta-feira, 19 de maio de 2017

Ao chegar aos 45 
convivem em mim
Os sonhos e ilusões dos 15
As infinitas possibilidades dos 25
A tristeza e dor da partida e da perda dos 35

Mas aos 45 a serenidade advém
De saber
Que a alegria e a felicidade caminham lado a lado com o mérito, o aleatório e a finitude
Há sempre espaço para velhos sonhos
Há sempre tempo para novos sonhos

Ao chegar aos 45 sei
Que necessidade e vontade são tão simples tão simples
Sentimo-nos sentidos
Amados aceites

Simplesmente como aos 5

quinta-feira, 18 de maio de 2017

Por vezes sinto necessidade de fazer balanços
Mas não agora.

Agora,
só necessito de aproveitar
o suave balanço bom
do baloiço da vida.

Pere Salinas

terça-feira, 16 de maio de 2017

Clube dos poetas vivos #3

reparo na feiura dos seus pés
há pés bonitos?
Quem tem pés bonitos?
Talvez as crianças
a quem sapatos e saltos não conformaram o seu caminho
cuja pele virgem de dores ainda não percorreu a vida
que a maturidade e a adulteridade começa pela base

pelos pés


quarta-feira, 10 de maio de 2017

Não sou esse tipo de miúda, Lena Dunham

Deste lado do oceano, Lena Dunham é conhecida sobretudo pela co-criação e protagonismo da série Girls, de que vi apenas alguns episódios e sobre a qual não consigo ter uma opinião concreta, apenas alguns sentimentos de estranheza.
Quanto a este livro, que se assume como não ficcional, o sentimento de alguma estranheza mantem-se. Por um lado, por me identificar com alguns dos temas abordados (imagem corporal, inseguranças, relações pessoais, perspectivas profissionais), e que também fizeram parte dos meus ’20. Por outro, por perceber que, na verdade, esses temas não estão ultrapassados, apenas se sentem de modo diferente e com o peso que a idade também acaba por lhes conferir.
Outra estranheza tem a ver com este registo pouco habitual de exposição pública da nossa pessoa íntima. Até que ponto a nossa vida serve de reflexão seja para quem for, à excepção de nós próprios. E até que ponto a suposta realidade de outrem é realmente verosimilhante para a termos como referência.
Uma coisa é certa, Dunham assume a sua escrita como uma forma de manter a sanidade e de encontrar e construir um sentido lógico (ainda que apenas para personagens) impossível de apreender e de conferir à realidade das nossas vidas.


Título Original: Not that kind of girl | Tradução: Mª de almeida | Editora: Editorial Presença | Local: Barcarena | Edição/Ano: 1ª, Março 2015 | Impressão: Multitipo, A.G., Lda. | Págs.: 286 | Ilustrações: Joanna Avillez | ISBN: 978-972-23-5529-2 | DL: 388726/15 | Localização: BLX Mar 82-31 DUN (80333129)

terça-feira, 9 de maio de 2017

Clube dos poetas vivos #2


não sei se a poesia é para ser lida em voz alta
não a poesia moderna
de versos soltos e sentidos perdidos
como o autor que os desalinha
como os ouvintes que neles esperam
encontrar o sentido da vida
Pára!
A vida não tem sentido
porque terão os versos
que não são vividos por ti
que não são ditos por ti

com palavras que não são tuas!

quinta-feira, 4 de maio de 2017

A Oficina dos corações #2

Cara Adelaide,
Encontro-me sozinh@ já há algum tempo. Na verdade, há alguns anos. Por vezes, sinto necessidade de sair deste registo e arriscar conhecer novas pessoas. O meu círculo de amizades está sempre a incentivar-me e até (por vezes de forma descarada) a tentar combinar encontros com pessoas das suas relações. Devo arriscar um primeiro encontro?
Anónim@, Grande Lisboa

Car@ leitor@,
Haverá muito a dizer sobre primeiros encontros, mas o mais importante é perceber se é isso exactamente que quer. Tome alguns momento para perceber o que pretende com esse primeiro encontro.
Conhecer novas pessoas? Que tal começar por realizar uma nova actividade ou hobbie. Além de aprender algo novo e alargar os seus horizontes, está a melhorar a sua auto-estima e a a aumentar a sua rede de conhecimentos. Consequentemente, está a dar-se a oportunidade de conhecer alguém novo, sem o estigma ou o peso de um primeiro encontro.
Quer realmente um novo relacionamento romântico ou sente-se socialmente pressionad@? Nesse caso, escute-se e não haja em conformidade com o que acha que deve fazer, mas com aquilo que realmente quer. Por vezes, é bom ter um ligeiro empurrão de quem nos quer bem, mas há que evitar ser atirado para situações que não queremos, nem necessitamos de todo.

