segunda-feira, 27 de junho de 2016

#23 @ 103/1003


Uma experiência diferente. Divertida. Por vezes estranha, sobretudo ao ver o resultado. Mas recomenda-se...

E para quem quiser experimentar, recomendo o trabalho da amiga de longa data Lia Rodrigues ( http://www.liarodriguesphotography.com/ )

quinta-feira, 23 de junho de 2016

A Grande Arte, Rubem Fonseca

Eu tenho uma grande arte:
eu firo duramente aqueles que me ferem.
Arquiloco

Esta foi a minha segunda incursão pela escrita de Rubem Fonseca, tendo a primeira sido Vastas Emoções e Pensamentos Imperfeitos, que resumiria como um policial, ainda que protagonizado por um realizador de cinema, onírico.
Em A Grande Arte acompanhamos as desventuras de Paulo Mandrake, advogado pouco prolifero, que enceta uma investigação em que pouco descobre, mas que o põe em contacto com diversas personagens inusitadas, como Hermes, Lima Prado, Nariz de Ferro, entre outros.
Ao ser contactado para encontrar uma videocassete perdida, cujo conteúdo ninguém sabe explicar, Mandrake enceta uma investigação, que coloca um prémio sobre a sua cabeça e induz a um ataque a si e à sua actual namorada. Após a recuperação, decide vingar-se e ao perseguir os seus algozes vai-se imiscuindo os negócios tentaculares do grupo Aquiles e dos seus responsáveis.
Mas, como Vargas Llosa tão bem explica no posfácio desta edição, Mandrake “como detective é uma verdadeira catástrofe, pois não consegue resolver sozinho nenhum dos enigmas que lhe aparecem pela frente: as soluções acabam por lhe cair nas mãos, prontinhas, graças a outras pessoas ou ao acaso.” (p.339) Na verdade, este Grande arte é uma homenagem ao género policial, com inúmeras referências compreensíveis para os amantes do género, mas em jeito de paródia, o que pode já não ser tão apelativo para esses mesmos amantes, uma vez que também descontroi o que as estruturas narrativas habituais. Tal como já o fizera em Vastas emoções…
Por isso, este é aquele género de livro de que se gosta ou não se gosta, mas perante o qual, na verdade, não ficamos indiferentes. Dai que se recomende, sobretudo a quem não conhece a escrita de um dos mais conceituados escritores brasileiros.

Editora: Sextante Editora | Local: Porto | Edição: 3ª| Ano: 2013 (1ª 2012) | Impressão: Bloco Gráfico Lda.| Págs.: 342 | Capa: Henrique Cayatte Design | ISBN: 978-972-0-07151-4| DL: 356128/13 | Localização: BLX PF 82P(81)-312.4/FON (80240751)

sábado, 18 de junho de 2016

Uma interpretação

Neste momento, sinto-me num momento de calma emocional, uma vez que atingi objectivos há muito traçados. Essa sensação permite-me, não só usufruir o momento, mas também aproveita-lo para tecer novos planos, sabendo que tenho a persistência para os levar a cabo.
Sinto-me plena de possibilidades, mas estas não são para seguir indiscriminadamente. São para ser analisadas, ponderando prós e contras, e seguir rumo ao que se apresentar mais profícuo a médio/longo prazo. As oportunidades surgem, mas também temos de as proporcionar, sabendo identifica-las e aproveita-las. Mesmo que isso implique declinar falsas miragens.
Das inúmeras possibilidades para as quais me sinto apta, uma é a de sentir-me predisposta a uma nova relação. É claro que, conhecendo-me, tenho de repudiar certas ilusões e confiar nas minhas capacidades e naquilo que sou e não deixar-me vencer pelas minhas fragilidades e inseguranças. Se a imagem que transmito é de (aparente) segurança, jovialidade e simpatia, isso não esconde o meu coração trespassado no passado, o meu medo de me abrir aos outros e de que a minha confiança, outrora inata, seja traída. E ainda, vezes demais, os meus medos levem a melhor.
Já na área profissional, as possibilidades desejadas multiplicarão escolhas, feitas com o coração e a cabeça e mantendo os rumos delineados.
Um dos próximos passos desejados é a prossecução dos meus estudos académicos. No entanto, embora considere não ser ainda o momento certo para os retomar, este virá ao meu encontro.
Quero caminhar rumo à minha concretização pessoal e profissional, que, em determinados momentos, serão o mesmo. Creio que o reconhecimento profissional poderá originar determinadas oportunidades que se refletem no nosso bem estar geral, tal como este nos deixa mais predisposto para novos desafios profissionais.
Essas oportunidades levarão a novas escolhas e essas, ainda que seguindo uma certa dose de instinto, terão de ser feitas racionalmente. Será essa consciência da necessidade de ser racional que me ditará a necessidade de afastamento e alguma solidão, até ao momento em que sinta que sentimentos, emoções e desejos amadureceram o suficiente para serem vividos.

