sábado, 29 de abril de 2017

Leitura nos Transportes Públicos #17.04

Abril
Dia
Título, Autor
01
Furacão, Laurent Gaudé

Peripécias do Coração, Julia Quinn
04
The Hero of ages, Brandon Sanderson 

Crise e Crises em Portugal, Carlos LEone

O tempo entre costuras

Dalai LAma

Kafka à beira mar, Murakami

Antologia poáetica, Drummond de Andrade
06
Augustus, Adrian Goldsworthy 
11
O último Cabalista de Lisboa, Richard Zimler

Plano Infinito, Isabel Allende
12
As Desaparecidas, Megan Miranda 
18
Não me deixes, Gilly Macmillan 
20
A sombra do vento, Carlos Ruiz Zafon
24
A Mecânica dio Coração, Mathias Malzieu

O Livro do Despertar, Mark Nepo 
25
Rejeitada. Jodi Ellen Malpas 
27
Lady Midnight, Cassandra Clare 

Alguém para Tomar Conta de Mim, Yrsa Sigurdardóttir 

28
A Arte de Voar, Altariba & Kim



sexta-feira, 28 de abril de 2017

A Mecânica do Coração, Mathias Malzieu

O que me atraiu neste livro foi o título e a bela imagem da capa desta edição (que na verdade nada tem a com a história relatada). Ao ler as banda nas é-me dito que a história tem um quê de Tim Burton e …, o que confere. Ainda na capa, é-me dito que estou perante um romance, o que não concordo. Creio que está mais para uma novela. Então que história é esta?
Jack, nasce em Edimburgo na noite mais fria do mundo, 16 de abril de 1874. Para que sobreviva, a sua parteira faz uma delicada operação em que instala um relógio no seu coração congelado. Esta operação lhe permite garantir a mecânica do mesmo, mas impedirá a sua adopção seja por quem for, o que não incomoda Madeleine que assim dá azo à sua maternidade possível. Incompreendido e desprezado pela quase totalidade das pessoas, Jack anseia no entanto ser aceite por uma unica pessoa, Miss Acácia, a jovem cantora, por quem se enamora a quando da sua primeira incursão na sociedade. Essa paixão levá-lo-á a debater-se com a inveja, a violência, mas também a conhecer um novo mundo e novas amizades. Mas, sobretudo, que o amor tem razões incompreensíveis à mecânica de qualquer coração.
Enquanto narrativa, estamos perante uma poética e surreal história de amor, realmente muito ao jeito de Burton, ao qual o nome do protagonista não será sequer inocente. Este foi inclusive adaptada ao cinema de animação e embora não a tenha visto, enquanto a lia imaginava perfeitamente o seu potencial estético e creio mesmo que será daquela história em que o cinema lhe fará mais jus do que a palavra escrita. À parte disso, é uma leitura agradável e com passagens de incontornável poesia e que se adequada ao pousio entre leituras mais exigentes.

Tradução: Irene & Nuno Daune e Lorena | Editora: Contraponto | Local: Lisboa | Edição/Ano: 1ª, Outubro 2009| Impressão: Eigal | Págs.: 143 | Capa: Marta Teixeira | ISBN: 978-989-666-020-8 | DL: 299410/09 | Localização: BLX PF 82-31 MAL (80269814)

quinta-feira, 27 de abril de 2017

A Oficina dos Corações (Correio Sentimental) #1

Cara Adelaide,
Depois de uma fase complicada, acho que estou pront@ para conhecer pessoas novas e queria muito iniciar uma nova relação. No entanto, receio (já) não saber agir num primeiro encontro, quanto mais se este for romântico.
Anónim@, Grande Lisboa

Car@ leitor@,

O maior senão de um primeiro encontro é o excesso de expectativas que se criam em seu redor. A tendência é racionalizar a performance ao mínimo detalhe, como se a ocasião fosse uma entrevista de trabalho decisiva. Quando a postura deveria ser mais descontraída, como quando se encontra uma antiga amizade e procuramos simplesmente partilhar algumas venturas e desventuras sem saber ao certo quando é o próximo reencontro. Por isso, se algum conselho há a partilhar é que descontraia, aproveite a oportunidade de saber algo que desconhecia sobre outra pessoa e lembre-se que o mais provável é que esse alguém esteja tão ansios@ quanto você. 

Pere Salinas

quarta-feira, 26 de abril de 2017

(Novas) Comunidades de Leitores existentes na AML

Continuam a surgir novas Comunidades ou Grupos de Leitores na área da grande Lisboa e as existentes continuam a dar cartas. Deixo vos aqui a nota de duas novas, a decorrer na Rede de Bibliotecas de Lisboa, e da celebração do 4ª aniversário de outra. 
Espero que seja uma informação útil e ajude os interessados a encontrar a(s) sua(s) comunidade(s).