Lembre-se, quando uma relação termina, seja porque motivo, não há um período certo para voltar ao jogo do romance. Cada um tem o seu ritmo e é válido até quem já não sinta certa apetência em voltar ao jogo. Afinal, há etapas que não são simples quanto possa parecer. 
Cecilia Paredes

quarta-feira, 3 de maio de 2017

A Arte de Voar, Altarriba & Kim

A literatura gráfica não faz parte dos meus hábitos de leitura, como tal, passa-me ao lado obras muito interessantes, como esta. Por isso, antes mais, tenho de agradecer uma vez mais as sugestões de leitura da Comunidade de Leitores do Museu Ferreira de Castro e o seu empenho em diversificar o leque de propostas. Estas têm sido uma incontornável fonte de aprendizagem.
Como afirma Pedro Vieira Moura na introdução, este livro é simultaneamente uma biografia, uma autobiografia e uma cónica histórica. Nele conhecemos o percurso de António Altarriba (pai) durante uma vida marcada pelas circunstâncias económicas e sociais, às quais, apesar dos seus esforços, nunca conseguiu vencer. Tal como a maioria dos homens e mulheres em qualquer parte do mundo.
António nasce em 1910, numa aldeia rural espanhola marcada pelo duro trabalho agrícola e pela crescente tensão social e falta de perspectivas sociais que irá desencadear, anos mais tarde, não só a segunda republica, seguindo-se a guerra civil. O combate leva-o a França onde se vê igualmente apanhado na malha da ocupação alemã. De retorno à terra natal, e abdicando dos seus valores em prol da constituição de uma família e da sua manutenção económica vê-se envolvido e enganado numa aventura empresarial que o leva novamente à quase miséria. Como consequência, acaba o seu casamento, no qual nunca foi verdadeiramente feliz e decide entrar num lar, de modo a aliviar de responsabilidades familiares o seu filho. Neste, experiencia uma depressão profunda que o leva, aos 91, a atirar-se de um quarto andar, como forma de finalmente atingir a liberdade que nunca conseguiu durante a sua intensa vida.
Este livro é uma lição de história, mas sobretudo sobre a capacidade humana de sonhar e de ser esmagado, não pelos sonhos, mas pela impossibilidade de os viver devido às contingências sociais e históricas que nos rodeiam. Um livro que nos faz refletir sobre a real capacidade que temos, ou não, infelizmente, para dar uma direcção às nossas vidas e como, apesar do esforço e vontade, o resultado é, para a maioria dos homens e mulheres, gorado.

Editora: Levoir | Ano: 2015 | Págs.: 208 | Capa: silva!designers | Ilustrações: Kim | ISBN: 978-989-682-494-5 | DL: 387334/15 | Localização: BLX BD Oli 82 BD NT ALT (80363745)

segunda-feira, 1 de maio de 2017

Bibliotecas, espaços de Cowork?

As bibliotecas já há muito que deixaram de ser espaços de leitura. São locais de promoção, de mediação, de aconselhamento, de disponibilização (alguma consulta), mas não da leitura efectiva. Falo inclusivamente por mim, que só leio na biblioteca por motivo de urgência ou falta de opção.
Então que procuram muitos dos nossos utilizadores? Um espaço calmo de trabalho. Longe das distrações domésticas ou do bulício de outros locais públicos. Cada vez mais profissionais dependem unicamente da utilização de um portátil e de legação à internet para realizar as suas tarefas e cumprir os seus compromissos. E essa é já uma oferta básica de qualquer biblioteca pública.
Mas poderemos oferecer mais? Acredito que sim. Não creio, no entanto, que a maioria dos profissionais e dos espaços esteja preparado para tal. Em termos de espaço, até que ponto disponibilizamos espaços para, por exemplo, reuniões de trabalho ou temos sequer espaços onde não haja o estigma do silêncio desejado. Enquanto técnicos, estamos nós preparados para algum acompanhamento de, p.e., modelos de negócio ou coaching de algum tipo? Dir-me-ão que essa não é a função de uma biblioteca. Que há outros espaços com essa dinâmica e esse core business. É verdade. Mas quando nos queremos espaços de usufruto e utilidade de e para a comunidade em que estamos inseridos, não será esta também uma opção de evolução?
O que nos falta então? Enquanto técnicos, falta-nos alargar ainda mais o nosso leque de competências ou no mínimo criar equipa multidisciplinares. O que não está assim tão longe de algumas realidades. Quantos dos nossos colegas de trabalho não têm, p.e., uma licenciatura em determinada área e uma pós-graduação em ciências documentais. Estamos a aproveitar esse potencial de conhecimento ou estamos simplesmente a colocar em prática as competências inerentes às bibliotecas? Dá-se o caso que alguns colegas não o queiram fazer. É licito e deve ser respeitado. Mas também quantos não há que sentem que podiam contribuir para um espaço mais dinâmico e simplesmente não há essa aposta ou essa receptividade.

Pessoalmente, agrada-me esse potencial de crescimento de uma biblioteca. Qual o meu papel e o dos meus colegas nesse crescimento, ainda não sei. Mas e se pensarmos todos um pouco sobre qual será esse papel?