terça-feira, 28 de julho de 2015

A Biblioteca, Zoran Zivkovic

Resultado de imagem para A Biblioteca, Zoran ZivkovicEsta Biblioteca é composta por um conjunto de 6 contos surreais que têm como pedra de toque a paixão/obsessão não só pelo livro, enquanto objecto, mas também pelo conceito de literatura. O que seria poder aceder, ainda que efemeramente, a todos os livros ainda por escrever? e aos já escritos? e se todas as histórias de apresentassem num único volume? estaria a nossa vida lá inscrita? Qual o seu impacto nas nossas vidas? Redenção ou castigo? Alimento ou punição da alma?
Este pequeno volume é, sem dúvida, uma passagem obrigatória para os amantes da leitura e que nos arranca ora sorrisos ora suspiros de secreta compreensão por este inexplicável objecto que é o livro e as histórias que pode comportar.
E


Tradução: Arijana Medvedev | Editora: Cavalo de Ferro | Colecção: Gente Independente | Edição: 1ª | Local: | Impressão: Grafiche del Libre | Ano: 2010 | Págs.: 101 | Capa: | ISBN: 978-989-623-137-8 | DL: 316167/10 | Localização: BLX PF 82-34 ZIV (80305212)

segunda-feira, 27 de julho de 2015

Um Rapaz Chamado Boy George (2010)

Filme que relata a vida de Boy George, desde a sua mudança na Juventude para a cena Londrina, acabando na criação e êxito dos Culture Club e no momento em que é perseguido pela imprensa devido ao seu consumo de drogas. Registo interessante de um tempo, de uma época e de uma personagem conhecida mundialmente.

Título original: Worried About the Boy * Realização:  Julian Jarrold * Argumento: Tony Basgallop * Elenco: Douglas BoothJonny BurtMathew Horne

sexta-feira, 24 de julho de 2015

Homens que são como lugares mal situados, Daniel Faria

Homens que são como lugares mal situados
Homens que são como casas saqueadas
Que são como sítios fora dos mapas
Como pedras fora do chão
Como crianças órfãs...
Homens sem fuso horário
Homens agitados sem bússola onde repousem

Homens que são como fronteiras invadidas
Que são como caminhos barricados
Homens que querem passar pelos atalhos sufocados
Homens sulfatados por todos os destinos
Desempregados das suas vidas
Homens que são como a negação das estratégias
Que são como os esconderijos dos contrabandistas
Homens encarcerados abrindo-se com facas
Homens que são como danos irreparáveis
Homens que são sobreviventes vivos
Homens que são sítios desviados
Do lugar

in Poesia, Quasi
John Crawford

quinta-feira, 23 de julho de 2015

o passado no passado

É importante colocar o passado no passado. Sem fazer tábua rasa, porque nos trouxe aqui. saber utilizar as suas lições, sem que as suas mágoas nos inibam ou que as suas alegrias inebriem e toldem a visão. Com a certeza de que o percurso tem todo o tipo de surpresas reservadas. Afinal, hoje é só o primeiro dia do resto das nossas vidas...

quarta-feira, 22 de julho de 2015

A literatura é o registo daquilo que somos e em quem nos queremos transformar. Procuramos escrever melhores versões de nós próprios e depois tentamos viver de acordo com essas criações.
Encontramos a coragem de inscrever os mais recônditos desejos e aspirações no silêncio das palavras não testemunhadas. Na esperança de que escritos não pareçam tão insólitos, tão impossíveis. Porque toda a escrita encerra em si uma promessa de sentido. Um sentido desejado para qualquer vida.

terça-feira, 21 de julho de 2015

Desejo...

… que o universo me dê:
serenidade para aceitar o que não posso mudar;
coragem para mudar o que está ao meu alcance (e não só);
sabedoria para distinguir a diferença entre os dois.

Teremos, aos 40, idade em que cortamos ou aceitamos o nosso destino, conseguido atingir este patamar? Que destino? O que construimos ou que iremos construir? Serenidade, coragem, sabedoria. Para um futuro seja ele cósmico ou cómico.

segunda-feira, 20 de julho de 2015

Outlander: Guerreiro vs Predador (2008)