Divisão da Rede de Bibliotecas de Lisboa

Jane Austen / Biblioteca David Mourão Ferreira

Periodicidade/Horário: 2º sábado de cada mês, 16h30/19h00.
Público-alvo: adulto.
Temas: Obra da Jane Austen
Dinamização: Eva Sousa
Mais informação: http://blx.cm-lisboa.pt/noticias/detalhes.php?id=1178

LER LER / Biblioteca Camões

Periodicidade/Horário: 3º quarta de cada mês, 16h30/19h00.
Público-alvo: adulto.
Temas: Ficção/Poesia
Dinamização: Escrever Escrever (Cristina Borges)

Outras

Comunidade de Leitores - Adultos (LudoBiblioteca Escola Básica Raul Lino, Monte do Estoril)

Periodicidade/Horário: 3º sábado de cada mês, 11h00.
Público-alvo: adulto, sénior.
Temas: ficção
Dinamização: Técnicas da Biblioteca 

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Artigos relacionados: 

(Algumas) Comunidades de Leitores existentes na AML

segunda-feira, 24 de abril de 2017

O Último Cabalista de Lisboa, Richard Zimler

Há minha 5ª incursão na escrita de Zimler, finalmente dedico-me ao seu primeiro trabalho. Algum dia haveria de ser o dia! Apesar de não ter sido o trabalho que li com mais entusiasmo, é de louvar que a primeira obra, se já de que autor for, tenha o fulgor e a maturidade este livro apresenta. Gostei de tudo? Não. É um bom livro? Sim.
Na Páscoa de 1506, a comunidade judaica de Lisboa, foragida na sua maioria da inquisição espanhola, é atacada e morta em grandes fogueiras no largo do Rossio. Paralelamente a esse ataque verídico, acompanhamos a busca de Berequias Zarco, um estudante cabalista, na tentativa de descobrir quem assassinou o seu tio Abraão, o último cabalista de Lisboa. Deste modo, temos uma narrativa de base detectivesca ficcional com um pano de fundo histórico verídico, que o autor consegue recriar com autenticidade. O que para mim é inverosímil é a insistência do protagonista em descobrir o assassino do tio e a completa indiferença perante o desaparecimento do irmão mais novo, ainda criança. Seria um conceito de família diferente do actual. Possivelmente. Uma vez que até as poucas mulheres da trama apresentam uma maior autonomia do que esperava.
Para quem se interessa pela cultura judaica, este livro está imerso em detalhes e informações, que, a meu ver, até se tornam excessivas e, do ponto de vista da trama e da sua cadencia, saturantes. Do ponto de vista de uma diferente perspectiva da cidade de lisboa a narrativa leva-nos a olhar para vários locais e a percebe-los de uma nova forma.
É sempre um livro cuja leitura se recomenda, embora este não me tenha conquistado em particular.

Tradução: José Lima | Editora: D. Quixote | Local: Alfragide | Edição/Ano: 18ª, Maio 2011 | Impressão: Mirandela AG | Págs.: 383 | Capa: Luís Alvoeiro | ISBN: 978-972-20-4639-8 | DL: 326283/11 | Localização: BLX DMF 82-31 ZIM (80309448)

sexta-feira, 14 de abril de 2017

Aparições & Santificações

Imagino que há mais verdade na história de Roque Santeiro, telenovela da Rede Globo de 1985, do que em muitas hagiografias. A ficção por vezes consegue ser mais verdadeira do que a realidade.
Não ponho em causa o sentimento de fé ou crença. Nem a necessidade extrema de um milagre que dê alento a vidas miseráveis, em que não há promessa goradas, porque a promessa é um voto de esperança onde esta nem sequer germinou. Ponho em causa a necessidade de deuses e seus fieis assistentes administrativos, em que delegamos queixas, orações, reclamações e esclarecimentos para as vidas que não temos.
Lamento o destino das crianças enredadas em luzes que não sabem explicar e os adultos das medalhas que visionam mais longe. Adultos inteligentes o suficiente para vislumbrarem o que mais ninguém vê. Enquanto as crianças apenas anseiam por uma atenção ou fogem à violência enquanto quotidiano ou castigo por uma tarefa não efectuada. As crianças deveriam apenas ser crianças, mas o mundo é desses quantos homens que nos impõem a sua vontade e as crianças morrem de um futuro ausente.

Sinto sempre uma enorme necessidade de relativizar certos relatos. Uma das razões de o fazer é o acreditar no efeito placebo de certos procedimentos religiosos, tal como acredito numa certa capacidade de auto-regeneração através da meditação e de estados de transe. Outra das minhas formas de manter uma certa perspetiva é recordando a máxima: todos os santos têm um passado e todos os pecadores têm um futuro.