sexta-feira, 17 de junho de 2016

Noite da literatura europeia.03

Lorenzo Mattotti
Ao final da tarde, cerca de meia dúzia de curiosos e aspirantes a intelectuais distribuíram-se pela sala do antiquário* para a sessão de poesia de leste**.

* arrumado e organizado numa precisão que não convida ao curioso deambular e manusear dos itens disponíveis, numa investigação aleatória até se encontrar algo único que nos traga à memória uma qualquer reminiscência infantil. Tão ao contrário das carreiras de itens das grandes superfícies comerciais que nos impelem a escolher um (de tantos outros iguais), numa liberdade de escolha estudada a fundo pelo marketing e pelo product placement.

** primeiro em português. Num tom suave, voz grave masculina colocada e treinada para deleite e sedução de plateias. O tom dá corpo às palavras e estas ganham sentido de sentido único, como se tivesse sido criadas para o fim único daquela fusão especifica.

Depois, uma cacofonia estranha que fere os ouvidos e anula qualquer possibilidade de sentido. Faz-nos questionar se naquela (suposta) língua alguém pode pronunciar o amor e (podendo) se outro alguém se pode sentir amado através daquela demonstração vocálica. 

quinta-feira, 16 de junho de 2016

O Adeus à Arma

Até ao próximo dia 16 de Julho, às terças e quintas, andarei dedicada à literatura policial, no El corte inglês, num curso livre ministrado por Francisco José Viegas.
Não se metam comigo!

terça-feira, 14 de junho de 2016

Noite da literatura europeia.02

Christian Schloe
a atriz lia o poema
lia, mas não lia
proferia as palavras que a técnica e a experiência permitiam debitar 
sem que a sua mente perdesse qualquer tempo 
em interpretações, flexões, sentimentações
a dicção clara, fluída, sonante
e os aplausos finais

de um espectáculo em que a memória das palavras 
se esvai ao ritmos em que 
descemos os degraus para o buliço da rua

segunda-feira, 13 de junho de 2016

Tiragem #...

Data: 06/2016

Consulente: AB, 40 anos, sexo feminino

Pergunta: quais as minhas perspectivas futuras?

Tipo de Tiragem: Zodíaco 


Tiragem/Posições: 
1. Eremita/Rei de ouros; 2. Louco/rainha de ouros; 3.Roda da Fortuna/3 de Paus; 4. Estrela/Ás de Copas; 5. Lua/rainha de Paus; 6. Carro/2 de Espadas; 7. Imperatriz/10 de Espadas; 8. Diabo/3 de Espadas; 9. Papa/Valete de Copas; 10. imperador/cavaleiro de ouros; 11. Amantes/Rei de Espadas; 12. Eremita/Rei de Ouro

terça-feira, 7 de junho de 2016

Noite da literatura europeia.01

a morte bateu à porta

assim, sem avisar
e a dispensa vazia
nem as bolachinhas, nem os bolinhos, nem o cházinho
(limão tília camomila)
(melhor mesmo seria valeriana)