A personagem do Predador tem alimentado diversos filmes ao longo das ultimas décadas. Este filme é um desses casos. Desta feita, a luta entre o homem e o perdador situa-se num reino vikings, onde se despenha uma nave com o ser e um humano, digamos, mais avançado, que encontra nesse reino o aliado necessário à sua destruição, acabando por ser nomeado rei do mesmo. 
Título original: Outlander * Realização: Howard McCain * Argumento: Dirk BlackmanHoward McCain * Elenco: Jim CaviezelSophia MylesRon Perlman, John Hurt

domingo, 19 de julho de 2015

Os loucos e as bibliotecas

Qualquer biblioteca pública acolhe os mais variados tipos de incompatibilidade social. Um eufemismo para loucura. Mas porque escolhem os loucos as bibliotecas?
Talvez porque na sua génese de livre acesso e de aceitação estas sejam um último reduto de integração social. Sendo porque não há censura às leituras praticadas ou porque lhes permite a prossecução de um dos objectivos recorrentes: a escrita de um livro ou de intermináveis e impercetíveis trabalhos de pesquisa, que são na realidade o que os prende a uma rotina de normalidade e/ou sanidade.
Mas, e não seremos todos nós os que trabalhamos em bibliotecas também um pouco loucos? Com esta nossa, talvez, vã ambição de possibilitar um pouco de luz neste mundo de trevas?

sábado, 18 de julho de 2015

Os Sonhos de Einstein, Alan Lightman

Enquanto trabalha na análise e e registo de patentes, Einstein elabora a sua teoria do tempo, que lhe ocupa todo o seu “tempo livre”, especialmente os seus sonhos.
Sob a forma de pequenos contos protagonizados pelos habitantes da cidade natal do cientista, cenário dos mesmos, AL relata o que seriam esses sonhos e exemplifica várias possibilidades de explicar como funciona o tempo. Das várias noções de tempo apresentadas, apenas nos é possível aferir que o tempo é sempre uma perceção humana.
Revelando um agradável equilíbrio entre divulgação científica e uma narrativa poética, no entanto, para o final, a estrutura começa a tornar-se enfadonha, o que é equilibrado pelas narrações episódicas e pela própria dimensão do livro. Este equilíbrio entre divulgação e uma narrativa poética, recorda-me a leitura de Sistema Periódico, de Primo Levi. Já a exploração do tempo como fenómeno inconsciente recorda-me O Palácio dos Sonhos, de Ismael Kadaré., dois livros que recomendo igualmente.

Tradução: Ana Maria Chaves| Editora: Asa II, SA | Edição: 10ª | Local: Alfragide | Impressão: Mirandela | Ano: 2010 (1994) | Págs.: 108 | Capa: José Gonçalves | Ilustrações: Luís Manuel Gaspar | ISBN: 975-972-41-1380-7 | Localização: BLX PF 82-31 LIG

quinta-feira, 16 de julho de 2015

sonhos de sempre

É normal sentimo-nos presos a opções de e na vida que nada têm a ver com os nossos sonhos e ambições. Na verdade, parecem mesmo estilhaça-los ou adiá-los para um horizonte tão longínquo que o mais apetecível é desistirmos.
De todos os sonhos, de certo, muitos ficarão por cumprir. Faz parte do nosso crescimento. Mas também faz parte de nós ( aliás, devemo-nos) continuar a acreditar neles.
Olho para os meus sonhos de infância, de adolescência, de início da idade adulta e para os que agora despontam e tento perceber se são diferentes. Ou se será o mesmo sonho transfigurado e adaptado a cada fase de maturidade?
Viagem, conhecimento livresco e prático, descoberta, reconhecimento profissional, criatividade… tem sido o âmago dos meus sonhos. Apesar de, ao longo dos tempos, se ter revestido de diferentes materializações e aspirações.
Por nem sempre ter percebido esse âmago, nem sempre tomei as opções certas. Mas agora estou no seu alcance. Procuro potenciar opções, através de escolhas que me permitam alcançar e materializar os meus sonhos de sempre.   

quarta-feira, 15 de julho de 2015

Sinto-me velha

Não sei se é depressão pré-40, mas a verdade é que me ando a sentir velha. Além de ser a primeira admiti-lo, também é notório para quem me rodeia. Creio que sei todas as razões para este sentimento. Creio também que o mesmo só se dissipará daqui a uns meses. Pelo menos assim o espero, pois o contrário significa que não ultrapassei os actuais impasses, que são inibidores por natureza.
As mudanças profissionais dos últimos meses foram mais extenuantes do que poderia à partida supor. Estão a igualmente a poucos meses de se oficializar, mas até lá haverá sempre uma poeira de insegurança que não me devia inquietar, mas... mas... depois há os projectos que estou lentamente a pôr em marcha. Com eles vêm os momentos em que me acho assoberbada pelas potencialidades e possibilidades e com o que isso implica de investimento e posterior retorno. Por vezes, a grandeza dos sonhos também é inibidora.
Depois, e de certo o mais importante, é que me falta o meu companheiro de números. Aquele que seguia em frente e desfazia qualquer preconceito relacionado com a idade. O mesmo cuja partida me fez reflectir muito nos últimos anos e cuja ausência ainda não sarou. Talvez não sare nunca. Aquele com quem eu queria continuar chateada e chatear e tudo o mais que os irmãos nos suscitam. Sim, a sua ausência faz-me sentir velha. Talvez por sentir que já não consigo voltar àquele lugar chamado infância no qual nós os três éramos uma unidade. O dois que agora somos é um lugar incompleto e essa incompletude envelhece-me, mesmo com tudo o que, hoje, me faz sorrir.

terça-feira, 14 de julho de 2015

Qual a minha voz?