sexta-feira, 7 de abril de 2017

O efeito (terapêutico) da leitura partilhada

Ultimamente, tenho-me cruzado na internet com vários debates sobre a biblioterapia, os seus contextos e quem está, ou não, habilitado para o fazer. As opiniões divergem em vários pontos, mas todos reconhecem que, em determinados níveis e situações, a leitura é benéfica. Logo, quem se encontra num papel de aconselhamento e dinamização de leituras pode ter um papel preponderante no bem-estar dos leitores. A minha prática e experiência pessoais permitem-me tecer uma ou duas constatações e outras tantas opiniões.
A nível pessoal, a leitura, ao permitir-me perceber o olhar do outro, tem contribuído para (uma tentativa de melhor) compreender o que e quem me rodeia e para relativizar os momentos menos bons. E esta, como ponto de partida para alguns exercícios reflexivos de escrita, dá-me ferramentas para me organizar mentalmente. E ambos, leitura e escrita, como duas faces da mesma moeda, são oportunidades de diálogo interno que contribuem para um equilíbrio interno neste mundo de loucos e que há-de ser sempre louco.
A partilha presencial de leituras é um outro momento. Posterior. Mas, tanto ou mais benéfico. Porque se a leitura e a escrita são momentos individuais e solitários, a partilha são momentos de convívio. Por vezes, podem ser desconfortáveis (e até aterradores). Verbalizar, pela primeira vez, perante outras pessoas uma opinião ou uma impressão obriga, em primeiro lugar, a formaliza-la e, só isso, exige de nós uma posição perante algo. O que nem sempre é um processo fácil.
Em contra partida, é reconfortante perceber que o temos a dizer é aceite, compreendido e, por vezes, é até contribuir com uma perspectiva que o outro não tinha vislumbrado.

Quando, a partir de um livro, se partilham contas de alguns rosários pessoais, são momentos muito especiais e marcantes. Ser receptor deste tipo de confiança é um privilégio e faz parte dessa confiança que os desabafos aí relatados não transbordem para outros locais e outras circunstancias. E nesse aspecto, funciona (ou deve) como terapia de grupo. É claro que, na dinamização de partilhas de leituras, devemos estar conscientes das nossas limitações pessoais e profissionais e não substituir outras formas de acompanhamento especializado. No entanto, é claro para mim que nesse momento contribuímos com algo tão simples, e por vezes tão menosprezado, como estar presente e escutar. 


quinta-feira, 6 de abril de 2017

Ler é coisa de mulheres?

Nos transportes públicos, constato que pelo menos 2/3 das pessoas que observo com livros são mulheres. Nos clubes de leitura, embora cada grupo seja diferente, e nalguns exista uma paridade de participações, noutros há em que a participação é maioritariamente ou exclusivamente feminina. Nos blogues ou páginas de crítica ou relato de leituras, também se verifica uma predominância feminina.
São elas mais leitoras do que eles? Ou retiram elas mais beneficio da partilha das suas leituras? Será a leitura e a sua reflexão um dos seus quartos imateriais, que permite o diálogo intimo que as mulheres sempre encontraram nos seus afazeres diários? Encontram ai o espaço e tempo para uma voz que não seja minada por pressões profissionais e/ou sociais? Será este o tempo e o espaço para serenamente se conhecerem e ousarem?

Ler não é coisa somente de mulheres, mas certamente compreendo-me mais como pessoa através da leitura. 


terça-feira, 4 de abril de 2017

Clube dos poetas vivos

Dizem que é poeta
Olho e vejo a roupa de uma indistinta indumentária administrativa
Cabelo de demão desmaiada
Mala à tiracolo em tempos preta
Batom vermelho
Gritante arrepiante
Nada bate com a foto de há muitos anos continuamente exibida na guarda dos livros
(insistimos em manter a ilusão de juventude pela perpetuação de uma mesma inidentificativa foto)
(Photoshop possível de uma vida demasiado inalógica)
Ouço as palavras pelas diseures  (uma muito mal ensaiada)
Encontro poucos momentos de entendimento
E vago noutras direcções
Levada por diários dos dias ausentes
Enquanto roo as unhas na tentativa de me livrar
Deste excesso de mim 


sábado, 1 de abril de 2017

Leitura nos Transportes Públicos #17.03

Março
Dia
Título, Autor
01
The inteligente investor, Benjamin Graham

The experts, Chris Pavone
02
A jangada de pedra, José Saramago
07

O Chalet das Cotovias, Carlos Ademar
09
Small Data, Martin Lindstorm
10
Candido o Optimista, Voltaire

Os Anagramas de Varsóvia, Richard Zimler
11
Um copo de cólera, Raduan Nassar

Lições de Desejo, Madeline Hunter
14
O envangelho segundo Lázaro, Richard Zimler
15
Estaline, Simon Sebag Montefiore
16
O Homem Ausente, Hans Rosenfeldt

Um lugar chamado Liberdade / Ken Follett
17
1984, George Orwell

Morrer sozinho em Berlim, Hans fallada
21
Focos de tensão, George J. Friedman

A viúva Negra, Daniel Silva

A Odisseia, Homero

22
A Experiência, Ferreira de Castro
23
Faz Acontecer, André Leonardo
24
Umas Mulher de Sorte, Nora Roberts

A filha do Capitão, José Rodrigues dos Santos
25
O Primeiro Marido, Laura Dave
27
A Química, Stephanie Meyer

Benzeram chico e Você
28
O Triunfo do amor Português, Mário Claúdio

O rapaz londrino, Mafalda Santiago
30
Silêncio, Shusako Endo

Santos e Milagres, Alexandre borges
31
A Sombra do Vento, Carlos Ruiz Zafon