visita ingrata, sempre inesperada
apressada
sem tempo para 2, 3 dedos de conversa
como está a família
os seus, os meus
estão bem por lá? Estão por lá? Onde estão?
as saudades
os planos que nos impedem de ir agora
os compromissos inadiáveis

mas é hoje, sim
diz que é irrevogável
parece que sim
e sem direito a revogações  

sábado, 4 de junho de 2016

A Alma Trocada, Rosa Lobato de Faria

Esta foi a minha terceira incursão pela escrita de RLF, após OPrenúncio das Águas e As Esquinas do Tempo. Confesso que a minha boa primeira impressão de O Prenúncio… tem vindo a espairecer. Não que ache os temas desinteressantes, pelo contrário. No entanto, a construção, as estratégias e enredos nem sempre conseguem cumprir os propósitos. Ou pelo menos, não para mim.
Nesta obra, acompanhamos o assumir da sua condição de homossexual de Teófilo, um jovem de 26 anos, professor de francês e aspirante a escritor, rompendo com o noivado de longa data com Raquel, uma amiga de infância da família, e o consequente afastamento dos pais, incapazes de o aceitarem como tal. Encontra abrigo e apoio em Hugo, seu amante e que se torna seu companheiro, a avó Jacinta e a família de Estrela, sua nova vizinha, composta pela mãe Clara e as filhas Clarinha e Margarida. A sua nova vida parece decorrer com tranquilidade, mas esta é ameaçada pelos intuitos vingativos de Raquel, que envolvem o roubo dos seus romances e tentativas de assassinato e rapto, e o reencontro com Tinito, a sua paixão de juventude incumprida. Depois de diversas peripécias, tudo se compõem e Teófilo segue a sua vidinha tranquila.
RLF volta a abordar o tema do destino - está escrito ou podemos escreve-lo? - e das partidas que, eventualmente, este nos coloca, levando-nos a questionar as nossas crenças e valores.

Editora: Edições Asa | Local: Porto | Edição: 1ª| Ano: 2007, Setembro | Impressão: Eigal, AG | Págs.: 188 | ISBN: 978-972-41-5287-7 | DL: 259547/07 | Localização: BLX PF ROM ROM-POR FAR (80342958)

quinta-feira, 2 de junho de 2016

quarta-feira, 1 de junho de 2016

Elizabeth Costelo, J. M. Coetzee

Elizabeth Costello é uma escritora de idade avançada que deambula pelo mundo para proferir palestras, que pouco ou nada têm relação com a sua obra, nas quais oferece uma visão do mundo e da escrita, o que a coloca em choque com outros autores e intelectuais. A sua idade avançada, no entanto, não a torna mais sábia, pois nem ela mesma sabe se ainda acredita as palavras que defende. Em última análise, a sua incapacidade e incerteza para ver os outros afasta-a inclusive da parca família, um filho e uma irmã.
Segundo apurei, o autor aproveita neste romance alguns excertos de publicações anteriores suas, o que talvez lhe confira um tom demasiado programático, cuja leitura nem sempre é fácil e escorreita. Para os apreciadores de filosofia, esta poderá ser uma obra interessante pois aborda temas, entre outros, como a o mal e a sua génese e a separação entre o homem e os outros animais.
Esta foi a minha primeira incursão na escrita desta autor nobelizado e sobre a qual não consigo perceber exactamente se gostei ou não, o que me poderá a levar a uma nova leitura para tirar teimas.

Tradução: Mª João Delgado | Editora: D. Quixote | Local: Porto | Edição/Ano: 1ª, Setembro 2014 | Impressão: Gráfica Mel Barbosa e Filhos | Págs.: 228 | Capa: Atelier Henrique Cayate | ISBN: 972-20-2722-0 | DL: 214698/04| Localização: BLX PF 82-31 /COE (80071827)