Tendo a ambição da escrita, esta é talvez a pergunta que mais me inquieta. Que tenho a dizer e como? Seguida de: haverá quem a queira escutar? Mas essa será necessariamente uma questão secundaria, pois o meu primeiro ouvinte serei sempre eu. E algo terei para conversar comigo própria. Será talvez um diálogo louco, talvez vazio. Talvez não chegue a ser sequer um diálogo. Apenas um solilóquio com a ilusão de algo mais.
Dai que a minha voz não se encontre num registo ficcional. Será um registo mais pessoal. Pensei talvez num ghost writting, mas chego à conclusão de que só posso escrever sobre os meus fantasmas e nunca dar corpo a outra voz. Será a minha uma escrita de auto-ajuda? Nunca para terceiros, que os meus conselhos não servem a ninguém. Talvez nem a mim.
O mais que posso deixar em páginas soltas são as crónicas das minhas dúvidas, que essas sim abundam na minha mente. Tanto que, por vezes, me impedem mesmo de transcrever para o papel seja o que for. No entanto, são estas crónicas duvidosas que me levam a procurar a melhor versão possível de mim. E esse será talvez o único compromisso possível de escrever.

segunda-feira, 13 de julho de 2015

Italiano Para Principiantes (2000)

Uma das coisas que mais gosto é, ao fazer zappimg, deixar-me levar pela curiosidade que um qualquer título, e o seu breve resumo, me suscita. Uma curiosidade semelhante à que me incentiva à leitura de um livro numa estante.
O filme apresenta-nos a história de um pequeno grupo de desconhecidos que procurar combater a rotina nas suas vidas através da frequência de um curso comunitário de italiano, cuja diminuta afluência poe em causa a continuidade domesmo. Escusado será dizer que entre os alunos se estabelecerão novos laços quer de amizade, quer românticos, mudando a vida de todos os intervenientes.
É um filme bem disposto e com uma mensagem com que simpatizo: há que ter coragem de romper com as nossas rotinas, para que a nossa vida mude, trazendo-nos contornos inesperados.

Título original: Italiensk for begyndere * Argumento & Realização: Lone Scherfig * Elenco: Anders W. BerthelsenAnn Eleonora Jørgensen,Anette Støvelbæk

sábado, 11 de julho de 2015

Os que sucumbem e os que se salvam, Primo Levi

Retornei à obra de Primo Levi, que se tornou uma das leituras da minha vida. É complicado sintetizar tudo o que aprendo na sua leitura. Seriam necessários muitos mais apontamentos e reflexões do que a poucas linhas que aqui deixo. Mas o que posso dizer é que é uma leitura transformadora, porque me confronta não só com a fragilidade do ser humano, mas também com a sua força, mas sobretudo com a sua falibilidade. E falíveis somos todos nós. E sendo-o, isso também deveria despertar um novo olhar sobre o outro, que infelizmente não transparece para os nossos actos. E numa época em que a história parece repetir-se, espero conseguir manter um olhar humano sobre o que e quem me rodeia. Só isso me parece uma tarefa quase hercúlea.


Tradução & Revisão: José Colaço Barreiros| Editora: Teorema | Colecção: Outras Histórias | Edição: | Local: Lisboa | Impressão: Rainho & Neves| Ano: 2008, Março | Págs.: 205| Capa: Fernando Mateus | ISBN: 978-972-695-751-5| Localização: BLX PF 82-31 LEV (80287643)

sexta-feira, 10 de julho de 2015

Tabacaria, Fernando Pessoa

Não sou nada.
Nunca serei nada.
Não posso querer ser nada.
À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.
Janelas do meu quarto,
Do meu quarto de um dos milhões do mundo.
que ninguém sabe quem é
( E se soubessem quem é, o que saberiam?),
Dais para o mistério de uma rua cruzada constantemente por gente,
Para uma rua inacessível a todos os pensamentos,
Real, impossivelmente real, certa, desconhecidamente certa,
Com o mistério das coisas por baixo das pedras e dos seres,
Com a morte a por humidade nas paredes
e cabelos brancos nos homens,
Com o Destino a conduzir a carroça de tudo pela estrada de nada.
Estou hoje vencido, como se soubesse a verdade.
Estou hoje lúcido, como se estivesse para morrer,
E não tivesse mais irmandade com as coisas
Senão uma despedida, tornando-se esta casa e este lado da rua
A fileira de carruagens de um comboio, e uma partida apitada
De dentro da minha cabeça,
E uma sacudidela dos meus nervos e um ranger de ossos na ida.
Estou hoje perplexo, como quem pensou e achou e esqueceu.
Estou hoje dividido entre a lealdade que devo
À Tabacaria do outro lado da rua, como coisa real por fora,
E à sensação de que tudo é sonho, como coisa real por dentro.
Falhei em tudo.
Como não fiz propósito nenhum, talvez tudo fosse nada.
A aprendizagem que me deram,
Desci dela pela janela das traseiras da casa.
(Excerto de “Tabacaria”, de Fernando Pessoa)

quinta-feira, 9 de julho de 2015

Este paragrafo reflecte a noite passada neste quarto.
Uma noite em que remoí as perdas recentes, mas também o seu
Reverso: as conquistas. O trajecto de uma vida é feito de
Novas aquisições e confianças renovadas mas, talvez mais
Importante, mesmo que não o vejamos no momento, temos
Igualmente de lidar com a perda e o sofrimento inerente. Já que tudo
Anda de mão em mão, revezando-se para nada
darmos como garantido. Estou, sem dúvida, confiante no
futuro e que este incluirá novos sorrisos, como o que hoje
sinto em mim.
***
Este é um reverso. O novo torna-se velho e o
importante indiferente. Muito do que julgava querer já não anda a
par com os meus pensamentos e, ao dar um passo rumo
ao futuro, sinto que nada se parece com o antes.
***
Este importante par de objectivos levar-me-á
Ao futuro.
***
Este futuro só a mim pertence.

Giuliano Bekor

quarta-feira, 8 de julho de 2015

Não sei se é mágoa ou bênção
Voltar ao local de infância
Para reencontrá-lo

E perdê-lo de vez


terça-feira, 7 de julho de 2015

De Nome, Esperança, Margarida Fonseca Santos

Conheço o trabalho de MFS sobretudo na área da escrita criativa, com quem fiz uma formação nesta área, e da escrita para jovens. No entanto, só agora fiz uma incursão no seu universo adulto.
Nesta obra, a autora aborda a temática da doença mental através de uma personagem que não parece fazer jus ao nome. Esperança é uma jovem mulher desajustada do conceito de normalidade. É uma pessoa funcional, mas as suas preocupações, ambições e modo de relacionamento não é compreensível para os demais. Isso leva-a ao internamento num sanatório no Lorvão, onde Carlos, um enfermeiro estagiário se esforça para resgata-la para a convivência em sociedade. Nesse âmbito, enceta uma viagem pelo passado de Esperança, procurando perceber a origem do seu desfasamento com o modo como o mundo se organiza e o que faz despoletar os seus ataques de incompatibilidade.
Esperança é nos apresentada através dos diversos pontos de vista das pessoas que a conheceram, mas também através de excertos da sua escrita, pois era este o modo como se organizava mentalmente e conseguia estabelecer uma relação com o que a rodeava: “Escrevo a vida dos outros, ou é através dos outros que escrevo a minha?” (P. 49)
É um livro interessante que nos faz reflectir sobre o que é a suposta “normalidade” e a usual inaptidão da sociedade, como um todo, para incluir no seu seio o doente mental.

Editora: Oficina do Livro| Edição: 1ª | Local: Alfragide | Impressão: Eigal | Ano: 2011, Janeiro | Págs.: 170 | Capa: Margarida Rolo| ISBN: 978-989-555-563-5 | DL: 319643/10 | Localização: 82P-31/SAN BLX PF (80290396)

segunda-feira, 6 de julho de 2015

Um Dia (2011)

No dia 15 de Julho de 1988, dois jovens conhecem-se e, talvez sem o saberem, nasce nesse momento uma história de amor que durará décadas. É nesse dia que, ao longo de 20 anos, vamos acompanhado a sua relação, como cresce, evolui, os desafios que enfrenta , inclusive os do tempo, da maturidade e até da separação. Esta é uma abordagem interessante da uma relação em que dois individuos se reconhecem mas, não estando preparados para tal, ano a ano vão amadurecendo e cimentando a relação. Deixou-me curiosa para ler o livro homónimo de David Nicholls e perceber eventuais diferenças na abordagem.


Título original: One Day * Realização: Lone Scherfig * Argumento:David Nicholls, baseado na obra homónima de David Nicholls * Elenco: Anne HathawayJim SturgessPatricia Clarkson